Ajudar um amigo em dificuldade: “Pare de dizer a ele ‘Você precisa ser forte'”: o que é melhor dizer, segundo a psicologia

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Ajudar um amigo em dificuldade? Não é sempre fácil saber como reagir quando alguém próximo enfrenta um momento doloroso. Entre o receio de ser mal interpretado e o desejo de encontrar as palavras que confortam, é comum sentir-se desamparado. Contudo, gestos simples e uma presença sincera podem proporcionar um conforto significativo. Os períodos desafiadores muitas vezes revelam a solidez de uma amizade. Quando tudo parece desmoronar, contar com alguém que escuta e apoia pode fortalecer profundamente o laço que nos une. Por outro lado, a falta de atenção de um amigo nesses momentos pode deixar um sentimento de desilusão, quase como uma forma de abandono.

As dificuldades são frequentemente marcos nas relações de amizade.

A forma como apoiamos um amigo em sofrimento pode aproximar ou, pelo contrário, fragilizar uma amizade quando o suporte esperado não é oferecido.

Este artigo destina-se a apresentar e refletir sobre investigações científicas relacionadas ao apoio a um amigo em dificuldades. Não substitui um parecer médico ou psicológico e não serve para diagnóstico. Se estiver a atravessar um momento difícil ou se a situação de um amigo lhe preocupar, recomenda-se consultar um médico, psicólogo ou outro profissional qualificado.

Ajudar um amigo em dificuldade não significa resolver os seus problemas ou encontrar sempre as palavras certas. Muitas vezes, o mais importante é mostrar que ele não está sozinho, respeitando as suas emoções e o seu tempo. Algumas frases ditas com boa intenção podem, aliás, minimizar o que sente ou aumentar o seu desconforto.

A seguir, apresentamos algumas expressões que é melhor evitar ao apoiar um amigo em dificuldades, além de palavras e atitudes que podem proporcionar um verdadeiro conforto.

1. Para ajudar um amigo em dificuldade: evite dizer « Não chores »

Ajudar um amigo em dificuldades
Imagens Pexels e Freepik

Ver um amigo chorar pode causar um certo desconforto, levando-nos a tentar confortá-lo com expressões como « Não chores » ou « Vai ficar tudo bem ». No entanto, impedir alguém de expressar a sua tristeza não é a melhor maneira de trazer apoio.

As emoções não desaparecem simplesmente porque decidimos não as mostrar. Em períodos de luto, separação ou grande angústia, poder dar voz ao que se sente e deixar que as emoções sejam expressas é importante.

Um estudo sobre pessoas que perderam um cônjuge observou que aqueles que falavam menos sobre a sua perda apresentavam uma saúde pior no ano seguinte. As investigações relacionadas ao luto e ao apoio emocional destacam a importância de deixar a pessoa expressar a tristeza, especialmente ao chorar.

Tentar interromper as lágrimas com expressões como « não chores » pode impedir que a pessoa exteriorize o que sente. Uma presença atenta, uma escuta sem julgamentos e o respeito pelas emoções do amigo geralmente representam uma atitude mais apropriada.

O objetivo não é necessariamente fazer as lágrimas cessarem, mas criar as condições nas quais o seu amigo se sinta à vontade para expressar o que está a passar. Pode simplesmente dizer-lhe: « Podes chorar, estou aqui. »

2. « Deves ser forte »

« Coragem », « Seja forte » ou « É preciso aguentar » são expressões frequentemente ditas com boas intenções. Contudo, quando alguém está a sofrer, esse tipo de encorajamento pode, involuntariamente, fazer com que a pessoa sinta que deve esconder a sua vulnerabilidade.

Para ajudar um amigo em dificuldade, pode ser mais benéfico validar os seus sentimentos e auxiliar na exploração de todas as emoções que está a sentir, ao invés de lhe dizer como deveria sentir-se. Uma pessoa triste, ansiosa ou perturbada não precisa, necessariamente, de ser chamada a recuperar o controle imediatamente. Ela pode apenas precisar de perceber que suas emoções são reconhecidas.

Dizer a alguém que deve « ser forte » também pode dar a entender que a sua tristeza é uma fraqueza. Simplesmente passar por um momento difícil pode envolver a aceitação de que não se está bem durante um certo tempo.

Em vez disso, experimente frases que reconheçam a sua experiência:

« Entendo que te sintas assim » ou « Dada a situação que atravessas, a tua reação é compreensível. »

Essa abordagem alinha-se a um princípio importante nas relações de amizade. Quando alguém sofre, frequentemente precisa mais de uma presença atenta do que uma solução. Este é também o tema do nosso artigo sobre a necessidade de um aliado, não de um conselho, quando um amigo enfrenta dificuldades.

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3. Para ajudar um amigo em dificuldade: evite dizer « Diz-me se precisares de algo »

Ajudar um amigo em dificuldades

Esta expressão pode parecer generosa. O problema é que coloca parte do esforço nas mãos da pessoa que está a sofrer.

Quando se atravessa um luto, uma separação, ou se vive uma doença no nosso círculo familiar, identificar exatamente o que se precisa pode ser difícil. Além disso, é necessário encontrar a energia para solicitar ajuda e aceitar mostrar-se vulnerável.

Mesmo que o seu amigo saiba que a sua oferta é sincera, pode hesitar: « É correto incomodar-te? », « É mesmo o melhor momento? », « O meu problema é suficientemente importante para pedir ajuda? »

Uma solução é substituir uma oferta geral por uma proposta mais concreta. Por exemplo: « Vou fazer compras esta tarde, posso trazer algo para ti? », « Posso cuidar dos miúdos durante algumas horas, se quiseres » ou « Ajudaria se eu fizesse a tua roupa? »

Estudos com pessoas em luto mostraram que a ajuda em tarefas do dia a dia é especialmente valorizada no início do luto.

