Crónica | Passados 14 anos a Vila de Lavre voltou a viver uma tarde de toiros

Passados 14 anos a Vila de Lavre voltou a viver uma tarde de toiros

  • 31 de julho 2022, Lavre
  • Cavaleiros: Rui Salvador, Gilberto Filipe e Diogo Oliveira
  • Forcados: Évora e Coruche
  • Ganadaria: Monte Cadema
  • Direção de Maria Florindo assessorada por João Candeias
  • Praça a 3/4 de lotação

 

Após um interregno forçado pelas contingências pandémicas, retomaram as tradicionais Festas de Lavre, imortalizadas pelo seu Festival de Música, onde a componente taurina sempre teve um papel relevante, através das tradicionais largadas de reses bravas e também pela organização de vários festejos em praça portátil, que já não se realizavam há catorze anos.

A empresa Tradição Distinta, Lda montou um cartel equilibrado, com dois profissionais e um praticante, que inicialmente  era a jovem Mara Pimenta, mas que por motivos de saúde, acabou substituída pelo também jovem Diogo Oliveira, e um imponente curro de toiros com o ferro de Monte Cadema, bem apresentados, para a categoria da praça, quanto ao comportamento, cumpriram na generalidade, com destaque, pela positiva, para o lidado em quinto lugar e menos potável o primeiro.

Numa tarde de calor alentejano, que ultrapassou os 40º, o público respondeu à chamada e preencheu mais de ¾ da lotação do tauródromo, sendo que a sombra estava a rebentar pelas costuras e sol muito bem composto, fazendo relembrar tardes de outros tempos, já que há catorze anos, que não se realizavam corridas de toiros, na Vila de Lavre, concelho de Montemor-o-Novo.

 

Coube a Rui Salvador, como cavaleiro mais antigo, abrir a função e se em primeiro lugar teve pela frente um Cadema, com pouca condição, que cedo desistiu da contenda, descaindo para tábuas, dificultando o labor do cavaleiro de Tomar, que mesmo assim conseguiu deixar a ferragem da ordem, ao som de música. No que lidou em segundo lugar, um Cadema, mais colaborante, permitiu ao ginete da cidade do Nabão, explanar toda a sua tauromaquia, com destaque para a ferragem curta, onde não faltou emoção, fator que carateriza o cavaleiro dos ferros impossíveis. Escutou música em ambas as lides e deu volta no final com os forcados de turno.

 

Gilberto Filipe, apresentou-se na Vila de Lavre, após se consagrar Campeão do Mundo de Equitação de Trabalho, e teve a sorte do seu lado com dois Cademas cumpridores, com destaque para o lidado em quinto lugar, que mereceu por parte da direção da corrida, a merecida volta à arena, para os ganadeiros e o maioral da casa. Gilberto, aproveitou bem a matéria prima que lhe coube em sorte e desenvolveu duas lides muito idênticas, onde mexeu com o público e não faltaram os ferros de frente, terminando ambas as lides, com o já tradicional “palmito”, muito do agrado do conclave. Escutou música, nas duas atuações e deu volta com os forcados de turno e no quinto da tarde, também acompanhado do ganadeiro e do seu maioral.

 

O terceiro alternante da tarde, foi o cavaleiro praticante, Diogo Oliveira, que vem amadurecendo, corrida a corrida, embora ainda tenha um longo caminho a percorrer, mas revelou conhecimento e vontade de fazer as coisas bem feitas. Apresentou um reportório variado, onde não faltaram os ferros em sorte de violino, nem sempre antecedidos de primorosa preparação. Terminou a lide do sexto da ordem, com um excelente ferro curto, ao som dos acordes da banda local. No final deu volta e foi aos médios, acompanhado dos forcados de turno.

 

Na competição das jaquetas de ramagens, estiveram em praça os Grupos de Forcados Amadores de Évora e de Coruche, comandados respectivamente por João Pedro Oliveira e José Macedo Tomaz.

Pelo Grupo Alentejano, foi solista na primeira intervenção o forcado José Maria Passanha, que ao primeiro intento e á córnea, levou de vencida o Cadema. Para a segunda intervenção dos Amadores de Évora, foi escolhido José Maria Cristóvão, que teve que porfiar bastante, para à segunda tentativa levar de vencida um toiro que se rachou, da primeira para a segunda entrada. Encerrou a participação do Grupo Alentejano o forcado José Vasconcelos, que à primeira tentativa realizou uma vistosa pega de caras eficazmente ajudada.

 

Pelos Amadores de Coruche, que atravessam uma fase de renovação, aproveitou o ensejo, para dar oportunidade aos elementos mais jovens e consequentemente, menos rodados. Assim, para o primeiro toiro, foi destacado Bernardo Cortêz, que na primeira tentativa não entendeu a investida do Cadema, para corrigir e consumar a pega ao segundo intento. Para a segunda intervenção dos Amadores Sorraianos, coube a sorte ao jovem João Formigo, que nas primeiras duas tentativas, não se acertou com a investida do adversário, consumando uma pega rija ao terceiro intento. Encerrou a participação dos Coruchense, o jovem João Mira, que na sua única intervenção se “empranchou”, saindo pelos costados do toiro, ficando lesionado na arena, recolhendo posteriormente à enfermaria. Foi prontamente dobrado, pelo também jovem Afonso Freitas, que na sua primeira tentativa, segunda do Grupo consumou uma dura pega de caras.

 

Durante o intervalo a Tertúlia “Casa do Cabecinha”, distribuiu lembranças a todas os participantes no festejo, em jeito de homenagem, e de como recordar, catorze anos depois, uma corrida de toiros, em terras de Mestre Simão da Veiga.

A direção da corrida esteve a cargo da delegada Maria Florindo, assessorado pelo médico veterinário Dr João Candeias e pelo cornetim Nuno Narciso, abrilhantou o festejo a Banda Simão da Veiga da Casa do Povo de Lavre.

Artigos Similares

Destaques