A jornada de ser mãe, ou pai, é uma experiência absolutamente única, repleta de momentos de alegria, mas também de desafios diários. A gestão da rotina familiar, o cansaço, as responsabilidades e a carga mental fazem parte do cotidiano de qualquer progenitor, levando a períodos mais exigentes. Apesar da ideia comum de que uma **família numerosa carrega automaticamente mais pressão**, os dados recentes sugerem que a realidade não é tão simples. Uma nova pesquisa revela que algumas configurações familiares podem ser mais desafiantes do que outras.
Um relatório do Bureau do Cirurgião Geral, intitulado “Pais sob Pressão”, revela que dois em cada cinco pais afirmam que, frequentemente, «estão tão estressados que mal conseguem funcionar». Aproximadamente metade dos progenitores considera esse estresse como «totalmente insuportável».
Ser mãe implica lidar com situações estressantes, independentemente do número de filhos em casa. Contudo, a premissa de que uma **família maior enfrenta mais desafios** está agora a ser reavaliada. Um estudo realizado com mais de 7.000 mães sugere que, na verdade, **não são as famílias mais numerosas que sentem o maior nível de estresse**.
De acordo com os dados de um inquérito da TODAY Mom, que entrevistou 7.164 mães, ter **três filhos parece ser a situação familiar associada ao maior nível de pressão**.
Este dado pode ser surpreendente, uma vez que três filhos não representam uma família considerada verdadeiramente grande.
Além disso, as mães com menos ou mais filhos relataram sentir menos estresse do que aquelas com três filhos.
Por que três filhos parecem ser um desafio particularmente difícil de gerir?
Rebecca Dube, jornalista da TODAY, descreveu este fenômeno como o “**efeito Duggar**”, em referência à famosa família Duggar, conhecida por ter 19 filhos. De acordo com essa observação, uma vez que um certo número de crianças é atingido, alguns pais tendem a se adaptar melhor e a sentir menos pressão.
«Após um determinado ponto, a vida parece tornar-se mais fácil de organizar», explica Dube. Muitas mães corroboram esta experiência.
Outros pais também partilham este sentimento ao atingirem o terceiro filho.
Muitos afirmam que a chegada de um novo filho não é apenas mais uma responsabilidade, mas pode **desorganizar a configuração familiar** já estabelecida.
Relatos de mães evidenciam que, com três filhos, torna-se mais complicado equilibrar as necessidades individuais de cada criança, as tarefas diárias e o tempo pessoal. Elas descrevem essa fase como uma fase de adaptação intensa, onde se aprende a delegar mais e a aceitar que nem tudo pode ser контролado, revendo assim as prioridades.
Entretanto, para muitos, esta etapa é uma experiência enriquecedora, permitindo um aumento da confiança nas suas capacidades parentais e na descoberta de uma nova dinâmica familiar.
O perfeccionismo parental pode acentuar a pressão

A psiquiatra Janet Taylor, mãe de quatro filhos, concorda que três crianças podem ser uma fase particularmente exigente. Segundo ela, é frequentemente a partir deste ponto que alguns pais sentem um maior impulso de querer controlar e atender perfeitamente às necessidades de todos.
Ela aponta, todavia, que com a experiência, muitos dos pais aprendem gradualmente a relativizar. «Quanto mais filhos se têm, mais confiança se desenvolve nas suas capacidades parentais», refere ela. Com o passar do tempo, alguns aprendem a aceitar que nem tudo será perfeito e a focar no que realmente importa.
A carga mental das mães continua a ser uma questão importante
No contexto do inquérito, as participantes avaliaram o seu nível de estresse numa escala de 1 a 10, obtendo uma média de 8,5, o que evidencia a pressão sentida por muitas mães.
Além disso, 75% das participantes relataram que se impõem mais exigências e restrições do que aquelas que sentem por parte do seu entorno.
Para gerirem melhor esta carga mental, o Dr. Taylor aconselha pais a tomarem um passo atrás em relação à sua organização diária. Ele sugere uma prática simples: **anotar como realmente utilizam o seu tempo** e depois comparar essa realidade com a forma como gostariam idealmente de distribuir os seus dias.
O objetivo é identificar uma atividade importante para o seu bem-estar e encontrar uma forma de a incorporar, mesmo que de maneira limitada, na sua rotina.
O estresse parental não depende exclusivamente do número de filhos

Embora três filhos possam representar um momento particularmente exigente para algumas famílias, as dificuldades da parentalidade não se reduzem a este número. Cada etapa da parentalidade carrega seu próprio conjunto de responsabilidades, dúvidas e problemas.
O estresse parental é hoje reconhecido como um verdadeiro problema de saúde pública, tanto em França como no estrangeiro. Em 2024, o diretor-geral da saúde pública dos Estados Unidos publicou um relatório sobre a pressão sentida pelos pais, sublinhando a necessidade de se prestar mais atenção ao seu bem-estar mental e reforçar os apoios disponíveis.
Na França, esta problemática também está a receber uma atenção crescente. A Saúde Pública França dedicou um dossier ao risco de exaustão parental, ressaltando que a sobrecarga de responsabilidades, a falta de apoio e o estresse constante podem ter consequências significativas na saúde mental dos pais.
A instituição lançou ainda a estudo Évane para compreender melhor as vivências dos pais de crianças pequenas, incluindo a sua carga de estresse, as pressões sentidas no seu papel e os fatores que influenciam o seu bem-estar no dia a dia.
Essas investigações demonstram que as dificuldades da parentalidade não dependem unicamente do número de filhos, mas também de vários elementos, como a organização familiar, o apoio disponível e as expectativas autoimpostas.
Assim, o número de filhos é apenas um dos fatores a considerar. A fadiga, as expectativas pessoais, a organização familiar e a falta de tempo podem também influenciar significativamente a sensação de sobrecarga sentida pelos pais.
Uma parentalidade que se aprende com o tempo

Mais para além do número de filhos, cada família desenvolve o seu equilíbrio, avançando ao seu próprio ritmo. Os momentos de estresse são parte integrante da parentalidade, acompanhando-se de muitos momentos de cumplicidade, alegria e recordações felizes.
Com o passar do tempo, os pais vão desenvolvendo as suas próprias referências, aprendendo a lidar melhor com as surpresas e ganhando confiança. Não existe um modelo perfeito ou uma única maneira de educar os filhos; o mais importante é encontrar um modelo que se adeque a cada família.
Mesmo quando algumas fases parecem mais difíceis, elas podem ser uma oportunidade de crescer, de fortalecer os laços familiares e de aproveitar plenamente os pequenos prazeres do dia a dia.
Porque, além dos desafios, a parentalidade continua a ser uma aventura humana marcada por emoções intensas e momentos inesquecíveis.
Este artigo é apresentado apenas para fins informativos e de reflexão. Não substitui a avaliação médica, psicológica ou profissional. As noções aqui discutidas baseiam-se em investigações publicadas e em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação específica, consulte um profissional qualificado.




