De acordo com a psicologia, esses 9 tópicos de conversa estão frequentemente associados a baixas habilidades sociais

Alguns tópicos de conversa estão frequentemente associados a níveis reduzidos de competências sociais. As interações comunicativas têm um poder surpreendente: podem criar laços profundos em poucos minutos ou, pelo contrário, estabelecer distâncias quase instantaneamente. No entanto, **não se trata apenas das palavras que escolhemos**, mas também dos temas que decidimos explorar e da forma como os apresentamos. Algumas atitudes podem passar despercebidas para quem as adota, mas deixam uma impressão duradoura em quem ouve. Quando uma pessoa traz constantemente a conversa para a sua vida, sucessos, dificuldades ou frustrações, ela revela, muitas vezes, mais do que uma falta de tato. Mesmo que as palavras não sejam ofensivas, a troca pode rapidamente perder o interesse.

Seria, no entanto, uma exageração afirmar que tais comportamentos são a única prova de que alguém apresenta baixas competências sociais. Os estudos em psicologia não se baseiam numa lista universal de tópicos que permitiriam avaliar a qualidade das interações de uma pessoa. O conteúdo de uma conversa é apenas um dos elementos e nunca é suficiente para traçar um perfil fiável de quem fala.

O que realmente distingue as pessoas socialmente mais à vontade é a sua capacidade de se adaptar ao interlocutor.

Elas sabem quando abordar um tópico, avaliar o nível de confiança estabelecido, dar espaço aos outros e garantir que a conversa se mantenha equilibrada. Compreendem também que cada intercâmbio depende da reciprocidade, e não da necessidade de serem sempre ouvidas ou aprovadas.

Os temas que se seguem não são um diagnóstico, mas exemplos de comportamentos que podem fragilizar uma conversa quando se tornam recorrentes e não consideram o contexto. Sozinhos, não dizem quase nada sobre uma pessoa. No entanto, quando se tornam hábitos, podem complicar as relações, diminuir a qualidade das trocas e passar a impressão de falta de escuta ou empatia.

Alguns tópicos não são problemáticos… é a forma de os abordar que faz toda a diferença

Não existe uma lista oficial de temas que automaticamente tornariam alguém uma pessoa com fracas competências sociais. As investigações em psicologia não categorizam os indivíduos com base nos tópicos que abordam, mas sim na sua maneira de interagir com os outros.

Estudos mostraram, por exemplo, que as conversas mais agradáveis frequentemente se baseiam em comportamentos específicos, como fazer perguntas pertinentes, ouvir as respostas, partilhar informações pessoais no momento certo, contar uma história adaptada ao contexto, expressar desacordo com respeito ou saber oferecer ajuda quando a situação assim o exige.

O contexto também desempenha um papel vital. Uma confiança pode reforçar uma relação de confiança ou, pelo contrário, deixar o outro desconfortável se ocorrer demasiado cedo. Uma piada pode ser vista como um sinal de carinho entre pessoas próximas, mas como uma humilhação em outro contexto. De forma semelhante, falar sobre política, dar conselhos ou abordar um assunto sensível pode criar um intercâmbio enriquecedor… ou provocar um profundo desconforto.

Os temas abaixo não são, portanto, proibidos. Tornam-se problemáticos quando são abordados sem considerar a pessoa em frente, o momento adequado ou o equilíbrio da conversa.

1. Fazer da vida dos outros um tópico de conversa

Imagens Pexels e Freepik

Os rumores podem rapidamente se voltar contra quem os conta

Falar de uma pessoa ausente nem sempre é negativo. Os investigadores reconhecem que os **boatos** podem ter uma função social, ajudando a partilhar informações úteis e a lembrar certas normas de comportamento.

No entanto, quando essas discussões se baseiam em confidências, rumores ou detalhes que humilham, **muda a perceção de quem ouve**.

Investigações publicadas em 2011 por Sally Farley no European Journal of Social Psychology demonstram que as pessoas que espalham rumores negativos tendem a ser vistas como menos simpáticas e menos dignas de confiança. O ouvinte não apenas avalia a pessoa de quem se fala; também avalia quem dissemina essas informações.

