A comunicação desempenha um papel crucial nas nossas vidas quotidianas. Contudo, certas palavras ou expressões que utilizamos podem, por vezes, minimizar a percepção das nossas capacidades intelectuais, mesmo que essa não seja a nossa intenção. Seja no ambiente profissional, durante uma reunião ou apenas numa conversa entre amigos, a forma como nos expressamos revela muito sobre nós. As palavras têm poder: podem reforçar a nossa credibilidade ou, pelo contrário, fazer parecer que carecemos de reflexão.
Assim, como podemos parecer mais ponderados e credíveis, evitando cair na armadilha das frases clichê ou desajeitadas?
Uma abordagem simples consiste em estar atento às expressões que podem reduzir o impacto daquilo que dizemos. Certas fórmulas, demasiado familiares ou mal escolhidas, podem fazer com que o nosso discurso pareça menos relevante ou sério do que realmente é.
Estudos em linguística cognitiva sugerem que a linguagem que utilizamos influencia a nossa forma de pensar e a maneira como os outros interpretam as nossas intenções, o que explica porque certas formulações podem afetar a percepção da nossa inteligência.
Neste artigo, apresento-lhe 8 expressões que deve evitar a todo o custo se pretende parecer mais inteligente e convincente nas suas interações. Ao modificar simplesmente algumas das suas habituais formas de linguagem, poderá melhorar a imagem que transmite e aumentar a sua influência nas conversas.
1. « Pouco importa… »

Estive numa reunião onde alguém, conhecido pela sua competência, respondeu a uma objeção com um seco « Pouco importa… » desdenhoso.
O silêncio que se seguiu foi palpável. Esta pequena expressão, que se pretendia transmitir desinteresse, diminuiu instantaneamente a percepção da sua seriedade e inteligência.
« Pouco importa… » é frequentemente visto como rude ou desinteressado. Passa a mensagem de que não está realmente interessado na conversa ou nos argumentos da outra pessoa. É difícil ser considerado inteligente ao utilizar estas palavras.
Existem alternativas simples e mais elegantes para contestar um ponto de vista: expressar-se com « Compreendo o seu argumento, mas eu penso que… » permite refutar respeitosamente, mantendo a credibilidade. Se frequentemente diz « pouco importa… », rever essa hábito pode melhorar consideravelmente a sua imagem nas interações.
2. « Eu suponho que… »
Este ponto ressoa especialmente comigo. Era habitual começar as minhas frases com « Eu suponho que… » quase automaticamente, até que um dia percebi o efeito que isso tinha sobre os meus interlocutores.
Usar esta expressão enfraquece o seu discurso. Transmite hesitação ou falta de confiança nas suas ideias.
Pense um momento: se não acredita plenamente no que está a dizer, porque é que os outros deveriam fazê-lo?
Para parecer mais inteligente e convincente, deve apresentar as suas ideias com determinação. Remover expressões como « Eu suponho que… » é uma mudança simples, mas eficaz. Na próxima vez que sentir essa frase a sair da sua boca, faça uma pausa e reformule de forma mais direta. Acredite, a mudança é perceptível imediatamente.
3. « Para ser honesto… »

Esta expressão parece inofensiva, mas pode ter o efeito oposto ao que se espera.
Num exemplo de conversa entre amigos: se alguém começa com « Para ser honesto… », isso pode, inconscientemente, deixar os outros na dúvida.
Implicitamente, sugere que anteriormente não estava totalmente honesto.
Na maioria das conversas, a honestidade é considerada uma norma. Destacar a sua sinceridade pode, portanto, suscitar uma dúvida inconsciente e reduzir a sua credibilidade.
Normalmente, é mais eficaz expressar simplesmente o que pensa sem introduzir este tipo de ressalva. A sinceridade sente-se mais no tom e na coerência do discurso do que numa frase de introdução.
4. « É assim… »
Imagine uma reunião em que se debate um projeto já complicado e um colega diz apenas: « Bem, é assim… »
Esta frase pode dar a ideia de uma aceitação da situação, mas muitas vezes traduz uma forma de resignação.
Também pode sugerir um refusar de explorar outras soluções ou perspetivas.
Em certos contextos, pode até parecer desinteressado ou indiferente, algo que não é o que procuramos se desejamos parecer mais ponderados e inteligentes.
Antes de usar esta expressão, pergunte-se se ela realmente traz algo à discussão ou se é apenas um simples encolher de ombros verbal. Pensar nestes detalhes pode transformar a sua forma de comunicar e tornar as suas intervenções mais impactantes.
5. « Não sou um génio, mas… »