A ideia não é assumir o controle da vida do seu amigo. Trata-se de uma oferta específica que ele pode facilmente aceitar ou recusar.

4. « É preciso seguir em frente »

Após várias semanas ou meses, o círculo de amigos pode perder a paciência. Expressões como « Deverias virar a página » ou « Pensava que já estarias melhor agora » podem surgir, muitas vezes com a intenção de incentivar a pessoa a avançar.

No entanto, não há um calendário universal para a dor.

Um estudo sobre reações a eventos estressantes constatou que algumas pessoas apresentam um percurso de stress crónico, enquanto outras parecem estar bem num primeiro momento, mas depois vêem o seu estado piorar. Em resumo, duas pessoas que enfrentam situações semelhantes podem evoluir de maneiras muito distintas.

Aceitamos facilmente que uma lesão física precisa de tempo para cicatrizar. Lesões emocionais também requerem tempo para se curarem. Pedir a alguém para « seguir em frente » não vai, necessariamente, ajudá-lo a superar o que está a enfrentar mais rapidamente.

Um outro estudo estabeleceu uma associação entre julgamentos negativos sobre as suas emoções e um aumento da ansiedade, sintomas depressivos e instabilidade emocional.

Evitemos, então, transformar a duração da dor em critério de sucesso ou fracasso. Uma pessoa que recupera rapidamente o seu bem-estar não é necessariamente « mais forte », assim como aquela que precisa de mais tempo não falhou.

Você pode lembrá-la: « Toma o tempo que precisares. Não irei julgar-te por não melhorares tão rapidamente quanto esperavas. »

Para aqueles especificamente a enfrentar a perda de um ente querido, o nosso artigo sobre como ajudar alguém que acabou de perder um familiar apresenta várias dicas para estar presente sem impor a sua própria forma de viver o luto.

5. Evitar porque não se sabe o que dizer

Ajudar um amigo em dificuldades

Perante a dor de um amigo, há quem não saiba o que dizer e prefira optar pelo silêncio. Isso pode resultar em menos comunicações, com menos chamadas ou respostas a mensagens, e evita-se discussões difíceis. Este fenómeno foi observado numa pesquisa focada no apoio a pais enlutados.

Os participantes relataram que algumas pessoas no seu círculo deixaram de os contactar ou mudavam de direção ao cruzarem-se com eles publicamente. Em contraste, a presença, a escuta e o sustento sem julgamentos foram considerados valiosos.

Para quem está a sofrer, esse afastamento pode intensificar o sentimento de solidão. Na mesma pesquisa, os pais enlutados sem apoio familiar ou de amigos descreveram mais sentimentos de isolamento e solidão. Os investigadores sublinham também que estar presente, ouvir e demonstrar apoio foram algumas das atitudes mais úteis.

Esta importância da ligação vai além do contexto do luto. Uma revisão sistemática publicada em 2024 na Communications Psychology analisou 50 estudos longitudinais com amostras que vão de 360 a 65 818 participantes.

Entre os fatores associados a respostas mais resilientes a crises e eventos estressantes, encontrava-se o apoio social percebido. Os autores ressaltam, no entanto, que os resultados variam entre os estudos, e que uma associação não significa necessariamente uma relação de causa e efeito.

Portanto, não é necessário encontrar a fórmula mágica para ajudar um amigo em dificuldade.

Manter o contacto e demonstrar que está disponível já conta significativamente. Uma mensagem simples pode ser suficiente: « Pensei em ti hoje. Como te sentes? » ou « Não sei exatamente o que dizer, mas queria que soubesses que estou aqui. »

Como já abordamos em artigos sobre os erros que amigos emocionalmente inteligentes evitam ao apoiar um próximo que sofre, apoiar alguém não significa encontrar a solução perfeita para os seus problemas. Trata-se, muitas vezes, de permanecer presente, ouvir e não julgar o que sente.

Ajudar um amigo em dificuldade é, acima de tudo, estar presente

Ajudar um amigo em dificuldade não significa encontrar as palavras certas, solucionar os seus problemas ou pressioná-lo a melhorar mais rapidamente. O que frequentemente conta é oferecer presença, reconhecer o que sente e continuar a interesar-se por ele, mesmo quando a fase difícil se prolonga.

As investigações confirmam a importância deste apoio. Uma revisão sistemática publicada em 2024 na Communications Psychology analisou 50 estudos longitudinais, envolvendo amostras que vão de 360 a mais de 65 000 participantes.

Os investigadores constataram que o apoio percebido é um fator associado a respostas mais resilientes a vários eventos penosos, ao lado da regulação emocional e da flexibilidade psicológica. Os autores salientam, no entanto, que os resultados não são uniformes e não permitem estabelecer, por si só, uma relação causal.

Em resumo, quando um próximo enfrenta uma situação difícil, não precisa de ouvir « seja forte » ou « passe para outras coisas ».

Pode simplesmente precisar de saber que pode sentir-se triste, vulnerável ou perdido sem ser julgado ou abandonado. Às vezes, ajudar começa por um gesto simples como dizer: « Estou contigo e não tens de passar por isso sozinho. »

Este artigo é oferecido a título informativo e reflexivo. Não substitui um parecer médico, psicológico ou profissional. As noções aqui apresentadas baseiam-se em pesquisas publicadas e observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação específica, recomenda-se consultar um profissional qualificado.

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