Diariamente, confrontamo-nos com informações contraditórias sem sequer nos apercebermos. Um vídeo pode afirmar uma coisa, enquanto um artigo diz exatamente o oposto. As redes sociais amplificam essas divergências em questão de segundos. Muitos reagem imediatamente, sem verificar. Outros param para comparar as fontes. É precisamente nesta diferença de reações que reside algo crucial: um hábito que frequentemente revela **pessoas muito inteligentes**.
Todas as pessoas erram constantemente. Em geral, reconhece-se uma pessoa de **alta inteligência** pela forma como reage ao deparar-se com novas informações, o que pode ser frustrante para alguns.
Estamos rodeados por uma linha cada vez mais ténue entre uma informação fiável e a desinformação. Na era digital, somos constantemente expostos a um fluxo contínuo de conteúdos. Desde publicações de amigos até notícias internacionais, nunca tivemos tanto acesso à informação global. Contudo, isso **não garante** a nossa capacidade de distinguir entre factos e opiniões.
Aqui é onde a verdadeira **inteligência** se manifesta. Estudos recentes sugerem que a forma como uma pessoa se adapta e ajusta as suas crenças face a novas informações diz muito sobre as suas capacidades cognitivas.
Um hábito revela frequentemente as pessoas muito inteligentes:
É geralmente possível identificar uma pessoa de **alta inteligência** pela sua capacidade de mudar de opinião conforme novas informações se tornam disponíveis.

A investigação publicada na revista Cognitive Research: Principles and Implications revelou que, na luta contra a desinformação, a capacidade de uma pessoa para processar informação ou mesmo o seu gosto por ela não são determinantes. O que realmente importa é a sua habilidade de se adaptar às novas informações, substituindo dados erróneos por correcções relevantes.
Para ilustrar, imagine que cresceu acreditando que, se engolisse um chiclete, ele ficaria no estômago por anos e poderia causar problemas de saúde. Todos sabemos que isso era uma pequena mentira que os pais contaram para evitar que o engolíssemos. Agora imagine que, ao atingir a idade adulta, você consulta um médico e expressa preocupação por ter engolido um chiclete.
Uma pessoa de **alta inteligência** levaria em conta os conselhos do médico, que lhe diria que um chiclete não permanece indefinidamente no estômago, faria até alguma pesquisa e perceberia que as informações já não eram verdadeiras. Assim, adaptaria a sua visão sobre o assunto.
A inteligência e a competição das ideias
A inteligência, hoje em dia, parece provocar uma certa competição. Existem vários tipos de inteligência, e todos têm opiniões divergentes sobre qual é a mais útil ou a que causa maior impacto no mundo. Alguns tentam parecer os mais inteligentes, enquanto outros, mais discretos, conhecem o seu valor e mostram-se eficazes quando necessário.
De qualquer forma, parece que adotar um estado de espírito fixo pode ser precisamente aquilo que impede as pessoas de atingirem todo o seu potencial. Alterar crenças com base no aprendizado pode ser uma tarefa desconfortável.
A maioria de nós valoriza muito as crenças e ideias que nos acompanharam ao longo da vida. É reconfortante partilhar os nossos ideais com aqueles que nos são semelhantes. É difícil desapegar-se desses ensinamentos e adoptar novos, mesmo que sejam necessários.
A dificuldade de mudar de crenças

É claro que, no caso de engolir um chiclete, é fácil mudar de opinião rapidamente, pois parece lógico. Mas quando se trata de tópicos mais significativos que abalam os fundamentos das nossas convicções, é muito mais fácil rejeitar informações que não se alinham com o que já conhecemos.
A inteligência, assim, não é inata. Todos os dias, fazemos escolhas quanto às nossas crenças.
Não é à toa que alguns acreditam que a Terra é plana, mesmo que a ciência tenha provado, sem sombra de dúvida, o contrário.
Uma habitude revela frequentemente as pessoas muito inteligentes: a abertura às novas informações
Precisamos escolher activamente **abrirmo-nos** a novas informações. É fundamental acreditar no processo, às vezes difícil, de adaptação e crescimento pessoal, para não alimentarmos a desinformação e transformar a aceitação de novas informações em uma norma. Adaptar-se às novas informações é, de fato, impressionante.
Podemos encontrar prazer em aprender pelo simples gosto de aprender, mas questionemo-nos: é possível substituir informações que sempre conhecemos por actualizações mais precisas que ajudam a resolver um problema? Você está apto a adaptar-se com confiança à evolução da sociedade, percebendo que as aparências podem enganar?
Adaptar-se não é fácil. E isso é normal. Exige vontade. Porque essa vontade é uma qualidade, principalmente face à vasta quantidade de informações que nos são apresentadas diariamente através da Internet.
Última reflexão sobre um hábito que revela geralmente pessoas muito inteligentes

Enquanto sociedade, devemos começar a colocar essas questões para nos tornarmos pensadores mais competentes e nuançados.
Talvez a **inteligência** não resida tanto no que sabemos, mas na forma como encaramos a incerteza. Nenhuma ideia é completamente rígida, nenhuma verdade é definitivamente estabelecida: todo o saber humano é provisório, em constante construção, sempre suscetível de ser refinado ou questionado.
Aceitar mudar de opinião não é um sinal de fraqueza, mas uma forma de lucidez. É perceber que a realidade é mais ampla do que as nossas certezas. E que crescer intelectualmente é ser capaz de se corrigir sem se perder.
Assim, pensar com precisão não implica ser sempre **certo**. Mas estar capacitado para se aproximar mais da **verdade**, mesmo quando isso requer renunciar ao que se acreditava ser certo.
Este artigo é apresentado para efeitos informativos e de reflexão. Não constitui de forma alguma um conselho médico, psicológico ou profissional. As noções abordadas baseiam-se em investigações publicadas bem como em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para situações particulares, por favor consulte um profissional qualificado.




