Esses hábitos que parecem contraproducentes na verdade fazem você ganhar o respeito dos outros: pedir conselhos, ajudar os outros e contribuir mais

Ganar o respeito dos outros não se resume a demonstrar uma confiança absoluta ou a impor-se. Na verdade, pode muitas vezes passar por atitudes que, à primeira vista, poderiam ser tomadas como sinais de fraqueza. Pedir conselho, reconhecer que não temos todas as respostas ou oferecer a nossa ajuda sem procurar reconhecimento pode parecer arriscado para a nossa imagem. No entanto, várias investigações sugerem que estes comportamentos podem ter o efeito inverso. Longe de diminuir a consideração que os outros nos atribuem, eles podem, na verdade, reforçar a nossa competência, fiabilidade e valor dentro de um grupo.
Os conselhos comuns sobre o respeito frequentemente enfatizam a segurança e a habilidade de impor-se. É essencial ocupar o seu espaço, esconder as dúvidas e evitar mostrar que se precisa dos outros. Contudo, os mecanismos que realmente permitem ganhar consideração são muitas vezes mais subtis.
Algumas das práticas mais eficazes podem até parecer contraproducentes à primeira vista. Pedir a opinião de outrem pode dar a impressão de falta de especialização, dizer que estamos inseguros pode fragilizar a nossa autoridade e ajudar sem procurar o devido crédito pode parecer inútil.
Porém, estas atitudes podem **melhorar a confiança**, a reconhecimento, e o respeito. É precisamente esse paradoxo que as torna interessantes. O que pensamos que devemos evitar para proteger a nossa reputação pode, paradoxalmente, ser o que a fortalece.

Pedir conselho pode ajudá-lo a ganhar respeito

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Ficamos muitas vezes hesitantes em pedir conselho quando a situação é crítica. Esta relutância surge principalmente do medo de parecer que carecemos de conhecimentos ou que não conseguimos lidar sozinhos.
Contudo, solicitar a opinião de uma pessoa qualificada não compromete a nossa credibilidade. Em determinadas circunstâncias, este gesto pode até ajudar a ganhar o respeito dos outros.
Alison Wood Brooks, Francesca Gino e Maurice Schweitzer exploraram precisamente este tema numa investigação publicada em 2015 na *Management Science*, intitulada “Smart People Ask for Advice”, onde realizaram várias experiências sobre o efeito de pedir conselhos. Os resultados demonstram que os participantes que pedem conselhos podem ser **percebidos como mais competentes**, em vez de menos.
Este resultado pode surpreender, mas pedir a opinião de alguém transmite várias mensagens. Ao solicitar a ajuda de outrem, você reconhece o valor da sua experiência e julgamento.
Ao mesmo tempo, demonstra que consegue identificar as suas limitações e que procura a informação certa antes de tomar uma decisão.

É necessário, contudo, evitar tratá-lo como uma regra absoluta.

As investigações dos autores mostram que o contexto é relevante. O efeito positivo é mais marcante quando a questão diz respeito a uma tarefa suficientemente difícil e quando o conselho é solicitado a uma pessoa com boa experiência. Pedir constantemente ajuda para questões simples pode gerar uma impressão muito diferente.
Assim, o objetivo não é multiplicar pedidos de conselhos para parecer mais competente. Trata-se de entender que uma solicitação pertinente, feita à pessoa certa e no momento certo, não é um sinal de fraqueza. Pode, na verdade, ser um indicador de inteligência social e, paradoxalmente, uma maneira clara de conquistar o respeito dos outros.

