Por que algumas pessoas se tornam mais duras entre 60 e 70 anos? A psicologia revela o que está por trás dessa mudança

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pessoas entre 60 e 70 anos

À medida que algumas pessoas entram na faixa dos 60 aos 70 anos, é comum assistirmos a um **endurecimento** das suas atitudes, o que pode ser desconcertante para os que estão à sua volta. Porém, este comportamento muitas vezes não surge sem uma razão. Ele pode manifestar-se quando começam a perder lentamente o controle sobre pequenas decisões do dia a dia. Lembro-me de uma refeição que me marcou. Estávamos numa mesa, debatendo se um dos presentes deveria continuar a conduzir. O mais curioso é que essa pessoa estava ali, plenamente capaz de participar na conversa, mas ninguém lhe perguntava a opinião. Quando finalmente se fez ouvir, as suas palavras foram tão incisivas que um silêncio tomou conta do espaço.

Algum tempo depois, alguém comentou que ela tinha se tornado **«complicada»** ultimamente. Não era completamente falso; o seu comportamento realmente havia mudado. No entanto, essa mudança foi notada vários meses depois que o seu círculo social começou a discutir o seu futuro e a tomar decisões sem realmente incluí-la.

É fácil afirmar que as pessoas se tornam mais frias ou difíceis com a idade. Lembramo-nos da pessoa conciliadora que eram antes e questionamo-nos sobre o que poderá ter mudado entre os 60 e 70 anos.

Contudo, nem sempre ocorre uma transformação súbita da sua personalidade. Na verdade, muitas vezes essas pessoas apenas tentam **preservar o que estão a sentir que lhes escapa**: a possibilidade de decidirem por si mesmas. E quando alguém teme perder o controle da sua vida, a sua maneira de se proteger nem sempre é suave ou fácil de entender.

O que leva algumas pessoas a tornarem-se mais exigentes entre os 60 e os 70 anos?

pessoas entre 60 e 70 anos
Imagens Pexels e Freepik

A dificuldade não é, frequentemente, a primeira mudança que notamos. Ela surge após uma **série de pequenas perdas** de controle.

Uma queda, um problema de saúde, uma fatura esquecida ou um erro num trajeto familiar podem gerar inquietação no círculo próximo. A vontade de proteger pode levar esses entes a começarem a decidir por esta pessoa ao invés de com ela.

Um carro é vendido, uma consulta médica marcada, os meios de pagamento limitados, ou algumas rotinas são alteradas. Estas decisões, por si só, podem parecer sensatas. No entanto, quando se acumulam, a pessoa pode sentir que **deixou de participar nas decisões que dizem respeito à sua existência**.

Por fim, num determinado dia, ela reage a algo aparentemente insignificante e o seu círculo conclui que se tornou difícil.

Este desejo de preservar a sua independência é fundamental em diversas reflexões sobre o envelhecimento, especialmente nas práticas que permitem manter a autonomia após os 70 anos.

Um mecanismo psicológico bem conhecido

Os psicólogos falam de reatância psicológica. Quando uma liberdade que considerávamos garantida nos é retirada, tendemos a querer recuperá-la. Esta reação pode manifestar-se através da oposição, irritação ou raiva.

Num adolescente, esta atitude é frequentemente interpretada como uma afirmação de independência. Para uma pessoa de 70 anos, o mesmo comportamento pode ser rapidamente considerado **teimosia** ou uma mudança de caráter.

E quanto mais importante for a liberdade em questão, mais intensa pode ser a reação. Trata-se de algo que não diz apenas respeito a pequenos detalhes, como conduzir, gerir dinheiro, permanecer em casa ou seguir o próprio ritmo, mas sim ao sentimento de autonomia.

Isto explica também porque alguns pais idosos às vezes rejeitam a ajuda ou os conselhos dos seus familiares, pois aceitar ajuda pode ser sentido como uma **perda de controle**.

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Mesmo uma ajuda bem-intencionada pode ser infantilisante

pessoas entre 60 e 70 anos

Exite uma forma particular de se dirigir aos mais velhos, como falar mais devagar, com um tom exasperadamente suave ou usar sistematicamente o **nós** em seu lugar.

« Vamos sentar no sofá? »
« Já tomaram os medicamentos? »

Os investigadores falam de « elderspeak » ou a linguagem dirigida a idosos. Embora partir muitas vezes de boas intenções, esta linguagem pode ser **percebida como infantilizante** ou condescendente.

Esse fenômeno está relacionado ao que por vezes se chama de ageísmo benevolente, a ajuda prestada sem ser solicitada, proteger retirando opções de escolha ou **decidindo por outra pessoa "para o seu bem".**

Algumas pesquisas examinaram até a sua associação com a depressão em pessoas idosas.

Podemos, assim, querer proteger alguém com todo o nosso coração, enquanto, sem perceber, **reduzimos seu senso de autonomia**.

A importância da capacidade de escolher na velhice

Na década de 1970, as psicólogas Ellen Langer e Judith Rodin realizaram um experimento célebre com residentes de uma casa de repouso.

Alguns residentes foram incentivados a tomar decisões sobre o seu dia a dia, como a organização do seu quarto, as atividades ou o cuidado de uma planta. Outros estavam num ambiente onde o pessoal tomava mais decisões por eles.

As pessoas que tinham mais controle mostraram resultados melhores em vários indicadores de bem-estar e atividade. Um acompanhamento também observou uma diferença na mortalidade entre os grupos. Este experimento histórico deve ser interpretado com cautela, mas ajudou a abrir um vasto campo de pesquisa sobre o sentimento de controle em pessoas idosas.

Pesquisas mais recentes continuam a investigar a relação entre autonomia, decisões pessoais e a saúde das pessoas idosas.

Essa ênfase na autonomia explica também por que manter-se independente após os 75 anos pode ser uma forma de preservar a sua identidade. Assim, quando uma pessoa se apega firmemente ao seu carro, à sua casa ou a suas rotinas, **não está apenas a defender o objeto ou o hábito em si**, mas especialmente **o seu direito de continuar a decidir**.

Como dar uma voz real às pessoas que se tornam mais exigentes entre os 60 e 70 anos?

O primeiro passo pode ser reconhecer que certas decisões foram tomadas sem a sua participação: « Falei sobre esta situação sem te consultar. Deveria ter feito isso. »

Além disso, é preferível **apresentar o problema** em vez de impor a solução de imediato. Em vez de anunciar que uma decisão já foi tomada, é possível expor os factos, explicar a sua preocupação e perguntar: « O que gostarias de fazer? »

As pequenas liberdades são igualmente importantes. A compra das compras, a hora de deitar, as rotinas ou o caminho para o mercado não precisam sempre de ser otimizados por aqueles que os rodeiam.

Para decisões mais delicadas, oferecer duas ou três opções realistas também ajuda a **preservar uma margem de escolha**.

Por fim, o tom é crucial. Uma pessoa idosa continua a ser um adulto. Dirigir-se a ela com o mesmo respeito que teríamos ao conversar com um colega ou um amigo com quem não estamos de acordo pode mudar profundamente a dinâmica da relação.

Portanto, aqueles que parecem tornar-se mais exigentes entre os 60 e 70 anos não estão muitas vezes apenas a complicar a vida dos outros, mas a reagir à percepção de que a sua vida começa a ser organizada sem a sua participação.

Este artigo é apresentado para fins informativos e reflexivos. Não constitui, de forma alguma, um parecer médico, psicológico ou profissional. As noções aqui apresentadas são fundamentadas em pesquisas publicadas e observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, consulte um profissional qualificado.

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