Ter uma vida muito mais feliz ao envelhecer: 6 pequenas coisas que podem realmente ajudar, segundo a ciência

Estudos demonstram que a **felicidade** não surge apenas de grandes acontecimentos, mas também de pequenas rotinas diárias. Os investigadores têm-se mostrado cada vez mais interessados na forma como gestos simples podem contribuir para o nosso **bem-estar emocional**. O stress e as responsabilidades do dia a dia dificultam a manutenção de um estado mental positivo. No entanto, existem estratégias simples para cultivar a alegria no quotidiano.

Até **pequenos atos** realizados regularmente podem ter um impacto significativo no nosso humor. Um projeto recente investigou esta ideia, focando-se nos “pequenos atos” que promovem a felicidade.

O projeto BIG JOY, uma colaboração do **Greater Good Science Center** da Universidade da Califórnia, em Berkeley, revelou que indivíduos que realizam diariamente “pequenos atos” de alegria durante uma semana apresentam um aumento de **25% no seu bem-estar emocional**, sentindo-se mais felizes à medida que envelhecem.

Uma análise recente publicada pelos cientistas por trás do BIG JOY Project mostra que a implementação de pequenas ações concretas para incentivar a felicidade ajuda os indivíduos a desenvolverem **melhor resiliência**, **menor stress** e **maior satisfação nas relações**.

1. Aprender a ver e valorizar o que está bem

Imagens Pexels e Freepik

Por exemplo, manter uma lista de **coisas pelas quais se é grato** ao longo do dia é uma excelente forma de tomar consciência dos aspetos positivos de uma vida por vezes difícil.

É fácil deixar-se absorver pela rotina entre trabalho, compromissos e reuniões, esquecendo o que nos faz sentir bem. Contudo, reconhecer o que nos traz alegria é uma boa maneira de nos lembrarmos da nossa ligação à realidade.

Seja anotando a sua lista de gratidão enquanto bebe o seu café da manhã, ou pensando nisso enquanto passeia o seu cão. Refletir ativamente sobre o que agradecemos ajuda, geralmente, a **alargar a nossa capacidade** de identificar esses momentos.

O Greater Good Science Center da Universidade da Califórnia, em Berkeley observou que aqueles que mantêm um diário de gratidão semanalmente ao longo de dez semanas tornam-se mais **otimistas** e dormem melhor do que aqueles que anotam as suas preocupações do dia a dia.

Escrever o que agradecemos habitua o nosso cérebro a notar mais facilmente os aspetos positivos, alterando gradualmente o nosso estado emocional básico.

2. Fazer da bondade um reflexo diário através de pequenas ações solidárias

Todos nós atravessamos períodos difíceis, em que nada parece correr a nosso favor. Para mudar a nossa perspectiva nestes momentos, é fundamental abrir-se aos outros e oferecer um pequeno gesto de bondade.

Basta, por vezes, enviar uma mensagem a um amigo a dizer “Estou a pensar em ti”, ou perguntar ao caixa do supermercado como está. Ao interessarmo-nos pelo bem-estar das pessoas à nossa volta, afastamo-nos das nossas preocupações diárias e reconectamo-nos.

A **bondade** é um fator preditivo constante de um maior bem-estar, mesmo que se trate de um gesto pequeno. Pesquisadores de Harvard descobriram que a bondade está associada a uma diminuição da ansiedade e a um sentimento de pertença mais forte, com benefícios a longo prazo.

3. Encontrar alegria na felicidade dos outros

Outra forma concreta de cultivar a alegria é partilhar a felicidade dos outros. Ao celebrar as conquistas de um próximo, demonstramos não só **bondade** e **generosidade**, mas recordamos também que os momentos bons existem, mesmo em tempos difíceis.

Os psicólogos usam um termo específico para descrever a alegria que sentimos pela conquista de outro: **freudenfreude**. Os benefícios desta prática são mais significativos do que se poderia imaginar.

O **Greater Good Science Center da UC Berkeley** estabelece uma ligação entre o compartilhamento das emoções positivas dos outros e um maior **felicidade**, relações mais fortes e **maior resiliência emocional** a longo prazo.

