A Precrastinação: Um Comportamento Comum e Mistificador
A precrastinação é um fenómeno psicológico surpreendentemente comum. Este comportamento consiste em realizar tarefas o mais rapidamente possível, mesmo quando esperar poderia exigir menos esforço. Este impulso é frequentemente motivado pelo desejo de não ter uma tarefa a preocupar a mente, embora a solução de levar uma única chávena à cozinha assim que fica vazia não seja, de todo, a opção mais prática.
Fazer várias viagens apenas para levar uma chávena cada vez pode ser mais trabalhoso do que esperar para transportar todas de uma só vez. Assim, à luz da eficiência, esta escolha poderá parecer ilógica.
Apesar disso, muitas pessoas seguem este comportamento de forma espontânea, preferindo concluir imediatamente uma tarefa menor a deixá-la suspensa, mesmo quando isso implica um esforço físico maior.
Investigadores têm estudado a precrastinação, identificando-a como um fenómeno que não se limita a um gosto pelo ordem ou à falta de paciência, mas sim ao alívio que se sente quando uma tarefa não ocupa mais espaço na nossa mente.
A Experiência do Balde
O conceito da precrastinação foi definido pelo psicólogo David Rosenbaum e seus colegas em 2014, numa pesquisa publicada na Psychological Science.
Os participantes da pesquisa deviam atravessar uma área e escolher entre dois baldes, um mais próximo do início e outro mais próximo do final. Surpreendentemente, a maioria optava pelo balde mais próximo do início, mesmo que isso significasse transportar o balde por uma distância maior.
Este padrão manteve-se mesmo quando os baldes eram pesados, revelando a persistência do comportamento por parte dos participantes. Os investigadores denominaram esta tendência de “precrastinação”.
Um Esforço Físico para Aliviar a Carga Mental
Uma das explicações possíveis para esta tendência é a redução da carga cognitiva, explorada em 2018 por Lisa Fournier e colaboradores na publicação Attention, Perception & Psychophysics. Ao terminar rapidamente uma tarefa, libertamos parte da nossa atenção e, com a precrastinação, aceitamos um esforço físico extra para não ter que pensar numa tarefa pendente.
A Precrastinação nos Pássaros
Em 2015, o psicólogo Edward Wasserman estudou comportamentos análogos em pombos. Os pássaros deviam completar várias etapas em um ecrã táctil para receber comida. Muitos escolheram fazer uma etapa necessária logo que tiveram a oportunidade, em vez de aguardar.
Esses resultados levantam a discussão sobre a possível precrastinação animal, conforme descrito neste artigo da Psychonomic Society. Contudo, outros estudos sugerem que esses pássaros também podiam mostrar a tendência oposta e esperar.
Interpretação A Discorrer
Pesquisas realizadas por Thomas Zentall obtiveram resultados diferentes, levando à hipótese de que o comportamento poderia estar ligado ao aprendizado e à antecipação da recompensa, mais do que à redução da carga mental.
A Conexão com a Chávena
O exemplo da chávena é análogo às pesquisas sobre a precrastinação, mesmo que nenhuma investigação tenha diretamente abordado o ato de limpar uma mesa. Esperar por quatro chávenas significa manter uma tarefa incompleta à vista. Contudo, levar uma chávena de cada vez permite ver a tarefa como concluída, mesmo aumentando os deslocamentos.
O impacto físico é visível, mas o benefício mental é mais difícil de quantificar. Uma vez realizada a tarefa, essa preocupação deixa de existir.
A Precrastinação Não É Uma Característica Pessoal
Embora levar objetos um a um não seja necessariamente a forma mais eficiente, a precrastinação sugere que estamos dispostos a abrir mão de conforto físico para aligeirar nossa mente. Este processo acontece frequentemente de forma automática, sem que tenhamos plena consciência dele.
Uma Experiência Remotamente Semelhante às Compras
Uma pesquisa recente publicou em 2023 na Psychological Research uma situação análoga. Rosenbaum e Dettling solicitaram a estudantes que movessem bolas de dodgeball entre dois recipientes distantes. Os participantes podiam decidir quantos objetos transportar em cada viagem.
Em geral, tendiam a transportar mais objetos no início, aliviando depois a carga. Parte dos participantes tinha que memorizar números durante a experiência, o que aumentava a carga na memória de trabalho. Esta situação reforçou a tendência para concentrar os esforços no início, alinhando-se com a ideia da precrastinação.
O exemplo da chávena é assim uma extrapolação, mas o seu princípio é similar a situações já estudadas experimentalmente.
Cet article est proposé à titre informatif et de réflexion. Il ne constitue en aucun cas un avis médical, psychologique ou professionnel. Les notions évoquées s’appuient sur des recherches publiées ainsi que sur des observations éditoriales, et ne résultent pas d’une évaluation clinique. Pour votre situation particulière, veuillez consulter un professionnel qualifié.