Contribuir para o bem comum também pode aumentar a sua consideração

Outra ideia comum é que, para obter mais reconhecimento, é necessário priorizar os nossos próprios interesses. Em ambientes competitivos, podemos sentir a tentação de destacar as nossas conquistas, proteger os nossos recursos ou buscar o máximo de mérito possível. No entanto, as dinâmicas de grupo funcionam de maneira diferente.
Robb Willer estudou este fenómeno numa investigação publicada em 2009 na *American Sociological Review*, intitulada “Groups Reward Individual Sacrifice: The Status Solution to the Collective Action Problem”. Os resultados indicam que as pessoas que fazem uma **contribuição significativa a um esforço coletivo** podem obter mais status e influência em um grupo.
Os participantes que se mostraram generosos para com o coletivo tiveram uma **consideração superior**. Eles puderam exercer mais influência, sendo mais procurados pelos outros e, em algumas experiências, receberam recompensas mais significativas em troca.
Uma explicação para isso é o sinal que esse comportamento envia. Quando alguém dedica tempo, energia ou recursos em prol do grupo, os outros podem ver isso como a prova de que realmente se preocupa com a coletividade. O reconhecimento passa a ser uma forma de valorizar essa contribuição.

Contudo, ajudar o coletivo não implica necessariamente se anular ou aceitar que a sua generosidade seja explorada.

É importante distinguir entre ajudar os outros voluntariamente e colocar constantemente as suas necessidades em segundo plano. Uma generosidade ilimitada pode criar relações desequilibradas, um tema que já abordámos anteriormente sobre comportamentos que podem parecer bondosos, mas que podem resultar na perda de respeito.
Para ganhar o respeito dos outros, **a contribuição parece ser mais eficaz** quando é voluntária, útil e visível em seus efeitos, sem se tornar uma forma de anulação pessoal.
O respeito não retorna necessariamente àquele que mais abertamente busca parecer importante. Ele pode ser construído em torno da pessoa cujas ações trazem benefícios concretos aos outros.
É, no final, todo um paradoxo. Renunciar temporariamente a perseguir o seu interesse imediato pode resultar em mais reconhecimento social a longo prazo. Em vez de reivindicar um lugar importante no grupo, você demonstra através das suas ações **porque esse lugar deve ser concedido a você**.

Por que os comportamentos contra-intuitivos podem ajudar a ganhar o respeito dos outros

Para compreender melhor por que algumas atitudes aparentemente desvantajosas podem permitir ganhar respeito, é essencial considerar as diferentes formas de adquirir influência em um grupo.
Os investigadores em ciências sociais distinguem duas grandes vias: **a dominação e o prestígio**.
– A primeira consiste em impor a sua influência por força, pressão, intimidação ou medo das consequências.
– A segunda baseia-se nas qualidades que os outros reconhecem voluntariamente em uma pessoa, como suas competências, generosidade, experiência, fiabilidade ou capacidade de contribuir para o bem coletivo.
Em ambos os casos, uma pessoa pode ocupar uma posição relevante. Contudo, a natureza da influência não é a mesma. A dominação pode gerar obediência sem necessariamente despertar uma verdadeira estima. Enquanto a pessoa mantiver um meio de pressão, os outros poderão conformar-se às suas expectativas. Quando essa pressão se dissipar, a influência tende a diminuir.
O prestígio funciona de maneira diferente. Este é concedido voluntariamente, porque os outros valorizam uma **pessoa que possui qualidades das quais podem aprender** ou de que o grupo pode beneficiar. Esta forma de influência aproxima-se mais do que entendemos por ganhar o respeito dos outros.

