A questão que muitos se colocam é a seguinte: por que é tão complexo ter um QI elevado? Afinal, uma pontuação elevada não garante o sucesso nem torna a vida mais simples.
Para alguns, ter uma inteligência muito acima da média é mais uma maldição do que uma bênção. Quais são, então, as dificuldades que enfrentam aqueles que possuem um QI elevado?
A psicóloga clínica Angelica Shiels elucida as razões pelas quais indivíduos com um QI elevado podem encontrar desafios:

Segundo a psicóloga, **ter uma inteligência elevada é uma forma de neurodivergência**, que pode afetar tanto as relações interpessoais quanto o bem-estar psicológico. O QI médio ronda os 100, e o desvio padrão é de cerca de 10 pontos.
Shiels explica que, ao descer três desvios padrão em relação à média, chegamos a um QI de 70. **Uma pessoa com QI 70 possui dificuldades significativas em adquirir habilidades básicas e autonomia**.
Mas como isso se relaciona com uma inteligência muito elevada? Quais são as características de um indivíduo de alto potencial?

Apenas **2% da população possui um QI de 130 ou mais**, o que implica que é raro encontrar alguém com tal capacidade. A maioria dos profissionais que encontramos, como médicos ou advogados, apresenta um QI em torno de 120.
Shiels adiciona que isso facilita a assimilação de novas informações e a memorização. Contudo, aqueles com QI ainda mais elevado nem sempre seguem esta tendência. Apesar de possuírem grande capacidade de memória, a conexão com o mundo não é garantida.
Ainda assim, os indivíduos de alta inteligência frequentemente sentem uma falta de estimulação em muitos aspectos da vida.

Shiels destaca que a **maior parte das pessoas com altas capacidades intelectuais enfrenta problemas como a depressão ou a solidão**. A sua inteligência frequentemente as faz sentir-se isoladas e desconectadas do mundo à sua volta.
A terapeuta Imi Lo acrescenta que esses indivíduos têm dificuldade em manter relações devido à falta de estimulação intelectual e à superficialidade dos encontros contemporâneos. Além disso, podem considerar a universidade como uma perda de tempo, por não a acharem suficientemente envolvente ou relevante para o seu crescimento intelectual.
Por isso, é comum que essas pessoas busquem empregos arriscados, à procura da estimulação que as faz sentir vivas.

Shiels salienta que **as pessoas com inteligência muito elevada têm um cérebro distinto**, que não simplesmente reage emocionalmente às situações, mas busca compreender o seu significado. Para muitos, esta abordagem pode ser desconcertante.
A razão é que **nossas identidades e o nosso mundo não são sempre compreensíveis logicamente**. Às vezes, é necessário um esforço para desbravar essas complexidades. Assim, se você se encontra nesta faixa de QI elevado, pode muito bem enfrentar características neurodivergentes que requerem atenção especial. Contudo, com o auxílio adequado, é possível aprender a ver essa condição como uma **capacidade** a ser celebrada.
Qual é a forma mais elevada de inteligência?
A forma mais elevada de inteligência pode ser encarada como a capacidade de compreender e interagir harmonicamente com o mundo ao nosso redor, ao mesmo tempo que se cultiva uma consciência profunda de si mesmo e dos outros. Isso abrange habilidades cognitivas como a resolução de problemas complexos e o pensamento crítico.
No entanto, também envolve aspectos emocionais, como **a empatia, a compaixão** e a capacidade de estabelecer relações sólidas. Uma inteligência elevada manifesta-se na habilidade de **adaptar-se, aprender e evoluir constantemente**.
Qual é o QI máximo possível?
Um dos intelectos mais brilhantes da atualidade é Terence Tao, que detém um impressionante QI de **230**. A média de QI situa-se à volta de **100**, o que significa que mesmo **o QI de Albert Einstein, que era de apenas 160**, fica consideravelmente abaixo do valor de Tao.




