Victorino Martín: Conheça o homem que revolucionou a criação do toiro bravo

D. Victorino Martín Andrés faleceu ontem aos 88 anos na sua Herdade de Monteviejo, na região da Estremadura. Vamos conhecer um pouco mais sobre um dos mais emblemáticos ganadeiros da História da Tauromaquia.

Victorino Martín Andrés nasceu a 6 de Março de 1929 na localidade de Galaspagar, na Comunidade de Madrid.

A vida, desde cedo, que não lhe sorriu. Rebentava a Guerra Civil espanhola em 1936 e seu pai, Adolfo Martín Miguel, morria fuzilado logo nos primeiros meses do conflito em Paracuellos de Jarama, tinha Victorino apenas uns tenros 8 anos de idade.

Ingressou os seus estudos em Madrid, mas foi obrigado a abandoná-los aos 16 anos para ajudar seus tios no negócio de venda de carnes. Foi um incentivo para criar o seu próprio negócio de venda de carnes com os seus irmãos – o facto de lidar com os diversos negócios relacionados às carnes, levou-o a aprofundar os seus conhecimentos relativamente ao tratamento do gado bravo e a adquirir algumas reses que chegou a colocar em alguns espectáculos taurinos que começou a organizar na região de Madrid.

Em 1953, inscreveu-se com os seus irmãos na Associação de Ganadeiros de Reses de Lide com o ferro “V” – o mesmo ferro com que a sua família havia ferrado as reses bravas desde os tempos de seu avô, Venâncio, tendo-se firmado com o nome de Ganadaria Adolfo Martín Andrés. Poucos anos depois, em 1960, adquiria o seu primeiro lote de vacas aos Irmãos Escudero Calvo, gado que pertencera antes a José Bueno e ao Marquês de Albaserrada. Colocou os seus primeiros novilhos em praça, ainda sob o nome de Escudero, numa Novilhada em Saragoça em 1961; e a sua primeira Corrida aconteceu meses depois na inauguração de Praça de San Sebastián de los Reyes – toureavam António Bienvenida, Antoñete e Curro Montes. Em 1963, saía pela primeira vez em ombros na Praça de Aranjuez, tendo debutado em Las Ventas (Madrid) em 1965. Toiros com o nome oficial da Ganadaria Victorino Martín eram lidados pela primeira vez em 1967, na Praça de Castro Urdiales (Cantábria).

Em 1969, Victorino Martín alcançava o seu primeiro grande triunfo – o matador Andrés Vásquez cortava duas orelhas a um bravo e bem rematado toiro, de seu nome “Baratero”. Era o primeiro dos 17 toiros premiados com volta à arena em Las Ventas. O grande destaque ocorreu em 1982, na cébere Corrida do Século em Madrid – Francisco Ruiz Miguel, Luís Francisco Esplá e José Luís Palomar saíam em ombros depois de terem cortado três orelhas cada um. Todavia, o grande marco da Ganadaria sucedeu no mesmo ano, igualmente na Feira de San Isidro, quando o toiro “Velador” entrava para a história como o primeiro e único toiro a ser indultado em Las Ventas, depois de uma majestosa lide de Ortega Cano, num grande Concurso de Ganadarias organizado pela Associação da Imprensa Espanhola.

Recordamos também o célebre toiro “Cobradiezmos”, indultado o ano passado em Sevilha pelo matador Manuel Escribano, e que constitui um dos marcos mais importantes da história da Real Maestranza de Caballería.

Victorino Martín foi condecorado em vida com a Grã-Cruz da Ordem de 2 de Maio (2011), com o Prémio Cultura da Comunidade de Madrid na categoria de Tauromaquia (2012) e com o Prémio Nacional de Cultura, no passado mês de Setembro, entregue pelo Rei Filipe VI, naquela que foi a última aparição pública do ilustre ganadeiro.

Victorino Martín faleceu ontem, após ter sofrido um acidente vascular cerebral na passado domingo.

 

19 de Julho de 1962: Toiro “Belador” da Ganadaria Victorino Martín, o único toiro indultado até hoje na história da Praça de Las Ventas, em Madrid, lidado pelo matador José Ortega Cano na Corrida da Imprensa.

 

 

O toiro “Cobradiezmos”, com 562 kg, marcou a Temporada de 2016 em Sevilha, ao ser indultado por Manuel Escribano.

 

 

 

Fotografia: Estebán Martinera (Agência EFE)

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