Crescer nas décadas de 80 e 90 foi viver numa época de profundas transformações. As crianças desse período testemunharam o início de uma revolução tecnológica que começava a moldar o seu quotidiano, mas, felizmente, ainda não dominava por completo as suas vidas. Aprenderam a adaptar-se a essas mudanças, a resolver problemas de forma autónoma e a cultivar a sua independência. Foram crianças entre duas eras: a das tradições transmitidas por seus pais e a de um mundo moderno em constante construção. Essa dualidade deixou uma marca indelével na forma como enfrentam os desafios da vida adulta.
Os que cresceram nos anos 80 e 90 desenvolveram a sua resiliência de maneiras variadas, conforme a sua vivência. Alguns foram moldados por uma educação que valorizava a autonomia e a responsabilidade, enquanto outros desafiavam normas estabelecidas, buscando novas formas de viver e trabalhar.
Essas gerações aprenderam a avançar num ambiente em constante mudança. Demonstraram uma capacidade notável de adaptação às metamorfoses sociais, económicas e tecnológicas, ao mesmo tempo que mantinham um espírito crítico. Muitos repensaram os valores dos seus pais, dando mais valor ao bem-estar, à solidariedade e à abertura ao outro.
Embora a sua força mental não se manifeste sempre da mesma maneira, estes indivíduos partilham frequentemente uma habilidade comum: a de se adaptar, de aprender com as experiências e de continuar a avançar apesar das incertezas.
Por que as crianças das décadas de 80 e 90 são hoje adultos mentalmente resilientes
1. Aprenderam a evoluir num mundo de revolução tecnológica

Cada geração teve de se adaptar às evoluções tecnológicas, mas as crianças das décadas de 80 e 90 foram muitos vezes obrigadas a aprender a dominar essas novas ferramentas na vida adulta, o que trouxe desafios adicionais.
Tornaram-se uma verdadeira ponte entre gerações mais novas, que cresceram quase exclusivamente com esses dispositivos, e as anteriores, que passaram grande parte da sua juventude sem a sua presença. Essa posição intermédia permitiu-lhes desenvolver uma grande capacidade de adaptação e resiliência, mesmo ao lidarem com visões divergentes entre gerações, tanto no mundo profissional como na vida pessoal.
2. Tinham mais liberdade na infância
Hoje, muitos crianças têm, às vezes, menos oportunidades de desenvolver a sua autonomia, uma vez que o seu tempo livre é mais supervisado e organizado. Em vez de usufruírem de momentos de brincadeira livre, aprendendo a resolver a solidão ou a encontrar soluções de entretenimento sem a presença constante de um adulto, o seu dia-a-dia é muitas vezes mais estruturado por pais preocupados com a sua segurança.
As crianças das décadas de 80 e 90 fazem parte das últimas gerações a desfrutar de uma liberdade significativa na infância. Desenvolveram a sua autonomia e o seu espírito crítico, aprendendo a lidar com inúmeras situações, mesmo as mais simples, como resolver conflitos com outras crianças do bairro.
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3. Eram menos estimuladas constantemente

O tédio desempenha um papel essencial no desenvolvimento das crianças, influenciando aspectos importantes como a autoestima e a criatividade.
Todavia, muitas das jovens gerações actuais experimentam uma infância marcada por uma estimulação constante, potencializada por dispositivos eletrónicos, redes sociais e ecrãs. Os momentos de solidão são rapidamente preenchidos por conteúdos digitais, ao passo que as gerações anteriores tinham de aprender a entreter-se sozinhas.
As crianças das décadas de 80 e 90 desenvolveram resiliência por serem mais mestres do seu tempo. Aprenderam a estimular a sua imaginação, a sair, a explorar e a interagir com os outros sem poder contar sistematicamente com um ecrã como fonte de entretenimento. Enfrentar desafios e sair da sua zona de conforto não era muitas vezes uma escolha, mas sim uma necessidade.
4. Desenvolveram a paciência aprendendo a esperar
Seja esperar pelo seu programa favorito na televisão, pela estreia de um filme ou economizar para adquirir um brinquedo, muitos das crianças dessa época aprenderam desde cedo a paciência. Contrastando com a busca por satisfação imediata facilitada pela Internet e as tecnologias digitais, aprenderam a lidar com a espera e a frustração.
Embora esses momentos pudessem parecer difíceis, contribuíram para solidificar a sua capacidade de enfrentar frustrações. Conseguiram desenvolver a paciência, a perseverança e a habilidade de aceitar o desconforto em vez de procurar evitá-lo imediatamente.
5. Tiveram horários mais livres e geriam o seu tempo

Muitos das crianças das décadas de 80 e 90 enfrentaram expectativas familiares e sociais em relação ao seu futuro, mas também gozaram de uma grande liberdade no quotidiano. Escolhiam as suas atividades, os seus lazeres e, por vezes, até as suas responsabilidades pessoais. Aprenderam a gerir o seu tempo livre e a encontrar ocupações por conta própria.






