Triunfos de Salvador, Rouxinol, António (filho) e Dias Gomes na Daniel Nascimento

Ontem a Daniel Nascimento voltou a abrir as suas portas, corrida comemorativa dos 100 anos da Associação Nacional de Toureiros, de José Casimiro e Nuno Pardal.

Também se comemorava os 70 anos do Fundo de Assistência que entre muitas tarefas têm a seu cargo a educação dos profissionais tauromáquicos e seus filhos; assistência médico-cirúrgica, entre outras. Ontem foram angariados 29 mil euros para esta tão nobre causa.

Em praça estiveram de forma graciosa os cavaleiros, Rui Salvador, Luís Rouxinol, Ana Batista, António Ribeiro Telles filho, Manuel Dias Gomes e Joaquim Ribeiro Cuqui. Também os ganaderos Joaquim e António Raul Brito Paes, David Ribeiro Telles e Calejo Pires se juntaram a esta causa. Pegaram os Amadores da Moita e Alcochete.

Foi uma tarde de altos e baixos… Longa, demasiado longa… Mas com alguns triunfos a destacar!

Os toiros lidados tiveram comportamento diverso: Pela positiva destaque para o lidado em último lugar de Joaquim Brito Paes, era um taco, bonito, com cara, baixo, reunido e de nota superior; O primeiro foi toiro que não causou problemas de maior com o senão de ser demasiado distraído, também tinha o tinha o ferro de Joaquim Brito Paes; O quarto de António Raul foi um toiro disponível, bonito e com bom tipo; De David Ribeiro Telles foi o terceiro e quinto, dois toiros grande e altos, demasiado altos… Quanto ao comportamento, o quinto foi encastado e teve emocionantes investidas, o terceiro foi um manso mas a esse já irei a quando escrever da lide do seu matador; O segundo foi um bonito Calejo Pires, nobre, quis mais que pôde, acabando por lhe faltar algum fundo.

Abriu praça Rui Salvador numa boa lide, este cavaleiro de Tomar tem vindo a fazer uma temporada em crescendo e ontem o que fez na Daniel Nascimento merece destaque maior. Brindou a lide a António Ribeiro Telles, que recebeu o brinde visivelmente emocionado. Bem nos compridos com destaque para o segundo. A brega foi de nota alta, os ladeios bonitos e toureiros, o primeiro ferro cravado em curto, em terrenos de dentro, a rematar levando o toiro embebido no estribo do cavalo até ao centro da arena é um dos momentos altos da tarde. Também o terceiro merece destaque. Salvador percebeu o toiro que tinha por diante, tapou-lhe defeitos e fez ressaltar as qualidades do oponente.

O segundo da ordem que tocou em sorte a Luís Rouxinol, foi devolvido aos currais depois do primeiro comprido por evidentes dificuldades de locomoção. Foi corrido turno e saiu o que estava destinado a ser lidado em terceiro lugar pelo matador Manuel Dias Gomes. Tinha o ferro de Calejo Pires, o bonito castanho, Manel, recebeu por bonitas e templadas verónicas. No quite matador voltou a ouvir os olés dos tendidos por saltilleras, rematando com larga. Cuqui também entrou em quites e foi aí infelizmente que se viu mais a gosto este matador durante toda a tarde. Grande tercio de bandarilhas de João Ferreira e Miguel Batista, que foram obrigados a agradecer montera em mão pelo público. A faena de muleta foi templada aproveitando de início a investida do Calejo, de meio da faena para diante o toureiro teve que encurtar distâncias, visto que o oponente veio a menos. De boa nota foram os naturais, e de nota alta os redondos pela direita, rematados com passes de peito de píton a rabo. O arrimon na segunda parte da faena mostraram o valor e a firmeza deste matador metido entre os pitons do toiro, os desplantes toureiros foram ovacionados com força pelos presentes. Rematou a lide por bernardinas. Triunfou o Manel na Daniel Nascimento.