O verdadeiro problema, portanto, não reside em mencionar um colega, vizinho ou amigo ausente. Mas sim em usar informações privadas ou mal verificadas como um mero assunto de entretenimento.

2. Transformar sucessos em falsas queixas

Uma maneira subtil de buscar admiração

Algumas frases soam como queixas, mas servem, na verdade, para destacar sucessos pessoais.

Ponderações como: “Estou cansado de ser solicitado para intervir em todas essas conferências” ou “É penoso receber tantas propostas” permitem introduzir os sucessos na conversa de maneira disfarçada.

Pesquisadores como Ovul Sezer, Francesca Gino e Michael Norton estudaram este fenómeno em diversas experiências publicadas em 2018 no Journal of Personality and Social Psychology. Os resultados mostram que essa estratégia frequentemente tem um efeito oposto ao desejado: transmite uma impressão de falta de sinceridade e suscita menos simpatia do que um sucesso exposto com simplicidade.

Discutir conquistas não é problemático em si; no entanto, mascará-las sob a forma de queixa pode criar a sensação de que se busca, discretamente, elogios.

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3. Falar apenas sobre experiências que ninguém compartilha

Screenshot

Uma história interessante não precisa ser extraordinária

Poderíamos pensar que uma viagem excepcional, uma profissão rara ou uma experiência incomum fascinarão automaticamente uma audiência. Contudo, pesquisas sugerem o oposto.

Em diversas experiências publicadas no Psychological Science, os pesquisadores Gus Cooney, Daniel Gilbert e Timothy Wilson observaram que os ouvintes apreciam mais as histórias com as quais conseguem se identificar facilmente. As pessoas que contavam suas experiências acreditavam que os relatos mais originais seriam os mais apreciados.

A razão é simples: quando um interlocutor tem já algumas referências, ele compreende mais facilmente o relato, imagina as situações e participa de forma mais ativa na conversa.

Isso não significa que se deve evitar falar sobre viagens, trabalhos ou experiências incomuns. Um bom contador de histórias cria pontos de conexão com seu público. Por outro lado, quem presume que o caráter extraordinário de sua vivência é suficiente para interessar a todos corre o risco de perder rapidamente a atenção de seus interlocutores.

Alguns tópicos tornam-se desconfortáveis quando não respeitam o ritmo da conversa

Uma boa conversa não depende apenas dos tópicos abordados. Ela se baseia também no timing, na escuta e na reciprocidade. Até mesmo uma troca sincera pode incomodar o outro se ocorre de forma demasiado rápida ou não leva em consideração o que a outra pessoa está disposta a compartilhar. Estudos em psicologia mostram que o problema não reside tanto no conteúdo em si, mas na forma como ele é introduzido.

4. Confiar-se demasiado cedo

A intimidade se constrói progressivamente

Diz-se frequentemente que nunca se deve discutir assuntos muito pessoais com alguém que mal se conhece. Na verdade, as pesquisas apresentam uma narrativa mais nuançada.

Em uma meta-análise publicada em 1994, os psicólogos Nancy Collins e Lynn Miller examinaram as relações entre confidências pessoais e laços sociais. Os seus trabalhos mostram que confiar-se geralmente está associado a uma proximidade maior. Tendemos a revelar mais coisas àqueles de quem gostamos, mas essas confidências também podem fortalecer a afeição mútua e ser favoráveis ao desenvolvimento da relação.

Em outras palavras, falar de si mesmo não é problema em si. O que pode se tornar desconfortável é compartilhar informações muito íntimas quando a relação de confiança ainda não está adequadamente estabelecida.

Quando alguém revela imediatamente segredos, traumas ou eventos muito pessoais a uma simples conhecida, seu interlocutor pode sentir-se apanhado de surpresa. Pode dar a impressão de que recebe uma responsabilidade emocional que não estava preparado para suportar.

