Vasco Pinto, um dos nossos

Crónica

Num mundo cada vez mais afectado pelos efeitos da globalização, pela perda de identidade dos povos, pelo desaparecimento de tradições e manifestações culturais seculares, é cada vez mais dificil encontrar um recanto que ainda conserve a sua magia e que consiga fundir a modernidade com a beleza do tradicional.

Temos o privilégio de ainda ter no nosso país alguns lugares plenos de magia, que nos fazem viajar no tempo e teimam em nunca sair do nosso coração. É o caso de Alcochete.

Não é hábito meu falar de política mas numa altura em que os grandes lobbys tentam aproveitar-se de tudo e todos para lucro próprio, não olhando à destruição de paisagens, ao desemprego e ao esquecimento de tradições que são a identidade de um povo, torna-se imperativo ter uma autarquia virada para os seus, que veste a camisola e luta lado a lado contra esses poderes instalados.

Alcochete volta a ter este ano um candidato diferente, com a experiência consolidada destes últimos quatro anos como vereador e tem agora o apoio de dois partidos em coligação.

Digo um candidato diferente porque odeio políticos e Vasco Pinto não é um político – é alguém apaixonado pela sua terra e que vê aqui a melhor forma de a defender e de lutar por ela.

Os ataques às nossas tradições e às raízes culturais são cada vez maiores e de todos os quadrantes, temos de nos precaver com alguém capaz de lhes fazer frente.

Desde pequeno que conheço bem Alcochete mas foi através dos meus amigos dos Amadores de Alcochete e do Barrete Verde que aprendi a viver Alcochete. Estas duas instituições levam o nome da sua terra além fronteiras mostrando ao mundo a valentia e entrega do homem Alcochetano.

Com eles aprendi que Alcochete é a melhor terra do mundo, onde o magnânimo Tejo vem descansar e dar o que de melhor tem aos braços trabalhadores dos salineiros… onde o peixe tem outro sabor; onde as gentes têm orgulho nas fachadas das suas casas e na limpeza das ruas, na graciosidade dos seus jardins e na preparação das suas festas anuais onde exaltam os seus heróis: o barrete verde e as salinas.

Falar do Vasco como forcado não é difícil, é um dos maiores da sua geração e seguramente da história, um forcado para qualquer tipo de toiro e que nunca virava a cara.

Mesmo sendo filho de um forcado histórico, manteve sempre a sua humildade e nunca deixou que esse peso pairasse sobre ele.

Não é, portanto de estranhar que os seus pares o tenham eleito para os liderar.

Para ser cabo não basta ser um grande forcado. Foi aí que o Vasco se revelou um ser humano de excepção, um líder nato que através do exemplo conseguiu unir um grupo de estrelas, sempre dispostos a tudo pelo seu cabo e por Alcochete.

Quando surgia um toiro mais complicado e mesmo sabendo que tinha elementos dispostos a enfrentá-lo de sorriso nos lábios… o Vasco dava o exemplo e ficava com ele. O espírito de superação que incutiu no conjunto proporcionou-nos tardes e noites históricas e inesquecíveis… Como aquele toiro de Dias Coutinho que por quatro vezes dizimou um grupo (que não falhou), não virando a cara foi ele mesmo à cernelha com mais duas tentativas históricas e selou uma página indelével na história da forcadagem.

É este o guerreiro que no próximo dia 1 de Outubro vai concorrer à autarquia: alguém que aprendeu a não virar a cara e a ir sempre até ao fim por Alcochete.

Tenho o privilégio de ser seu amigo e ao longo dos anos por sua influência fui-me apaixonando por esta terra mágica, sinto falta dela quando passo muito tempo sem lá ir, sinto falta dos meus amigos e das suas gentes.

É este milagre que o Vasco Pinto consegue… não só que as pessoas vão a Alcochete e que lá queiram estar mas…como que tragam um bocadinho de Alcochete para sempre no coração.

Às vezes dou por mim a ver imagens no facebook de alguém que está em Bali ou no outro lado do mundo com a legenda “o melhor  pôr do sol do mundo” e penso para comigo… coitadinhos, não conhecem Alcochete.

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