O Dia em que Coruche Presta Homenagem ao Campino

Crónica

Qual não é a terra ribatejana que anseia um ano inteiro, pelas suas festas tradicionais e em especial pelo dia 17 de agosto, seu feriado municipal, dia dedicado ao Campino, essa figura ímpar, que dia a dia labuta, na lezíria ou na charneca e neste dia dedicado em sua honra, veste a sua farda de gala, colete vermelho meia branca e barrete verde, aparelha o sua melhor montada e vem desfilar, pelas ruas da capital Sorraiana, perante uma multidão de gente que o admira e venera como um dos últimos guardiões da lezíria, tomando conta dessas tais feras bravias, que com os seus olhos leais, parecem dar os bons dias, assim reza um dos muitos fados compostos em sua homenagem.

17.08.2019

Praça de Toiros  de Coruche

Corrida de Toiros

Cavaleiros:

  • António Palha Ribeiro Telles
  • Francisco Palha
  • Luís Rouxinol Jr

Grupos de Forcados Amadores de Coruche, capitaneados, por José Macedo Tomás

Seis Toiros da Ganadaria :

  • Vale Sorraia

E que melhor homenagem se podia prestar ao Campino, que foi encher a Monumental Praça das margens do Sorraia, com uma moldura humana, em tarde de calor, pena foi que as expectativas se ficaram pela mediania, um tanto por culpa da falta de transmissão, dos pupilos da casa Ribeiro Telles, bem apresentados é certo, com pesos que oscilaram entre os 520 e os 580 quilos, mas com pouca “xispa” e alguns escassos de forças.

No início da corrida, foi também prestada homenagem póstuma a dois forcados dos amadores de Coruche, recentemente falecidos, Luís Frazão Pereira e Joaquim Gonçalves, com quem tive o prazer de ombrear, muitas tardes e noites e que hoje tiveram o seu lugar nas cortesias e a certeza que o seu Grupo nunca os esquecerá.

António Ribeiro Telles, um “Mestre”, carregado de saber e com um coração tamanho do mundo, despachou, os seus dois adversários, com duas lides muito redondas, sendo a segunda de maior compromisso, pois o público assim o exigia, andou por todos os terrenos, cravou ferros de belo efeito em reuniões cingidas, bem ao gosto do público que nunca lhe regateou aplausos, escutou os acordes da banda de serviço, embora no seu primeiro, um pouco tardio, vá-se lá saber os critérios do senhor diretor de corrida.

Francisco Palha, tarda em romper, com um triunfo daqueles que se ouvem em todo o lado, cuidadoso na preparação das sortes, criterioso na escolha dos terrenos, mas por vezes as coisas não acontecem, como se deseja e a apatia de quem está nas bancadas, não será certamente o que se deseja. Duas atuações de compromisso, premiadas com música e volta à arena no final foram prémios mais do que merecidos, mas soube a pouco, há que aguardar e nunca desistir.

Encerrava a terna, o jovem Luís Rouxinol Jr. um valor já reconhecido pelo publico, também ele, se esforçou para conseguir alcançar o êxito, já que a competição estava ao rubro e os seus alternantes tinham estado num plano superior, por isso havia que pôr a carne toda no assador, ou seja jogar todos os trunfos, contudo, as coisas, nem sempre chegaram às bancadas, com a força desejada, mesmo assim, conseguiu duas brilhantes atuações, sendo que a segunda esfriou bastante, pois o murlaco tardou uma imensidão de tempo em recolher a currais, quase que fazendo esquecer o que momentos antes se tinha desenrolado na arena.

O Grupo de Forcados Amadores de Coruche, em tarde festiva e de sentidas homenagens, teve uma tarde acertada, porém, há sempre forma de superar e nisto da forcadagem, não há duas pegas iguais, nem dois toiros que invista da maneira igual. O cabo José Tomás, deu o mote e abriu praça com uma rija pega ao segundo intento, fruto de uma reunião dura e alta. Para o segundo da ordem, foi escolhido Tiago Gonçalves, que apenas fez uma tentativa, saindo lesionando e sendo substituído por João Laraginho, que apenas precisou de mais uma tentativa para resolver o assunto. Fábio Casinhas, à primeira tentativa pegou o terceiro da ordem. O quarto foi pegado por Roberto Graça, à segunda tentativa. Para pegar o quinto foi escolhido João Ferreira Prates, que à primeira tentativa, resolveu a papeleta, levando consigo na volta o primeira ajuda, Marco Mendes (Marinhais), que aproveitou a efeméride, para dizer adeus às arenas. Encerrou a participação dos Amadores de Coruche, António Tomás, ao segundo intento, bem ajudado por Fernando Ferreira.

Nota especial para os campinos João Inácio “Janica” e para o Café da casa Telles, que recolheram todos os toiros a cavalo, coisa que vai rareando, nas nossas praças, com uma maestria impressionante, ou não fosse o dia dedicado ao Campino.

A direção da corrida esteve a cargo do delegado Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário Hugo Rosa e do cornetim José Henriques, abrilhantou o espetáculo a Banda da Sociedade de Instrução Coruchense, a comemorar os 123 anos da sua fundação.

Coruche, 17 de Agosto de 2019

João Galamba

 

 

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