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Algumas experiências abalam-nos profundamente, enquanto outras nos forçam a rever a forma como pensamos. Com o passar do tempo, aprendemos a entender melhor as nossas reações e a olhar para as dificuldades com maior distância. Este caminho transforma também a forma como nos relacionamos com os outros e connosco mesmos. À medida que a nossa inteligência emocional se desenvolve, tornamo-nos mais capazes de entender as nossas emoções, percebê-las e deixá-las não guiar cada uma das nossas decisões. Aqueles que optam por desenvolver a sua inteligência emocional podem ver a vida sob uma perspectiva diferente, considerando os altos e baixos com maior clareza.
Ao avançar no seu desenvolvimento pessoal, essas pessoas atribuem gradualmente menos importância a frustrações que antes ocupavam um espaço considerável. Em vez de desperdiçar energia em preocupações secundárias, aprendem a concentrar-se no que realmente as ajuda a crescer, a compreender-se melhor e a avançar de forma mais serena.
Quando a inteligência emocional se desenvolve, estas 7 coisas tornam-se menos importantes
1. O olhar e o julgamento dos outros

O autoconhecimento é uma das dimensões da inteligência emocional. Ele ajuda a compreender melhor os nossos valores e a manter-se fiel a si mesmo, mesmo na presença de um julgamento negativo.
Isso não significa, porém, tornar-se insensível às críticas. Justin Bariso, especialista em inteligência emocional, sugere aprender a responder com distância, em vez de reagir impulsivamente. Esperar antes de responder a um comentário desagradável pode oferecer uma nova perspectiva e ajudar a encontrar um possível ponto construtivo.
Assim, quando uma pessoa vê a sua inteligência emocional a desenvolver-se, geralmente atribui menos poder às opiniões externas. Um comentário pode ainda afetar, mas já não se deixa levar facilmente pelo julgamento alheio na definição do seu próprio valor.
2. Querer controlar todas as suas emoções
Indivíduos com boa inteligência emocional são geralmente mais conscientes do que sentem. Eles conseguem identificar melhor as suas emoções e entender como estas influenciam os seus comportamentos e relações.
Contudo, regular uma emoção não significa suprimir ou dominar todas as suas emoções à força. À medida que a inteligência emocional se desenvolve, um indivíduo pode aceitar que algumas emoções são complexas, contraditórias ou intensas. O foco passa menos pela tentativa de impedir as emoções e mais pela compreensão do que estas indicam. O objetivo já não é controlar tudo, mas sim reagir melhor quando as emoções se tornam avassaladoras.
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3. Sentir-se responsável pelas emoções dos outros

Entender as suas próprias emoções facilita a percepção das emoções alheias. Contudo, mostrar empatia não significa ter que resolver os problemas emocionais dos outros.
As pessoas emocionalmente inteligentes podem oferecer uma presença tranquilizadora, sabendo que as suas responsabilidades são limitadas. Elas desenvolvem empatia e consciência social, sem tentar ditar o que os outros devem sentir ou fazer.
Uma pesquisa da Universidade de Sydney indicou que indivíduos com melhores habilidades emocionais tendem a adotar estratégias construtivas face às emoções alheias, como ouvir atentamente, valorizar e reavaliar a situação. Nela, observaram que essas pessoas utilizam menos estratégias de minimização ou supressão da expressão emocional. Estes achados sugerem que a inteligência emocional promove uma maneira mais atenta e adequada de responder aos sentimentos dos outros, sem a necessidade de assumir essa carga.
Tomar sempre a responsabilidade pelas emoções do outro pode levar à manutenção de comportamentos dos quais ele deverá, eventualmente, aprender a distanciar-se.
4. Os silêncios numa conversa
Conforme a inteligência emocional se desenvolve, os momentos de silêncio tornam-se freqüentemente menos desconfortáveis. Algumas pessoas sentem a necessidade de falar assim que uma conversa entra em pausa, simplesmente para evitar a sensação de mal-estar.
Um estudo na *Journal of Experimental Social Psychology* demonstrou que momentos de silêncio podem influenciar bastante a forma como vivemos uma conversa. Os investigadores observaram que, unicamente quatro segundos de silêncio podem engendrar emoções negativas e uma sensação de rejeição quando interrompem abruptamente um diálogo.
Entretanto, o contexto é igualmente relevante. Assim, outra investigação mostrou que silêncios prolongados são percebidos como mais constrangedores entre desconhecidos, enquanto entre amigos podem oferecer momentos de conexão mais profunda. Isso sugere que estar à vontade com o silêncio pode depender da relação e do sentimento de segurança com o outro.
Nem todos os silêncios indicam um problema. Às vezes, são apenas parte de uma troca normal entre duas pessoas.
5. O status social e os títulos

Uma pesquisa publicada na revista Psychological Science explorou a relação entre o status social e a capacidade de compreender as emoções alheias. Através de três experiências, verificou-se que participantes com menor estatus na hierarquia social eram mais proficientes em identificar as emoções dos outros.
Os autores sugerem que uma atenção maior ao contexto e às pessoas ao redor pode contribuir para essa diferença. Assim, quando a inteligência emocional se desenvolve, tendemos a ver a pessoa além do seu status. Um título profissional ou uma posição de destaque não conseguem mais suscitar automaticamente a admiração; o comportamento, os valores e a qualidade das relações assumem agora a dianteira.
6. O desgaste até à exaustão
Um maior autoconhecimento também permite reconhecer as próprias limitações. Quando se desenvolve a inteligência emocional, a pessoa pode deixar de acreditar que precisa fazer sempre mais para satisfazer as expectativas dos outros.
Trabalhar arduamente e persistir são qualidades, mas não quando nos fazem negligenciar o nosso equilíbrio físico ou psicológico. Em vez de esperar até à exaustão para desacelerar, quem é emocionalmente consciente aprende a perceber os sinais de sobrecarga. Assim, entende que saber parar, recuperar e proteger-se é parte de um funcionamento saudável.
7. Procurar sempre a aprovação dos outros

À medida que a inteligência emocional se desenvolve, a necessidade de obter a aprovação constante dos outros tende a diminuir. Uma pessoa aprende a reconhecer o seu próprio valor sem depender da validação das suas escolhas.
Isso não implica ignorar os conselhos ou observações do próximo. Ela pode escutá-los e considerá-los, mantendo a liberdade de decidir por si mesma.
Com um entendimento mais profundo das suas necessidades e valores, aceita também mais facilmente a possibilidade de desagradar ou de fazer escolhas diferentes. O essencial já não é ser aprovada por todos, mas agir de acordo com o que considera justo.
Última reflexão

Quando a inteligência emocional evolui, a nossa abordagem em relação a dificuldades, relacionamentos e reações também muda. Preocupações que antes eram preponderantes começam a perder relevância.
Isso não significa tornar-se indiferente aos outros ou deixar de sentir emoções difíceis. Ao contrário, uma inteligência emocional mais desenvolvida permite aceitar essas emoções com maior distância, compreendendo melhor o que nos diz respeito e o que está fora do nosso controle.
Ao longo do tempo, essa evolução pode nos ajudar a proteger-nos, a estabelecer limites mais saudáveis e a priorizar o que realmente importa para o nosso equilíbrio e bem-estar.
Este artigo destina-se apenas a fins informativos e reflexivos. Não constitui, em nenhum caso, um parecer médico, psicológico ou profissional. As ideias apresentadas baseiam-se em investigações publicadas e observações editoriais e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação específica, consulte um profissional qualificado.




