O hábito telefônico que os especialistas consideram mais prejudicial do que as telas

As notificações nos telemóveis tornaram-se uma parte intrínseca do nosso quotidiano. Cada sinal sonoro ou vibratório parece chamar a nossa atenção de imediato. Para muitos, é quase impossível passar um dia sem ser interrompido por uma mensagem ou alerta. Muitos consideram esta situação como uma mera irritação, mas a realidade esconde desafios maiores. O nosso cérebro, constantemente bombardeado, tem dificuldade em manter a concentração em tarefas relevantes. No entanto, continuamos a ignorar as consequências, mantendo essas notificações ativas, quase que inconscientemente.

A presença incessante de notificações é, sem dúvida, um dos fatores mais frustrantes das redes sociais e, segundo um recente estudo, é ainda mais problemática do que imaginamos. Ativar notificações é mais prejudicial para o cérebro do que o tempo de ecrã em si. A investigação franco-suíça confirma aquilo que muitos que desativaram estas interrupções já suspeitavam: essas notificações incessantes não apenas nos distraem, mas são, de fato, prejudiciais à saúde mental.

Os cientistas descobriram que essas interrupções não são apenas irritantes, mas que **aumentam o stress** e **reduzem a nossa capacidade de concentração**. Além disso, podem comprometer a memória a curto prazo e as nossas habilidades de tomada de decisão. O efeito cumulativo é tão significativo que o cérebro pode começar a associar cada alerta a uma urgência, mesmo nos momentos em que isso não se justifica.

Desativar as notificações oferece ao nosso cérebro o descanso que necessita, permitindo-lhe recuperar e processar melhor a informação. Esta pesquisa enfatiza a importância de retomar o controle sobre nossos dispositivos, privilegiando a nossa saúde mental. **Menos estímulos digitais** podem, na verdade, significar mais bem-estar.

Notificações: mais nocivas do que o tempo de ecrã

Imagens Pexels e Freepik

Conforme revelado na nova investigação, a ativação das notificações tem um impacto mais negativo no cérebro do que o tempo que passamos em frente ao ecrã. Surpreendentemente, essa análise apontou que **a frequência das interrupções** é um fator mais determinante em nossa capacidade de concentração do que o tempo em si que dedicamos ao dispositivo.

Em outras palavras, não é apenas a duração da utilização do telefone que define a dispersão da nossa atenção, mas a **frequência das interrupções**. Anteriores estudos tinham falhado neste aspeto crucial ao utilizarem notificações simuladas, que não refletiam a experiência real dos utilizadores.

Um estudo sobre notificações reais

Este novo estudo concentrou-se em notificações reais, com uma amostra de 180 estudantes universitários, cuja idade média é de 21 anos. Este grupo é particularmente suscetível aos impactos da utilização dos smartphones, sendo que muitos relataram receber cerca de 100 notificações por dia.

Esse fluxo constante de alertas retardou as funções cognitivas de pelo menos sete segundos.

Para medir as distrações, os participantes foram divididos em três grupos e desafiados a resolver enigmas psicológicos enquanto eram bombardeados com três tipos de alertas: notificações pessoais, notificações de terceiros e alertas indefinidos e ilegíveis.

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Os testes cognitivos

As tarefas incluíam desafios de Stroop, onde os participantes precisavam identificar a cor de palavras escritas em cores diferentes. Durante a realização destas tarefas, eles foram expostos às notificações previamente mencionadas.

Os investigadores constataram que as notificações retardavam o processamento cognitivo em média por sete segundos, com um impacto maior para aqueles que acreditavam estar a receber as suas próprias notificações.

O impacto psicológico das notificações

Mais relevante ainda, notificações que transmitiam mais emoção resultaram em consequências mais acentuadas, incluindo atrasos ou reações fisiológicas como a dilatação das pupilas. Os pesquisadores afirmam que isto expõe a relevância do impacto emocional das notificações em relação à sua carga cognitiva. Embora os atrasos possam parecer curtos, a **frequência das interrupções** leva a deficits de atenção significativos.

Sete segundos podem parecer ínfimos, mas quando essas interrupções ocorrem dezenas ou centenas de vezes ao longo do dia, o impacto é muito maior do que o simples tempo dedicado ao ecrã.

Notificações como um fator determinante

Na verdade, os pesquisadores não conseguiram estabelecer um vínculo forte entre o tempo de tela e os efeitos nas funções cognitivas.

As notificações, e a frequência com que os participantes consultavam os seus celulares, revelaram-se ser o verdadeiro fator determinante. Mais importante ainda, essas interrupções condicionam os indivíduos a verificarem constantemente os seus dispositivos em busca de novas distrações.

Para quem desativou essas interrupções há anos, esta situação é bastante reveladora, especialmente com a insistência das aplicações em sugerir que “ativemos as notificações.” Elas precisam maximizar a nossa distração para coletar o máximo de dados para fins de marketing.

Aplicações projetadas para criar dependência

Isso também revela uma das realidades mais alarmantes abordadas por antigos líderes do setor tecnológico sobre o funcionamento das aplicações de redes sociais: estas estão **concebidas para criar dependência** semblante às máquinas de jogo.

Portanto, o conselho é claro: desative as suas notificações. Ninguém merece tal acesso ao seu cérebro.



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