No campo da comunicação, a falsa modéstia pode muitas vezes jogar contra nós.
Imagine um colega que começa cada reunião com « Não sou um génio, mas… » antes de dar a sua opinião. Em vez de reforçar o seu argumento, atrai a atenção sobre as suas próprias dúvidas, enfraquecendo a sua credibilidade.
Ao expressar-se assim, implica que as suas ideias não são totalmente assumidas ou que duvida da sua validade.
Porque é que alguém iria levar a sério as suas palavras se você não o faz?
É preferível apresentar as suas ideias com confiança. Não precisa de ser um génio para justificar um ponto de vista relevante. A confiança naquilo que diz é muitas vezes mais convincente do que a perfeição intelectual.
6. « Estou apenas a dizer isso… »
Alguma vez terminou uma observação com « Estou apenas a dizer isso… »? Pense num responsável que critica uma ideia numa reunião e conclui com « Estou apenas a dizer isso… ». Embora possa parecer suavizar a crítica, isso, na realidade, transmite uma falta de certeza.
Essa frase sugere que não está completamente seguro do que afirma e que poderia recuar à primeira objeção.
Para parecer mais inteligente e credível, é melhor expressar os seus pensamentos com segurança e assumir as suas opiniões, mesmo que possam ser debatidas. Clareza e confiança no seu discurso valem mais do que uma prudência excessiva.
7. « Honestamente… »

Esta expressão funciona da mesma forma que « Para ser honesto… ». E, segundo especialistas em comunicação, expressões como « para ser honesto… » podem realmente suscitar dúvidas no ouvinte e tornar a mensagem mais difícil de ouvir claramente.
Imagine um estudante que apresenta seu projeto e começa com « Honestamente… ». Embora a intenção seja demonstrar franqueza, isso pode fazer parecer que o que foi dito anteriormente era discutível.
Na verdade, isso pode tornar as suas palavras menos convincentes e fazê-lo parecer defensivo, como se precisasse de justificar cada palavra.
Antes de usar « Honestamente… », pense no seu verdadeiro valor na sua frase. Muitas vezes, é mais poderoso deixar que as suas ideias falem por si, sem adicionar essa ressalva.
8. « Vou tentar… »
Finalmente, chegamos ao último ponto, mas não menos importante: a expressão « Vou tentar… ».
Embora pareça inofensiva, sugere um risco de falha. Transmite, sem querer, uma falta de confiança ou de comprometimento, como se não estivesse certo de que possa realizar a tarefa.
Imagine um coach desportivo que lhe diz: « Vou tentar fazê-lo progredir esta semana ». Isso soa muito menos convincente do que « Vou ajudá-lo a progredir esta semana ». A simples alteração de formulação reflete mais determinação e inspira mais confiança.
Para parecer mais inteligente e credível, afirme as suas intenções com segurança.
Estudos em linguística mostram que expressões de incerteza são percebidas como marcadores de dúvida e afetam a forma como os interlocutores interpretam as mensagens (por exemplo: « talvez », « eu penso que… », « eu suponho que… »).
Substituir « Vou tentar… » por « Vou… » é uma pequena modificação que pode ter um enorme impacto na percepção das suas competências e seriedade.
E agora?

Agora que discutimos estas expressões a evitar, é útil refletir sobre a frequência com que as utilizamos nas nossas conversas.
O objetivo não é tornarmo-nos excessivamente críticos em relação a cada palavra que pronunciamos. Trata-se de adotar uma abordagem mais consciente e reflexiva da comunicação.
A comunicação é uma arte que exige paciência e prática. Neste percurso, o objetivo não é a perfeição, mas sim a melhoria contínua.
Mantenha em mente as ideias partilhadas neste artigo. Pense sobre elas, aplique-as progressivamente e use-as como um trampolim para expressar as suas ideias com mais segurança nas suas conversas.




