António Ribeiro Telles, o Mestre!

Crónica

Ontem domingo a praça de toiros de Abiul a mais antiga de Portugal recebia a segunda corrida da sua Feira 2019. Grande entrada de público, quase três quartos das bancadas preenchidos em dia de bola para assitir a um cartel de figuras: António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol e o matador de toiros Octávio Chacon. Forcados Amadores de Coimbra diante de toiros da ganadaria Murteira Grave.

Abiul em Agosto é sinónimo de festa, música, reencontro, alegria e como não poderia deixar de ser, toiros! E ontem mais uma vez tudo isto se viu por aquelas paragens.

Os toiros da ganadaria triunfadora dos anos de 2017 e 2018 voltavam a esta praça, foram exemplares de apresentação distinta, os da lide a cavalo rematados e bem apresentados e os da lide a pé condizentes para a ocasião, visto que em Portugal não se picam os toiros, mais cómodos e agradáveis para os toureiros. Quanto ao comportamento houve três de boa nota. O primeiro era uma estampa, acapachado, com cara, ligeiramente bisco. Foi um toiro com muita mobilidade, nobreza, pronto aos cites, bravo. O segundo veio de mais a menos. Teve uma saída exuberante, nos compridos sempre pronto mas a vir a menos com o decorrer da lide. O terceiro bonito toiro cornidelantero, andou sempre a meia altura tanto nos capotes e muleta, teve mobilidade, nobreza mas não chegou a ser um toiro de nota. O quarto era um taco, baixo, gordo, rematado por todos os lados, tinha uma mirada séria. Foi bravo! Sempre pronto, investiu com raça, aos capotes e acometeu ao cavalo com ímpeto, o toiro da corrida. O quinto mais basto de tipo. também como o segundo veio de mais a menos, nos compridos perseguiu o cavalo com raça mas nos curtos foi um toiro que se revelou distraído a descair para tábuas, ficando reservado no fim da lide. O que fez sexto o mais terciado do lote. Foi nobre, meteu a cara com qualidade, investiu sempre que solicitado, pedia mando e pulso na muleta do matador, teve muita durabilidade, sem ser de bandeira, foi um exemplar de triunfo para o toureiro que tivesse por diante.

Regressava António Ribeiro Telles a Abiul depois de alguns anos de ausência, feliz regresso do Mestre. Teve o seu bandarilheiro boa mão no sorteio e tirou a bolinha da sorte, ou seja dois toiros para o fazerem explanar a sua e sabedoria e toureio.  Poderio, decisão, maestria e arte, muita arte, chegam e sobram para classificar as suas lides. Ferros de muita emoção e verdade ao estribo, brega exemplar e, a terminar essa graça toureira que o caracteriza. Esteve soberbo e senhor de si no primeiro toiro, com uma lide emotiva e inteligente, aproveitando as qualidades do oponente e dando-lhe a lide adequada bordando o toureiro com ferros e detalhes de soberba execução. Com o quarto triunfou forte em Abiul, entendeu na perfeição o bravo Murteira Grave e deu lição! Que bonito é ver um cavaleiro saber mexer num toiro, que bonito é ver um cavaleiro saber os terrenos que pisa numa praça, que bonito é saber citar e partir recto e de frente, deixando o toiro arrancar para depois cravar no alto do morrilho, que bonito é ver bem tourear a cavalo um bravo toiro.

Luís Rouxinol ao contrario do seu amigo António não teve tanta sorte no sorteio mas não foi por isso que “não se foi” aos toiros para lhes dar a volta. Luís é outro cavaleiro que sabe e entende o que tem por diante na perfeição, dando a lide adequada a cada toiro. No seu primeiro talvez o mais fácil da corrida o cavaleiro de Pegões galvanizou o público, com a arte do seu toureio, aproveitou o toiro de principio a fim. Primeiro dando a primazia ao toiro e quando este veio a menos foi ele que tomou a iniciativa para deixar grandes ferros, rematados com bonitos recortes cheios de toureiria, rematou a lide com um palmo e um soberbo par de banadarilhas. O quinto de inicio prometia e Luís cravou três grandes compridos de largo com o toiro acometer ao cavalo. Nos curtos o toiro mostrou se reservado e foi o Luís novamente a meter toda a carne do assador e dar a volta ao Murteira. Bem na brega para lhe contrariar as querenças, bem nas abordagens alegrando as acometidas do toiro e muito bem a cravar. Lide de Mestre! Bregou, lidou, cravou, rematou como as leis mandam. Foram uma actuação que nos encheu as medidas. Ferros de muita emoção e de imensa verdade, sem rodeios de fantasia, sem espalhafatos, tudo bem feito e tudo feito na perfeição.

Octávio Chacon, triunfador da Feira de 2018 voltava a Abiul mas ontém esteve longe de ser o toureiro de 2018. Sempre desconfiado, meio ausente a querer agradar mas sempre em tom popularucho sem se querer despentear… Não foi a sua tarde e depois a ajudar à festa os seus bandarilheiros protagonizaram uma verdadeira brega de “capea de pueblo”nos seus toiros… O seu primeiro toiro, foi um animal que não era de triunfo gordo mas também não era para andar sempre aos saltinho na faena de muleta, sempre a perder passos desnecessários, sempre a mandar o toiro para fora da flanela, lide que mais parecia de um novilheiro que começa. O sexto sim tinha muito para dar e novamente houve um Chacon desconfiado, sem parar os pés, sem se cruzar uma única vez, isso sim deu uma centena de passes e desses só me lembro de dois naturais em que embarcou a investida de principio a fim… O matador de Prado del Rey bandarilhou nesta tarde com mais solvência no seu primeiro, no segundo a coisa não resultou de todo…

Os Forcados Amadores de Coimbra em solitário bateram as palmas aos Murteiras e se os toiros não complicaram a vida os forcados também não complicaram a sua. Tarde limpa, em que os caras tiveram eficientes e os ajudadas entraram a tempo. Concretizando três pegas à primeira tentativa Pedro Casalta, Pedro Mendes que se despediu de forcado e o cabo Pedro Silva. Ricardo Matos matos pegou o primeiro da tarde à segunda tentativa com ajudas um tanto ao quanto carregadas.

Dirigiu a corrida Sandra Strecht, com assessoria do médico veterinário José Manuel Lourenço.

Ultimos Artigos

Artigos relacionados