Um São Torcato, e outra vez Moura

Corrida Concurso de Ganadarias 22 Junho

Numa ilha em que se dá primazia e real importância ao Toiro, qualquer corrida concurso é forte aperitivo para a afición local. Assim sendo, a tradicional Corrida Concurso de Ganadarias das Sanjoaninas, abriu portas à edição 2019 desta Feira Taurina, consolidada sem dúvida como uma das melhores em território nacional.

São Pedro foi generoso, brindando com uma tarde de sol. Público a preencher ¾ fortes de casa, e com vontade de fazerem parte da festa, levando a que a corrida decorresse em ambiente agradável.

Cortesias feitas, e à ordem do director de corrida Mário Martins, a primeira lide da tarde coube em sorte ao algarvio Filipe Gonçalves, frente a um toiro da ganadaria Oliveira e Irmãos, ostentando o nº 160. Não se livrou de um susto ainda antes do primeiro ferro. Andou correto na colocação da ferragem comprida, e depois de um primeiro curto descaído, acertou a mão numa série de cinco curtos, frente a um toiro que colaborou mas que transmitia pouco na reunião. Em cartel repartido, a pega a este Joalheiro foi consumada à primeira tentativa e à barbela por Gonçalo Pires, dos Forcados Amadores de Évora, com o toiro a meter bem a cara, sem complicar e com o grupo a fechar-se bem.

O cavaleiro Tiago Pamplona, a jogar em casa, teve um Rego Botelho como primeiro do seu lote. Cedo percebeu-se que o cavaleiro vinha com ganas de triunfo e com vontade de animar os aficionados. Dobrou-se bem com o oponente, que acusou na balança 506 Kg, e embarcou numa lide segura e regular. Toureou a gosto, com bregas cingidas e com ferros curtos bem colocados. Com o toiro já a proteger-se em tábuas, terminou a lide com um violino que chegou às bancadas. Saltou à arena o forcado Francisco Matos, sendo cara pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Não aguentou os primeiros derrotes, e fechou-se ao terceiro intento com o grupo em cima.

Numa forma invejável, João Moura Júnior não queria deixar créditos por mãos alheias. Lidou o toiro mais pesado da corrida, uma estampa com 574 Kg, da Casa Agrícola José Albino Fernandes. Faltou condimento à sua lide, uma faena que cumpriu de forma amena e sem grande emoção, uma vez que o astado também acusou o peso e era reservado a transmitir. Pelos Amadores de Évora, pegou à primeira tentativa o forcado Miguel Direito. Fechou-se à córnea numa pega de valor e bastante aplaudida.

A segunda parte da corrida chegou de mansinho, mas depressa arrebitou com a lide de Filipe Gonçalves. Andou irregular na ferragem comprida, frente a um bonito e bem apresentado flavo da ganadaria continental de São Torcato. O cavaleiro trocou de montada, trouxe o Chanel e empenhou-se com curtos colocados com batida ao pitón contrário, destacando-se o quarto ferro que chegou às bancadas. Lide em crescendo, com um toiro prestável e que foi de menos a mais. Filipe Gonçalves não terminou a lide sem antes trazer do pátio de quadrilhas um dos seus cavalos chave, tirou partido do seu cardápio de adornos, e findou em sorte violino, e com um ferro de palmo, deixando a assistência em alvoroço. Capitaneados por João Pedro Ávila, os forcados da TTT pegaram à terceira tentativa, sendo cara o pequeno mas valoroso Luís Sousa.

Tiago Pamplona não quis ficar para trás dos seus alternantes. Para isso teve um parceiro à altura, um castanho mulato da ganadaria Passanha Sobral, cooperante e alegre, de corte fino e elegante. O cavaleiro da Quinta do Malhinha esteve certeiro na colocação dos curtos, numa lide em que se esmerou e tentou tirar partido do oponente, toiro com movimento mas que por vezes rachava nas bregas. Destaque para dois ferros em sorte violino, o segundo de risco e já entre tábuas. Os aficionados reconheceram a entrega do açoriano, e Pamplona ficou bem na montra, a escassas semanas de confirmar alternativa no Campo Pequeno. Os forcados de Évora despediram-se da Praça de Toiros da ilha Terceira com uma pega ao primeiro intento, consumada pelo cabo João Pedro Oliveira.

Ao sexto da ordem, e quando a noite já caía na cidade de Angra, entrou em praça Moura Júnior, para a lide do toiro da ganadaria de João Gaspar, um negro bonito e de irrepreensível apresentação. Destacou-se pela mobilidade apresentada, arrancava de qualquer lado, permitindo ao cavaleiro de Monforte tourear a gosto. Moura escolheu bem os terrenos, carregou nas sortes e deixou ambiente na praça, com o quarto e quinto curto, a citar de praça a praça e a cravar ferros de verdade, terminando em crescendo uma lide correta. Pegou pelo Grupo da Tertúlia Tauromáquica Terceirense o cabo João Pedro Ávila, ao segundo intento, e substituindo Tomás Ortins, que saiu tocado na primeira tentativa.

Terminado o espectáculo, perfilaram na arena todos os intervenientes, a fim de se proceder à entrega dos prémios anunciados. O júri, anunciado no início da corrida, atribuiu a João Moura Jr. o troféu de melhor lide, frente ao sexto e último da corrida. O troféu de melhor grupo de forcados foi atribuído aos Amadores de Évora. A ganadaria de Passanha Sobral arrecadou o troféu de melhor apresentação, toiro nº 18 e lidado em quinto lugar, sendo que o prémio de melhor toiro foi atribuído ao nº 340 de São Torcato, quarto da ordem lidado por Filipe Gonçalves.

 

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