No entanto, o mesmo assunto pode parecer normal algumas semanas ou meses depois. No que diz respeito à conversa, o momento escolhido muitas vezes conta tanto quanto as palavras em si.






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5. Fazer perguntas que soam como um interrogatório

A curiosidade é apreciada… desde que seja recíproca

Fazer perguntas é uma das melhores maneiras de criar uma conversa agradável. Mas essas perguntas devem demonstrar interesse pelo que o outro está dizendo.

Em uma série de estudos, Karen Huang e seus colegas notaram que as pessoas que fazem mais perguntas, especialmente perguntas de seguimento, são vistas como mais simpáticas. As perguntas de seguimento demonstram que se escuta realmente o outro e que se procura aprofundar o que foi dito, ao invés de seguir uma lista de perguntas previamente elaboradas.

Por outro lado, quando as perguntas se tornam demasiado pessoais ou se sucedem sem deixar espaço para o outro, a conversa rapidamente assume a forma de um interrogatório.

Interrogar alguém sobre o seu salário, vida sentimental, planos de filhos ou história familiar pode ser sentido como uma intrusão, especialmente se a pessoa responde de forma curta, muda de assunto ou não demonstra interesse em prosseguir.

A pesquisa reitera que uma boa conversa depende menos do número de perguntas e mais da capacidade de respeitar os limites do interlocutor. A curiosidade pode melhorar a conexão, desde que nunca sugira que uma resposta é devida.

6. Dar conselhos que não foram solicitados

Compreender antes de querer resolver

Quando alguém relata uma dificuldade, muitas pessoas têm imediatamente vontade de ajudar. Essa intenção é muitas vezes válida, mas nem sempre corresponde ao que a outra pessoa realmente precisa.

Pesquisadoras como Natalya Maisel e Shelly Gable investigaram o apoio social em casais que moravam juntos em uma pesquisa baseada no acompanhamento diário de 67 casais. Os resultados mostram que o apoio é geralmente mais bem recebido quando atende às expectativas da pessoa que o recebe, em vez daquelas de quem o oferece. Os autores, no entanto, observam que esse estudo se aplica a um contexto específico e não pode ser generalizado a todas as situações.

Em uma conversa, quando uma pessoa menciona um dia difícil, um conflito no trabalho ou um problema pessoal, ela pode não estar buscando uma solução imediata. Pode simplesmente querer ser ouvida, sentir-se compreendida ou colocar em palavras o que sente.

Responder imediatamente com: “Você deveria fazer isto” ou “Aqui está o que deve ser feito” pode, então, encurtar a troca. Antes de oferecer uma solução, muitas vezes é mais útil verificar o que o outro realmente precisa, como uma escuta atenta, um ponto de vista externo ou um conselho prático.

Alguns assuntos monopolizam a conversa em detrimento de outros

Uma conversa equilibrada deixa espaço para cada um. Por outro lado, alguns tópicos acabam por impor um único ponto de vista, uma única emoção ou um único objetivo. O problema não reside no tema em si, mas na maneira como ele impede o intercâmbio de se manter recíproco.

7. Retornar incessantemente ao mesmo problema

faibles compétences sociales

Quando compartilhar se torna ruminar

É normal falar sobre dificuldades, e isso pode até fortalecer as relações. Contudo, quando um mesmo problema ressurgi sistematicamente, sem evolução ou verdadeiro intercâmbio, a conversa pode estagnar.

A psicóloga Amanda Rose introduziu o conceito de “co-ruminação” para descrever discussões onde duas pessoas analisam repetidamente as mesmas dificuldades. Em um estudo publicado em 2002 com crianças e adolescentes, ela observou que esse hábito estava associado a amizades mais fortes, mas também a uma adaptação emocional pior.

Estes resultados dizem respeito a um público jovem e não podem ser automaticamente transpostos para relações entre adultos. No entanto, mostram que uma discussão pode criar a sensação de proximidade enquanto mantém emoções negativas.

