Esta pergunta pode mostrar se alguém é realmente feito para você

Há anos, amigos próximos pedem-me conselhos sobre relacionamentos, como se tivesse todas as respostas. No entanto, nunca afirmei ter todo o conhecimento. Observando casais felizes na minha vida, aprendi algumas lições. Algumas são simples, outras bastante complexas, mas há um fio condutor que frequentemente se repete.

Um amigo querido, Marc, e a sua companheira, Sophie, são frequentemente elogiados pela solidez da sua relação. Quando questionados sobre o segredo da sua felicidade, Marc costuma brincar: “O nosso segredo? Muitas discussões e uma memória que falha com a idade.” Todos riem, porque essa é a intenção. Contudo, a realidade é bem diferente.

Marc e Sophie são quase inseparáveis. Nos primeiros anos da sua relação, raramente passavam uma noite longe um do outro. Se Marc ouve algo interessante no rádio ou lê um artigo curioso, adora ligar a Sophie para discutir. Ela tolera essas chamadas, embora prefira trocar mensagens ao longo do dia em vez de conversas longas ao telefone.

É com ela que ele deseja partilhar tudo: as suas ideias, preocupações e até as pequenas histórias do dia a dia. Sophie encanta-o, e parece que essa admiração é recíproca.

No entanto, o verdadeiro segredo da sua relação não reside apenas nessas conversas ou no constante intercâmbio de informações. É verdade que falam bastante, e essa comunicação é parte essencial da sua ligação.

Discutem quando algo os incomoda, quando estão tristes ou simplesmente para se manterem a par da vida do outro. Não há segredos, nem surpresas. Essa não é a sua verdadeira força.

Partilham interesses, opiniões e visões sobre a educação dos filhos, além de alguns passatempos. Riem juntos com determinados programas e, outras vezes, fazem caretas com os gostos do outro. Mas, novamente, isso não é o segredo do seu sucesso.

Uma pergunta que pode revelar se alguém é a pessoa certa para si

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Diz-se que há uma pergunta essencial que pode determinar se estamos realmente destinados a ficar com alguém: aprecia essa pessoa?

Não se trata de “ama esta pessoa?” ou “consegue imaginar a sua vida sem ela?”. A pergunta inicial é simples: “Você a aprecia?”.

Esta questão, à primeira vista inocente, revela-se crucial. O amor assemelha-se a uma chama vacilante: precisa de oxigénio para arder com intensidade, mas por vezes pode apagar-se. Por outro lado, a apreciação é um indicador mais confiável da durabilidade de uma relação. Uma estudo realizado ao longo de dez anos com 300 casais demonstrou que aqueles que mantinham uma satisfação relacional elevada e estável apresentavam resultados favoráveis em diversas áreas, incluindo saúde mental, uma perspetiva positiva e uma maior satisfação na vida.

Podemos amar alguém sem necessariamente o respeitar ou apreciar genuinamente. Já passei por ambas as situações. E é difícil descobrir, em um relacionamento, que não se gosta verdadeiramente da outra pessoa.

Mas isso não é o pior. Se a resposta à pergunta sobre se se aprecia a pessoa for “sim”, avançamos para a verdadeira indagação.

A pergunta que pode revelar a compatibilidade a longo prazo

A segunda questão que ajuda a determinar se uma pessoa é a certa a longo prazo é: sente-se bem na sua companhia?

Uma pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology que analisou dados de dezenas de milhares de participantes revelou que as relações e a autoestima se influenciam mutuamente ao longo do tempo. O impacto positivo de uma pessoa na autoestima é uma das dimensões mais mensuráveis de uma relação.

Este é um ponto crucial. Porque se está com alguém que ama intensamente, mas que faz com que se sinta inferior ou indesejável, talvez deva repensar a relação. Se a pessoa que ama provoca ciúmes, raiva ou outra gama de emoções negativas, o mais sensato pode ser afastar-se. É vital que se sinta em paz consigo mesmo.

Estar com alguém que transforma a sua essência numa versão que não gostaria de ser é uma condenação à miséria. Não será necessariamente um reflexo do caráter da outra pessoa, mas o produto da relação que estabelecem.

Respeitar e valorizar o outro

Conscientes disso, Marc e Sophie esforçam-se por respeitar a imagem que o outro tem de si mesmo. Sophie mantém a aura rebelde de Marc ao partilhar histórias da sua juventude agitada e proporciona-lhe a liberdade de explorar as suas paixões, mesmo que o faça alvo de brincadeiras quando ele se entusiasma.

Por sua vez, Marc apoia o talento de Sophie na criação teatral, uma habilidade rara que combina lucidez e praticidade. Como testemunhei, ela cativa-o, e ele faz questão de demonstrar-lhe isso.

Na sua relação, Marc e Sophie observam quem o outro deseja ser e encorajam-se mutuamente, pois é essencial que cada um se sinta valorizado. Os psicólogos chamam a isso “o fenómeno Michelangelo”, um modelo desenvolvido por Caryl Rusbult e seus colegas, que sugere que os parceiros influenciam-se mutuamente, moldando suas habilidades e traços de caráter, promovendo ou inibindo a sua busca por um ideal.

Ainda que às vezes discutam – Marc, por exemplo, não lava a louça com a frequência desejada, e Sophie não a fecha sempre corretamente – as suas discussões mais acesas surgem quando opiniões sobre arte se divergem. Nessas alturas, a verdadeira tensão pode surgir; as palavras são afiadíssimas, pois tocam na autopercepção que cada um tem de si e do que é enquanto casal.

Para eles, a arte é um campo de disputa. Para outros casais, pode ser a valorização do que cada um é como indivíduo ou casal. Se o seu parceiro não respeita as suas escolhas, isso afetará a sua autoestima, gerando ressentimento e fazendo com que se sinta menos em sua presença.

O verdadeiro segredo de um relacionamento duradouro

Um relacionamento é partilhar a vida com outra pessoa. Não é necessário estarem constantemente juntos.

Podem não se ver durante todo o dia, nem sentir a necessidade de discutir as notícias. É possível que não partilhem interesses ou opiniões semelhantes, nem mesmo o mesmo lar. Cada relação é única, e não é preciso imitar os outros.

É essencial que se amem tal como são na companhia um do outro. Devem trazer à tona as qualidades que os fazem sentir-se felizes e realizados. Este é o verdadeiro segredo de um relacionamento duradouro.

Conclusão

No fim das contas, o verdadeiro segredo de um relacionamento duradouro não reside apenas na paixão ou em grandes gestos românticos.

Encontra-se na forma como se sentem na presença um do outro, no respeito mútuo, na apreciação do dia a dia e no apoio para se tornarem a melhor versão de si mesmos.

Amar alguém não é suficiente; é essencial sentir-se realizado, ouvido e valorizado. Essa harmonia silenciosa e bem-estar compartilhado são fundamentais para formar um vínculo sólido e duradouro.

Se a sua relação melhora a sua autoestima e desenvolve as suas qualidades, está no caminho certo para um vínculo que pode resistir ao tempo com confiança e serenidade.



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