Valorizar os outros ao invés de buscar se colocar acima deles

Os dois comportamentos discutidos anteriormente, pedir conselho e contribuir generosamente a um grupo, têm um ponto em comum: **valorizam as pessoas ao nosso redor**.
Quando você pede sinceramente um conselho a alguém, implicitamente reconhece que a sua experiência ou conhecimento merecem ser considerados. Ao participar ativamente do bem-estar de um grupo, você demonstra que os interesses coletivos são importantes para você.
Em ambas as situações, não é necessário rebaixar alguém para melhorar a própria posição. O seu comportamento pode, pelo contrário, reforçar o lugar dos outros enquanto melhora a percepção que têm sobre você.
Essa lógica ajuda a entender por que algumas estratégias destinadas a impressionar podem produzir o efeito oposto. Buscar constantemente impor-se, mostrar que se sabe tudo ou lembrar-se de sua importância pode criar uma impressão de superioridade, mas não necessariamente de respeito.
Para ganhar o respeito dos outros de forma duradoura, pode ser mais eficaz fazer com que os que nos rodeiam se sintam ouvidos, úteis e valorizados. Esta abordagem também enfatiza a importância de **tratar os outros com respeito**, mesmo quando não nos retribuem de imediato.

Essas pesquisas têm limites

Estes resultados não devem ser convertidos em receitas aplicáveis de forma mecânica a todas as situações. As experiências relacionadas ao pedido de conselhos revelam um fenómeno interessante, mas não implicam que seja suficiente perguntar a todos para ganhar o respeito dos outros.
Um pedido artificial ou manifestamente interessado pode ser rapidamente percebe como tal. **A curiosidade deve ser sincera**, a pergunta pertinente e a pessoa consultada deve ter a experiência adequada sobre o tópico em questão. Pedir conselho apenas para agradar o interlocutor pode levar a um resultado muito diferente.
As investigações de Robb Willer sobre a contribuição ao grupo também devem ser interpretadas com cautela. Ser generoso e participar do bem-estar coletivo pode promover o prestígio, mas isso não significa que se deva sempre sacrificar os próprios interesses.
Uma pessoa que dá constantemente sem impor limites pode acabar sendo considerada como adquirida ou tornar-se alvo de pessoas que se aproveitam da sua disponibilidade. Sabe-se que **estabelecer limites nos relacionamentos é muito importante; contribuir para as necessidades do grupo não implica desistir das suas próprias**.
Além disso, é importante lembrar que muitas dessas investigações foram realizadas em ambientes ocidentais, especialmente em experiências controladas ou profissionais. Elas oferecem tendências gerais, mas não preveem com certeza a reação de cada indivíduo em todas as culturas e situações.

O verdadeiro respeito & ganhar o respeito dos outros se constrói ao longo do tempo

Essas pesquisas não oferecem uma técnica que permita ganhar respeito instantaneamente. Elas sugerem que a nossa **intuição sobre o status social** pode por vezes induzir-nos em erro.
Podemos pensar que é necessário esconder as nossas incertezas para parecer competentes, quando, na verdade, um **pedido de conselho pertinente** pode demonstrar discernimento.
É possível também acreditar que devemos prioritizar os nossos interesses para preservar o statuto, quando uma contribuição verdadeira ao coletivo pode aumentar o reconhecimento que os outros nos atribuem.
Esses comportamentos funcionam sobretudo quando são gestos de sinceridade. A humildade utilizada como estratégia rapidamente se torna artificial, assim como uma generosidade que visa apenas obter algo em troca.
Ganar o respeito dos outros depende, em última análise, menos da capacidade de ocupar todo o espaço e mais da qualidade do espaço que deixamos aos que nos rodeiam.
Pedir ajuda quando necessário, reconhecer as competências dos outros e contribuir de forma útil para o coletivo podem parecer gestos modestos neste momento. No entanto, são precisamente estes comportamentos que podem gradualmente **construir uma reputação de pessoa competente**, fiável e digna de confiança.
O paradoxo é, portanto, bem simples. Aqueles que buscam constantemente demonstrar superioridade não são, necessariamente, os que inspiram mais respeito. A longo prazo, a consideração tende a ser mais abundante para aqueles que sabem **reconhecer o valor dos outros sem diminuir o seu próprio**.

Este artigo é fornecido a título informativo e reflexivo. Não constitui, de forma alguma, um conselho médico, psicológico ou profissional. As noções aqui abordadas baseiam-se em pesquisas publicadas e observações editoriais e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, consulte um profissional qualificado.

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