Uma mãe diz que “ignorar” seus filhos pode ajudá-los a se tornar menos ansiosos

Num artigo recente, Kalli Colford, mãe e escritora, partilha a sua experiência a respeito da parentalidade moderna e da importância de permitir que as crianças enfrentem as suas próprias dificuldades. Em tempos em que muitos pais tendem a ser excessivamente protetores, Colford optou por uma abordagem mais distante, focando no desenvolvimento da **autoconfiança** dos seus filhos.

Ela enfatiza que a intervenção constante dos adultos na vida das crianças, mesmo em situações onde estas poderiam aprender a lidar sozinhas, pode gerar uma geração de jovens dependentes e inseguros.

Para mitigar isso, Colford adotou uma postura consciente de se afastar um pouco, admitindo que, em certas situações, chegou a “ignorar” os filhos. Essa decisão, segundo ela, não é um sinal de abandono, mas sim uma forma de dar a liberdade necessária para que as crianças cresçam de forma saudável e se tornem mais autónomas.

A decisão de “ignorar” para ajudar a amenizar a ansiedade

Imagens: Pexels e Freepik

Vários estudos indicam que a **excessiva intervenção parental**, muitas vezes chamada de “parenting hélicoptère”, está associada a níveis mais elevados de **ansiedade** e dificuldades emocionais em crianças e adolescentes. Uma revisão de estudos revela que esse tipo de parentalidade controladora tem relação com sintomas de ansiedade e depressão entre os jovens.

“O clique aconteceu quando estávamos no parque e eu não parava de dizer à minha filha o que ela deveria fazer para brincar corretamente com as outras crianças. Uma mãe me olhou e disse: ‘Não precisas controlar tudo, deixa-os experimentar por si mesmos.’ Essas palavras me fizeram refletir”, partilha Colford.

Colford explica que a distância que mantém voluntariamente com os filhos é guiada por **amor incondicional**. Ela admite que seu primeiro impulso foi de se comportar constantemente como professora, treinadora e narradora. Apesar de continuar a ser uma mãe presente, respondendo a mensagens escolares e organizando atividades, ela gradualmente se afasta nas suas interações diárias.

“Clinicamente, observamos que uma geração de crianças tem menos oportunidades de vivenciar frustrações gerenciáveis e aprender com elas. Quando os pais absorvem toda a incerteza, os filhos perdem a chance de desenvolver competências emocionais como **paciência**, **capacidade de resolução de problemas** e **tolerância à dor**”, explica a Dra. Nina Mafrici, psicóloga clínica.

“Quanto mais os pais temem a desconforto, mais a criança se torna ansiosa em relação a enfrentá-lo.”

A importância de permitir que as crianças experimentem frustrações gerenciáveis

Pesquisas demonstraram que quando os pais controlam excessivamente a vida de seus filhos, isso pode frustrar as suas **necessidades psicológicas** fundamentais, como a **autonomia**, resultando em níveis elevados de ansiedade. Uma outra pesquisa indica que o apoio à autonomia por parte dos pais está associado a uma melhor saúde mental, enquanto a **interferência** excessiva pode levar a dificuldades de adaptação social e emocional.

É fácil para os pais arruinar a **maravilha** da infância, intervindo ou controlando tudo. Ao permitir que as crianças explorem o mundo por conta própria, damos-lhes a oportunidade de desenvolver **confiança** e **autonomia**.

É essencial confiar nas crianças e acreditar que elas incorporam as lições que lhes ensinamos em suas escolhas. **Estimular a coragem** também contribui para sua independência.

“A confiança não se constrói no conforto absoluto; ela se desenvolve nos pequenos momentos em que deixamos as crianças encontrarem suas próprias soluções. Do ponto de vista do desenvolvimento, essa distância não é um afastamento, mas uma fé na capacidade da criança de enfrentar e se adaptar”, conclui Mafrici.

Soltar as rédeas sem se ausentar

Para muitos pais, soltar as rédeas pode parecer contra-intuitivo, especialmente quando o objetivo é proteger os filhos de qualquer tipo de desconforto. No entanto, retirar-se das intervenções constantes não significa estar ausente ou indiferente.

Essa atitude consiste em observar, apoiar quando necessário e permitir que os filhos vivam suas próprias experiências, o que pode ajudá-los a se tornarem mais **resilientes** e menos ansiosos a longo prazo.

Aqui estão algumas dicas para soltar as rédeas enquanto se mantém presente:

DicaDescriçãoBenefícios para a criança
Delegar pequenas responsabilidadesAtribuir tarefas adequadas à idade (preparar um lanche, guardar as coisas, decidir sobre uma atividade)Desenvolve o sentimento de competência e a capacidade de tomar decisões
Estimular a autonomia nos jogosPermitir que as crianças brinquem livremente, criem regras e resolvam pequenos conflitos sozinhasEstimula a criatividade e a resolução de problemas
aceitar errosNão corrigir imediatamente os erros, mas usá-los como oportunidades de aprendizadoEnsina a resiliência e a habilidade de tirar lições das experiências
Praticar a escuta genuínaFazer perguntas abertas em vez de resolver o problema por elesIncentiva a reflexão e a autonomia na tomada de decisões
Oferecer conforto sem controle excessivoEstar presente para responder em caso de necessidade, sem intervir sistematicamenteFortalece a autoconfiança e reduz a ansiedade
Proporcionar tempo livre sem orientaçõesPermitir que escolham como ocupar seu tempo ou até mesmo se entediar um poucoEstimul

a autonomia, a criatividade e a gestão do tédio

Ao permitir que seus filhos explorem, experimentem e, por vezes, cometam erros, os pais abrem espaço para que eles se tornem mais confiantes, autônomos e resilientes.

Soltar as rédeas não é um ato de abandono, mas sim um gesto de amor que prepara as crianças para lidarem com os desafios da vida.

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