O terceiro tinha o ferro de David Ribeiro Telles, toiro indescritível por feio e fora de tipo do que é um toiro de lide… Com semelhante coisa escrevo eu, é impossível tourear a pé e até a cavalo em Portugal, Espanha, China, ou na lua… Segundo palavras do ganadero ao programa da Tauronews na passada quinta-feira, foi o toureiro que o escolheu… Disse António que até gostava mais de outros… Mas o que saiu foi o escolhido pelo matador Joaquim Ribeiro “Cuqui” e sinceramente não sei o que gostou de semelhante toiro… Logo que saiu dito animal disse o que era, com tamanha altura seria quase impossível humilhar, mas poderia passar, mas nem isso. Mirava uma barbaridade, derrotou por alto, ficava curto. Falar da faena ou lide protagonizada pelo Cuqui e quadrilha… foi a possível… Para mim andou demasiado tempo a justificar-se diante daquele animal. Há que cuidar muito, mas muito o toiro que sai e mais ainda quando é para ser lidado a pé em Portugal. Assim a malta que vai aos toiros apanha uma maçada das grandes e até pode ver alguma desgraça desnecessária, como ia sucedendo ontem na Moita. Bem sei que qualquer toiro pode ser difícil, complicado e colher um toureiro, mas uns mais que outros. E aquele, não enganava ninguém!

No quarto voltamos às lides a cavalo e foi a Ana Batista a cavaleira que lhe deu lide. Os ferros teimavam em não ficar cravados no morrilho do toiro no que lhe tocou em sorte no início, a lide acabou por não romper mais devido a esse facto. Mesmo assim há um par de ferros dignos de registo, mostrando a Ana a classe toureira que transporta nas suas actuações. Bem a mexer no toiro, rematando bem os ferros cravados.

O quinto foi o sobrero, toiro grande, alto, ofensivo de cara, toiro encastado. Luís Rouxinol cedo viu que o oponente que tinha por diante seria de cara ou cruz. Bons e emocionantes foram os compridos. Nos curtos a lide foi em crescendo, dando vantagens ao toiro, cravando bons curtos, aproveitando o empolgante galope do David Ribeiro Telles nos remates, o público vibrou e de que maneira com esta lide do cavaleiro de Pegões não lhe regateando ovações. Terminou a lide com um palmo de alta nota, público de pé e triunfo de Rouxinol.

Para o final ficou o de melhor qualidade da corrida e calhou em sorte a António Ribeiro Telles, filho. Este cavaleiro de dinastia vinha em substituição de seu pai, responsabilidade acrescida… A lide que receitou ao bravo Brito Paes foi soberba. Bem nos compridos, a lidar, a rematar os ferros, mas para mim o melhor foram as preparações devagar a ir sem pressas para o toiro, para cravar ao estribo daqueles que os livros dizem ser os de verdade, entrando nos terrenos do toiro e de alto a baixo deixar a bandarilha no morrilho, rematando por dentro com graça toureira. O público reconheceu o visto na arena e aplaudiu com força. Triunfo de António na Moita.

No capítulo das pegas Amadores da Moita e Amadores de Alcochete foram os convidados para bater as palmas aos toiros destinados para a lide a cavalo.

Abriu praça David Solo da Moita, numa boa pega à primeira tentativa, toiro distraído que pediu forcado em terrenos de compromisso. Saiu meio rebrincado mas os forcado soube solventar as dificuldades impostas e resolveu o problema. Fábio Silva à segunda tentativa, na primeira não reuniu da forma correta e o toiro não perdoou. Na segunda tentativa a reunião não teve falhas e a pega foi consumada.

Pelos Amadores de Alcochete abriu a função Victor Marques à segunda tentativa, toiro bruto, a vir com força e com a cara por cima, pedia forcado e grupo. Na primeira não se consumou a sorte, na segunda o Victor esteve bem a receber o grupo a ajudar a tentar parar aquela locomotiva, saiu maltratado um dos ajudas e o bandarilheiro João Bretes que foi literalmente atropelado pelo grupo e toiro, Graças a Deus estão os dois bem de saúde. Fechou a tarde, já noite José Freire numa boa pega à primeira tentativa.

Foi guardado um minuto de silêncio em memória de todos dos toiros falecidos e do ganadero José Infante da Câmara.

Dirigiu a corrida Ricardo Dias e foi médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

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