Para sempre, João Pedro, para sempre

Para sempre, João Pedro, para sempre

  • 25 de junho de 2022, Évora
  • Corrida de São Pedro
  • Cavaleiros: Marcos Bastinhas, Miguel Moura e Guillermo Hermoso de Mendonza
  • Forcados: Évora
  • Ganadaria: Romão Tenório
  • Direção de Maria Florindo assessorada por Carlos Santana
  • Praça cheia!

 

Grande ambiente. Desejo de ver toiros, toureiros e forcados em Évora, praça cheia. O minuto de silencio imponente em memoria de João Pedro e Evaristo Cutileiro e a ovação não menos impressionante foi um preambulo avassalador, numa tarde de expectativas.

Saí da praça de Évora com o resultado de uma tarde emocionante de toiros. Vim alegre, animado e confortado mas ao mesmo tempo comovido pela verdade de um facto que confirma a plena validade do factor que constitui a essência, o fundamento de uma corrida: a emoção.

A emoção é a perceção de um sentimento que altera o humor dos humanos e que perturba momentaneamente os sentidos, uma chicotada intensa que nos impressiona e nos choca, por dentro e por fora. Foi com emoção que se viveu esta corrida de São Pedro em Évora, foi com emoção que a Cidade Museu rendeu homenagem póstuma a João Pedro Oliveira, cabo do Grupo de Forcados Amadores de Évora. Pois bem, por vários motivos, com esse sentimento no corpo e na alma, saímos de Évora no sábado, 25 de Junho deste ano da graça de Deus que traz o emblemático 22 no seu eixo do tempo.

É de rigor considerar que os pesadelos são histórias oníricas que provocam em quem dorme um estado de inquietação, mal-estar ou pânico intermitentemente reprimido. O bom dos pesadelos é que quando se volta à realidade cotidiana e se abrem os olhos, vê-se que tudo o que acabamos de vivenciar foi uma coisa virtual, pura falacia, pura comédia, ou melhor ainda, puro melodrama encenado na fase da imaginação. Mas não foi um pesadelo o que vivemos na manhã de 18 de Outubro de 2021…. Infelizmente o João Pedro tinha partido assim de repente nessa madrugada. Logo a empresa de Évora anunciou que o São Pedro de 2022 seria o dia de render homenagem a este grande Senhor que levou a bandeira/jaqueta desta terra aos quatro cantos do mundo. Sábado dissemos em conjunto cada um à sua maneira, pegando um toiro, fazendo as cortesias, cravando um ferro, recebendo um toiro de capote, tocando um pasodoble, ou tao somente assistindo à corrida. Para sempre, João Pedro, para sempre. Onde quer que esteja!

 

Uma imensidão de forcados do grupo de Évora fizeram as cortesias, em praça, dois cavaleiros, Marcos Bastinhas, Miguel Moura e o rejoneador Guillermo Hermoso de Mendonza, para lidar um curro de Romão Tenório.

A tarde ficara para sempre marcada pela corrida do “grande chefe” assim o tratavam carinhosamente os forcados que com ele acompanharam tantos e tantos anos.

Abriu praça o seu filho João Pedro Oliveira, brindou a sua mãe, irmãs, mulher e aos céus… Grande pega à primeira tentativa, bem o grupo a ajudar, com uma ajuda maior a de Guilherme Oliveira.

Para a cara do segundo saltou uma figura maior da forcadagem dos anos 90 Miguel Sotero e como quem sabe nunca esquece fez uma grande pega à primeira tentativa.

O Antigo cabo António Alfacinha bateu as palmas ao terceiro, pega à primeira tentativa, com o grupo a ajudar de forma coesa.

Francisco Garcia pega à terceira, o toiro mete a cara de forma dura e derrota o forcado, Francisco com um querer imenso nunca se deu por vencido e resolveu o problema.

Gonçalo Pires é o forcado escolhido para pegar o quinto, toiro que mostrou algumas complicações durante a lide e que não se antevia fácil para a pega mas o Gonçalo à primeira tentativa pegou o de Romão.

José Maria Caeiro fechou praça numa boa pega à primeira tentativa com o grupo ajudar bem.

Grande tarde de pegas do Grupo de Évora foi a homenagem Maior a João Pedro Oliveira, que la dos céus aplaudiu certamente de pé o seu grupo.

 

Nas lides a cavalo abriu a função Marcos Bastinhas, recebeu bem o toiro mas o primeiro comprido só foi cravado apos duas passagens em falso. Nos curtos, alguns toques na montada fizeram com que a lide não atingisse o triunfo desejado, quando o cavaleiro de preparava por dar por terminada a função a diretora concedeu música… critérios… mais um par de ferros, lide intermitente do cavaleiro de Elvas.

No quarto a lide foi superior, nos compridos mostrou que vinha a por todas. Nos curtos bem a bregar, e cravar em sortes cambiadas, rematadas com ladeios junto às tabuas. Rematou com um palmo de boa nota e um par de bandarilhas que só ficou à segunda passagem. O publico reconheceu a vontade de Marcos, a diretora concedeu volta mas este reconheceu que não atingiu êxito, agradecendo a ovação dos presentes.

 

Miguel Moura, no segundo da tarde alcançou o triunfo, nos compridos andou exuberante, mesmo falhando a sorte gaiola com que se predispôs a receber o toiro. Mas a emenda foi superior e cravou um grande ferro. Nos curtos, as sortes frontais com que citou o toiro foram do agrado dos presentes que lhe reconheceram o mérito, aplaudindo com força o que era feito por Miguel, rematou a sua atuação com um bonito ferro de palmo.

No quinto Miguel teve que dançar com a mais feia, melhor dizendo com um manso… Toiro com dificuldades acrescidas porque queria estar em todos os sítios menos na arena de Évora. Abriu a lide com uma grande sorte gaiola mas dai em diante teve que desenganar o toiro, cravando a ferragem a sesgo junto às tabuas. Lide de esforço mas sem o triunfo desejado.

 

Guilhermo Hermoso de Mendoza volta à praça onde fez o seu debute em Portugal como rejoneador. Passagem triunfal deste jinete de Navarra. Dois compridos como mandam as regras dizendo ao que vinha. Nos curtos, ferros com batida ao piton contrário cravando em su sítio rematando a duas pista e com a populares hermozinas que levantaram o publico das bancadas. Triunfo de Guilhermo.

No sexto recebeu num palmo de terreno e as primeiras ovações da lide foram escutadas. Dois grandes compridos foram o preludio de grande lide. Nos curtos de frente cravou ferros de excelente nota, antecedidos de boa brega, rematando os mesmo de forma toureira.

 

Foram lidados seis toiros de Francisco Romão Tenório, sendo o quinto manso e o mais terciado do curro. Os restantes tiveram mobilidade, ritmo e exigiram as coisas bem feitas. Bom curro de toiros do ganadero de Arronches.

No intervalo a banda de Mourão executou brilhantemente o pasodoble Forcados Amadores de Évora oferecido pelo Maestro Luís Massano e no início da corrida foi descerrada uma lapide em memoria de João Pedro Oliveira.

Dirigiu a corrida Maria Florindo, sendo o veterinário Carlos Santana.

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