Transmissão de touradas foi destaque no programa do Provedor do Telespectador da RTP

No passado sábado, o programa do Provedor do Telespectador da RTP, “Voz do Cidadão”, voltou a ser dedicado ao tema das transmissões de touradas.

Foram vários os agentes que tomaram posição sobre a transmissão de touradas pela estação pública.

Contra, o deputado do PAN, André Silva, indicando a lei que excepciona a tauromaquia como manifestação cultural envolvendo animais, e um movimento anti-taurino que afirma que a existência de canais privados dedicados a corridas basta para a RTP não fazer transmissões de corridas.

Às queixas recebidas sobre a transmissão de espectáculos tauromáquicos pela RTP, o Provedor do Telespectador, Jorge Wemans, respondeu o seguinte:

“A RTP1, esta temporada, vai limitar-se à transmissão de três touradas. Sobre a transmissão de touradas pela RTP, a Entidade Reguladora sobre a Comunicação Social já se pronunciou, bem como, anteriormente e sobre o valor das mesmas, o Ministério da Cultura. Também o meu antecessor se pronunciou, mais do que uma vez, salientando que não deviam ser objecto de transmissão pelo serviço público de televisão. Creio, assim, que, para se impedir a transmissão de touradas na RTP1, talvez tenha de obter legislação específica nesse sentido. Penso também que os argumentos (pró e contra) são suficientemente conhecidos. Talvez tenha que ser exigida uma palavra a quem tem capacidade legal para impor uma decisão. Transmiti a sua opinião a quem de direito na RTP.”

Já a favor da transmissão de corridas de toiros da RTP, deram voz aos aficionados que endereçaram ao Provedor do Telespectador o seu contentamento pela transmissão de touradas, mas ao mesmo tempo as suas queixas devido à redução do número de corridas transmitidas, Paulo Pessoa de Carvalho e Luís Capucha.

Para Paulo Pessoa de Carvalho, da PróToiro, tem de haver uma convergência entre o sector tauromáquico e a estação pública de televisão para se chegar a um consenso unânime acerca da trasmissão destes espectáculos e que a RTP, enquanto estação pública, tem a obrigação de transmitir touradas.

Luís Capucha, aficionado e professor do ISCTE, defendeu que há hoje uma “ditadura cultural” a quem gosta de touradas e a elas deseja assistir através da RTP – segundo o professor, o movimento existe contra a transmissão de touradas não se funda no mau-trato animal, mas antes na imposição de um pensamento único sobre a maneira de ver a relação entre o homem e a natureza.

Aos aficionados que enviaram à RTP as suas opiniões, Jorge Wemans respondeu o seguinte:

“Em relação às touradas e à sua transmissão televisiva, já a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tomou posição. De resto, já anteriormente o Ministério da Cultura havia tomado posição quanto ao carácter cultural de tal manifestação. A legislação portuguesa tem, no entanto, evoluído, pelo que este é um tema em aberto. Tenho a comunicar-lhe que, tal como vem sendo prática nos últimos anos, a RTP voltou a reduzir o número de transmissões que terão lugar este ano: serão três quando no ano passado foram quatro. Assim sendo, temo que seja muito difícil que a presença de touradas na RTP venha algum dia a aumentar.”

Segundo dados da RTP, a Corridas na RTP têm uma média de espectadores em redor dos 400 mil telespectadores, atingindo picos de 700 mil telespectadores.

Gonçalo Reis veio a público, no passado dia 12 de Outubro no Campo Pequeno e depois na sua página pessoal no Facebook, que “há que valorizar o património e as tradições; que há que dar espaço à diversidade das preferências dos públicos; que há que promover o país descentralizado e os ambientes não urbanos; que devemos ter presentes as posições sucessivas da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e da Assembleia da República no sentido de assegurar graus de liberdade na programação e divulgação das várias manifestações da sociedade”.

Sobre estas declarações, que foram também alvo de diversas críticas, Jorge Wemans respondeu o seguinte:

“O Presidente do Conselho de Administração da RTP, Gonçalo Reis, exprimiu a sua opinião favorável às touradas, congratulou-se com a sua transmissão televisiva e sublinhou que a parceria entre o Campo Pequeno e a RTP é para continuar. Mas também referiu com clareza que a decisão de transmitir touradas é da responsabilidade do Director de Programas. Este já exprimiu publicamente que, pessoalmente, é contra as touradas. A intervenção do Presidente da RTP não é decisiva, mas vem colocar, sem dúvida, mais pressão sobre o Director de Programas da RTP1 para que continue a transmitir touradas. Darei seguimento da sua queixa a quem de direito.”

Jorge Wemans remata o programa respondendo à questão central: deve ou não a RTP transmitir corridas de toiros? Para o Provedor do Telespectador, a RTP não deve transmitir touradas. Mas, paralelamente, sustentou que a eventual abolição da transmissão de touradas não compete à RTP, uma vez que a mesma colocação já foi colocada por diversas vezes junto da Assembleia da República, que sempre decidiram favoravelmente à sua transmissão. Para Jorge Wemans, a solução do problema passa pela Assembleia da República, que é o órgão de soberania do Estado com competência para regular este tipo de matérias.

Da responsabilidade do Provedor do Telespectador, o programa que é exibido regularmente através de todas as estações do serviço público de televisão, e reflecte o tratamento dos casos mais significativos em cada semana trazidos à apreciação do Provedor pelos Telespectadores.

Veja aqui o programa “Voz do Cidadão” do passado sábado na íntegra.

 

 

 

 

Fotografia: Frederico Henriques

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