Já encontraram alguém que parece ser amado por todos, sem esforço aparente? Este tipo de pessoa atrai a atenção naturalmente e inspira confiança. Parece ter um carisma inato que não se consegue explicar. Embora algumas pessoas realmente possuam esse charme natural, há uma prática simples que todas podem adotar, segundo a investigadora Shadé Zahrai, formada em Harvard.
É comum pensar que agradar a todos se resume a ter uma personalidade cativante, divertida ou confiante. Embora essas qualidades ajudem, a realidade é mais sutil. As pessoas admiradas e procuradas não fazem nada de espetacular, nem buscam reconhecimento. O que as torna realmente cativantes é a forma como tratam os outros no dia a dia. A sua atenção, escuta e empatia deixam uma impressão duradoura, muitas vezes mais forte do que quaisquer traços impressionantes de personalidade.
Este comportamento simples explica por que são tão queridas e por que todos desejam a sua companhia.
As pessoas queridas falam bem dos outros

“Já repararam que as pessoas que falam gentilmente dos outros parecem naturalmente simpáticas?” começou a Dra. Zahrai no seu vídeo no TikTok. “Existe um fenómeno chamado transferência social, e é realmente fascinante.”
Ela explicou que, ao descrever as características de alguém, os ouvintes as associam inconscientemente a nós. Portanto, se encontrarem alguém e o descrevem como otimista ou elogiam a sua fiabilidade, não estão apenas a valorizá-lo; estão a reforçar a sua própria reputação de otimismo e fiabilidade.
Por outro lado, ao espalhar rumores sobre alguém, provavelmente estarão a prejudicar a própria reputação.
@shadezahrai Este hábito torna-te mais simpático (e um ser humano melhor). #psychology #socialpsychology #socialintelligence #conversations #emotionalintelligence #leadership ♬ som original – Dr. Shadé Zahrai
Os efeitos negativos da maledicência

Sem surpresa, a maledicência ou a divulgação de rumores tem o efeito inverso.
“Se você espalhar rumores ou falar mal dos outros, aqueles que o ouvem não poderão deixar de lhe atribuir essas mesmas características. As suas palavras moldam a forma como os outros o percebem”, continuou a Dra. Zahrai.
Ainda que todos gostemos de conversar sobre a vida dos outros de vez em quando, está provado que esse hábito pode voltar-se contra nós. Confiar em alguém pode parecer inócuo no momento, mas tem consequências para quem escuta. Frequentemente, prestamos mais atenção às coisas negativas que dizemos sobre os outros. Mesmo um pequeno comentário pode deixar uma marca duradoura e manchar a nossa reputação aos olhos dos demais.
A psicóloga francesa Dominique Picard estudou as interações sociais, a cortesia e as relações interpessoais. Os seus estudos mostram que a forma como nos dirigimos aos outros e as regras implícitas de etiqueta influenciam profundamente a qualidade das relações.
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Praticar o auto-perdão para mudar
A terapeuta Hannah Rose explicou que os seus métodos para parar de maldizer não consistem em se culpar, mas em praticar momentos de auto-perdão enquanto se assume a responsabilidade.
“Em vez de me dizer: ‘Escrevi literalmente um artigo sobre isso… como posso ser tão hipócrita?’, eu posso dizer a mim mesma:
“Não gosto verdadeiramente de ter espalhado rumores. Não quero mais fazer isso. Perdoo-me por ser humana, mas vou assumir as minhas responsabilidades denunciando-me rapidamente e esforçando-me para mudar os meus comportamentos”, disse Rose.
A bondade tem um efeito dominó que muda tudo

O filósofo Emmanuel Jaffelin, autor de ensaios sobre a bondade, recorda que a bondade não é uma fraqueza, mas uma força moral e social: ela se posiciona “no meio entre a solicitude e o respeito”, tornando-a uma atitude valiosa nas nossas interações diárias. Esta visão enriquece a ideia de que falar positivamente sobre os outros resulta numa atitude social benéfica.
Geralmente, lembramo-nos mais daquela pessoa que é mais amável do que daquelas que espalham rumores ou criticam. As pessoas queridas não têm sequer consciência da influência que exercem sobre os outros e das relações que estabelecem. Elas não procuram avaliar as pessoas; apenas se importam com o impacto das suas palavras. Quando alguém fala frequentemente bem dos outros, pode ter certeza de que nunca será o próximo alvo dos rumores. Essa fiabilidade faz com que os outros se sintam seguros e dispostos a confiar em você.
Jacques Weber disse
“A bondade é a nobreza da inteligência.”
Como simplesmente explicaWendy L. Patrick, JD, Ph.D., analista comportamental:
“Os elogios sinceros permitem expressar a admiração por outros, e as qualidades citadas também são atribuídas a si mesmo. O inverso é, claro, igualmente verdadeiro.”
Conclusão
Ser apreciado não se baseia em demonstrações espetaculares ou numa personalidade exuberante.
Os gestos simples, a bondade e a forma como falamos dos outros fazem toda a diferença. Falar positivamente sobre as pessoas, evitar rumores e praticar o auto-perdão são hábitos que reforçam a nossa reputação e criam um clima de confiança à nossa volta.
Adotar esses comportamentos não apenas beneficia os que nos rodeiam: também nos ajuda a construir melhores relações e a tornarmo-nos pessoas apreciadas por muitos.