4. Acalmar e refletir para se reconectar consigo mesmo

Focar-se através da meditação ou introspeção é uma forma simples de fazer uma pausa, respirar e redefinir as suas intenções para o dia. Embora a meditação possa parecer complexa ou inacessível, existem técnicas simples que a tornam mais acessível.

Poderá perceber que reservar momentos para a introspeção se torna mais fácil com a prática. Simon-Thomas traçou um paralelo entre a manutenção do nosso bem-estar mental e emocional e a saúde física, afirmando que:

“Para manter-se em forma, é necessário exercitar-se”, subentendendo que uma boa **higiene mental regular** contribui para o nosso bem-estar. “Isto inclui definir intenções”, acrescentou.

Um estudo da Harvard revelou que a meditação mindfulness pode modificar fisicamente o cérebro, resultando em redução do stress e maior estabilidade do humor.

Benefícios semelhantes têm sido observados na memória e no aprendizado entre as pessoas idosas. Aqueles que praticam meditação regularmente também obtêm resultados melhores em testes de bem-estar do que aqueles que não o fazem, o que se alinha com as observações de Simon-Thomas.

5. Procurar sentido nos desafios da vida

Mesmo que nos comprometamos a praticar pequenos gestos de alegria, é provável que continuemos a passar por momentos difíceis no quotidiano.

Após tudo, nada é perfeito permanentemente. Contudo, esses momentos difíceis oferecem-nos **uma oportunidade de mudança de perspectiva positiva** através de técnicas de reformulação.

Quando um evento desagradável ou infeliz ocorre, podemos alterar a nossa perspetiva, identificando os aspetos positivos.

Como explica Elissa Epel, professora de psiquiatria, a prática de pequenos gestos de alegria permite-nos manter **um sentimento de controle** sobre os aspectos da nossa vida que não podemos controlar de outra forma.

Ela acrescenta: “Essas práticas muito curtas têm, indiscutivelmente, um impacto positivo duradouro”. Ou seja, mesmo quando o nosso ambiente é incerto ou restritivo, essas ações simples oferecem-nos um ponto de âncora, uma forma concreta de retomar o controle sobre o nosso cotidiano e nosso estado emocional.

Se bem que os pequenos gestos de alegria não possam transformar grandes sistemas de desigualdade ou garantir que as necessidades básicas de cada um sejam atendidas, a sua importância é evidente. Representam **recursos acessíveis a todos**, independentemente das circunstâncias, e introduzem maior leveza e sentido nos nossos dias.

6. Cercar-se de relações que fazem bem

Com o tempo, as pessoas mais felizes dão **maior importância à qualidade** das suas relações do que à quantidade.

Tomar regularmente notícias dos nossos próximos, partilhar momentos simples ou expressar **afeto** contribui para fortalecer os laços e aumentar a sensação de **segurança psicológica**.

Mesmo num cotidiano agitado, dedicar tempo aos outros ajuda-nos a sair do isolamento e sentir-nos apoiados. Uma conversa franca, um telefonema ou um momento partilhado à mesa podem ter um impacto significativo no nosso humor.

Várias pesquisas demonstram que relações sociais sólidas estão intimamente ligadas a um bem-estar psicológico superior e a uma maior longevidade. Ao promover ligações autênticas, não só favorecemos a nossa própria felicidade, como também a das pessoas à nossa volta.

Última reflexão

A **felicidade** não depende unicamente de mudanças de vida significativas ou de eventos extraordinários, mas principalmente de uma série de **pequenas ações repetidas diariamente**.

Seja na gratidão, na bondade, na partilha da alegria alheia, no tempo dedicado a si mesmo, na atribuição de significado às dificuldades ou na manutenção de relações de qualidade, esses gestos simples ajudam a construir um equilíbrio durável.

Essas **hábitos**, acessíveis a todos, auxiliam-nos a enfrentar melhor os desafios da vida, ao mesmo tempo que fortalecem o nosso bem-estar emocional. Acima de tudo, recordam-nos que a felicidade não é algo distante ou inalcançável, mas que frequentemente **já se encontra presente nos momentos mais simples** do nosso quotidiano.

Ao integrá-los progressivamente nas nossas vidas, desenvolvemos uma forma mais consciente e tranquila de viver, capaz de nos guiar positivamente ao longo dos anos.

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