Tudo se fundamenta na reciprocidade. Mencionar um problema é uma coisa; fazer com que cada conversa se concentre sistematicamente no mesmo assunto é outra. A partir do momento em que o outro se torna essencialmente um ouvinte, e não um interlocutor, o equilíbrio da troca desaparece.

8. Usar política para julgar os outros

Debater não é o problema, fechar a discussão é

As conversas políticas não são, por si só, um sinal de baixas competências sociais. Podem ser estimulantes, enriquecedoras e proporcionar uma melhor compreensão dos pontos de vista de cada um.

Porém, a discussão torna-se muito mais delicada quando serve apenas para determinar se o outro merece ou não ser aceito.

Pesquisas conduzidas por Michael Yeomans e seus colaboradores mostram que, em conversas sobre tópicos conflitantes, algumas formulações que favorecem o reconhecimento do ponto de vista do outro melhoram a qualidade das discussões. Os participantes estavam mais dispostos a continuar o diálogo e a cooperar quando sentiam que estavam realmente sendo ouvidos.

Isso não significa que se deva concordar com tudo, nem que todas as opiniões têm o mesmo valor. No entanto, uma pessoa socialmente habilidosa, geralmente, não transforma uma conversa em um exame ideológico cuja única resposta seria considerada aceitável.

9. Fazer de alguém o alvo de uma piada

O humor depende sempre do contexto

As brincadeiras podem fortalecer uma relação quando são compartilhadas entre pessoas que se conhecem bem e compreendem os mesmos códigos. No entanto, podem também tornar-se humilhantes quando visam a vulnerabilidade de alguém ou quando há um desequilíbrio de poder.

Em uma síntese das pesquisas publicada no Psychological Bulletin, Dacher Keltner e seus colegas descrevem as brincadeiras como uma forma de provocação lúdica, cujos efeitos variam conforme o contexto. Dependendo da qualidade da relação, da cultura, da situação e dos relatos de poder, elas podem melhorar a conexão… ou provocar desconforto, ressentimento, ou até hostilidade.

O simples fato de outros rirem não significa que a piada seja sempre bem recebida. Algumas pessoas preferem sorrir para evitar conflitos ou não parecer suscetíveis, mesmo se se sentem ofendidas.

O humor funciona, especialmente, quando respeita os limites de cada um e todos se sentem livres para participar.

A competência social repousa, acima de tudo, na capacidade de adaptação

O que une as pessoas mais à vontade em sociedade não é a evitação de certos tópicos. Elas podem discutir política, contar uma história, falar sobre um período difícil, celebrar um sucesso ou fazer piadas com seus perto de maneira habilidosa. O que as distingue é a capacidade de ajustar a forma de se comunicar de acordo com quem está à sua frente.

Elas sabem diferenciar entre uma verdadeira curiosidade e um interrogatório, entre uma confidência e uma intimidade imposta, entre um conselho útil e uma solução não solicitada, ou ainda, entre uma piada cúmplice e uma observação dolorosa.

Elas também estão atentas aos sinais que o outro emite ao longo da conversa, como respostas mais curtas, menos perguntas em retorno, mudança de postura, silêncios incomuns ou tentativas de mudar de assunto.

Nenhum tema de conversa permite, por si só, avaliar as competências sociais de uma pessoa. Os hábitos de comunicação são influenciados pela personalidade, cultura, contexto e qualidade da relação. Todos podem, um dia, escolher um assunto inadequado ou interpretar uma situação de forma equivocada.

O que realmente revela a habilidade social não é, portanto, o erro em si, mas a maneira como se reage ao perceber que o intercâmbio não está fluindo. As pessoas mais habilidosas sabem ajustar o seu discurso, restituir espaço ao interlocutor e restabelecer o equilíbrio da conversa.

Este artigo é apresentado a título informativo e reflexivo. Não constitui, de forma alguma, um parecer médico, psicológico ou profissional. As noções abordadas baseiam-se em pesquisas publicadas, bem como em observações editoriais, e não decorrem de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, consulte um profissional qualificado.

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