Tauroleve | Análise da Temporada 2022

Recebemos ontem, 23 de outubro, no nosso Direto Tauronews o empresário Ricardo Levesinho, responsável pela empresa Tauroleve, para uma análise da temporada 2022.

Há 12 anos à frente dos destinos taurinos da Palha Blanco, em Vila Franca de Xira, uma das praças mais exigentes do país, levam a praça ainda com mais responsabilidade e carinho pois foi ali que nasceram e cresceram como pessoas e como aficionados.

O números da temporada de 2022 na Palha Blanco contam com 7 corridas, 4 novilhadas, 1 festival (ainda por acontecer) e um espetáculo de recortadores. Em termos de público três das sete corridas tiveram casa cheia – Colete Encarnado e duas corridas da Feira de Outubro (4 e 5 outubro) – com destaque menos positivo para as duas corridas de Maio – II Feira do Toiro – que tiveram menos aderência por parte dos aficionados.

O objetivo inicial desta Feira do Toiro no mês de maio na Palha Blanco prendia-se e prende-se com o sonho de, em conjunto com a Câmara Municipal de Vila Franca, poder criar um evento que pudesse ir crescendo em linha com o que foi há alguns anos a Feira do Toiro em Santarém. Reconhecendo que o Covid veio de algum modo dificultar a execução desta mesma ideia a solução foi começar “dentro” da Palha Blanco com a realização de duas corridas de toiros. Face à dificuldade financeira e ao pouco público nas bancadas, que na opinião do empresário vai contra os seus objetivos enquanto responsável pela praça de toiros pois não a engrandece, é objetivo da empresa colmatar estas falhas assumindo que na sua opinião não haverá espaço para duas corridas e sim apenas uma com o cartel mais rematado possível.

No Colete Encarnado a empresa optou por um formato um pouco diferente, “à antiga”, com oitos toiros – 2 cavaleiros e 2 matadores – que provou ser um êxito em termos de público e em termos artísticos, uma corrida da qual a empresa faz um balanço muito positivo e que foi sem dúvida um dos marcos desta temporada a nível nacional.

A Corrida de Aniversário, 121 anos da Palha Blanco, uma corrida diferente, uma aposta no cavaleiro que o ano passado tinha sido um dos triunfadores da temporada e em especial com uma grande prestação ali mesmo na Palha Blanco; João Salgueiro da Costa lidava seis toiros em solitário. O balanço não é tão positivo pois faltou público, na opinião da empresa também pela oferta completa e variada que existiu de 4 corridas de toiros em 6 dias (30 setembro a 5 outubro) que naturalmente “acentuou” a escolha dos aficionados perante a impossibilidade financeira de marcar presença em todos os espetáculos.

A Feira de Outubro, composta por 3 espetáculos, iniciou-se com uma corrida de três matadores com o toiro como um dos atrativos – 6 toiros da ganadaria Palha – que das três foi a que movimentou menos público mas que na opinião do empresário, infelizmente, não ficou muito longe daquilo que era a sua expectativa face às dificuldades que se conhecem no que toca à montagem de corridas exclusivamente de toureio a pé em Portugal. No entanto é sua opinião que este tipo de corridas têm que se fazer, dando oportunidade aos toureiros portugueses e criando possibilidades para que se possam ir desenvolvendo enquanto profissionais. A tradicional terça-feira noturna contou com a habitual casa cheia, não que seja garantido só por si mas porque o cartel era também de grande interesse, um mano-a-mano entre dois grandes toureiros e a celebração dos 90 anos de fundação do grupo da terra. Uma noite de êxitos artísticos e êxitos ganaderos que foi seguida pela corrida onde marcou presença um grande maestro do toureiro mundial na arena da Palha Blanco e por consequência outra casa cheia! Uma feira de bonitos triunfos e de grandes sucessos artísticos e de público que é sempre objetivo repetir e melhorar e para isso a empresa encontra-se a negociar com a Santa Casa da Misericórdia a sua permanência na gestão da Palha Blanco.

Deixa apenas a nota de que reconhece como falha e com tristeza a não presença de Luís Rouxinol, nesta temporada dos seus 35 anos de alternativa (tanto em Vila Franca como na Moita), mas que a mesma não foi possível não por falta de vontade das partes mas sim por dificuldade em chegar a um acordo financeiro para o mesmo e pelo anúncio público do toureiro não tourear com o cavaleiro António Ribeiro Telles.

Sobre a temporada da Moita, na Daniel do Nascimento, onde são empresários desde 2019, praça que este ano irá a concurso – está já a decorrer neste momento esse mesmo concurso promovido pela Sociedade Moitense de Tauromaquia – o balanço é algo “diferente”. Tem sido uma praça que tem apresentado algumas dificuldades mesmo a empresários que têm tido “mão” para dar a volta a outras praças e que pela categoria que tem acaba por se tornar um enorme desafio.

A praça de toiros da Moita recebeu esta temporada 4 espetáculos – Dia da Tauromaquia, Encerrona de Joaquim Ribeiro “Cuqui” e duas corridas na Feira de Setembro. Com o objetivo e a vontade de fazer sempre mais e melhor reconhece que talvez ainda tenham que ir mais além do que têm ido, apostando mais ou diferente, para chegar ao objetivo de uma casa cheia ou esgotada. A temporada de 2022 na Moita do Ribatejo, em especial na Feira de Setembro, sofreu um pouco com o tempo obrigando mesmo ao cancelamento de um dos espetáculos e ao adiamento e “reorganização” de um outro para tentar englobar todas as ofertas de espetáculo anunciadas inicialmente tentando não “faltar” aos aficionados.

Para 2023 o destino da Daniel do Nascimento ainda é incerto mas há a garantia de que a Tauroleve será candidata à gestão da mesma com o objetivo de continuar o trabalho destes últimos 4 anos. Os quatro anos de Tauroleve na Moita foram de alguma maneira dificultados pela pandemia de Covid-19 e este ano pelo tempo mas a convicção de que podem ir mais além na defesa e promoção da Tauromaquia nesta praça faz com que não desistam dela.

Sobre os seus apoderamentos – João Ribeiro Telles, Tristão Telles Queiroz e Paco Velasquez – destaca a temporada especial que João Ribeiro Telles irá viver no próximo ano na celebração dos seus 15 anos de alternativa com a idealização de vários momentos marcantes e alguns compromissos quase definidos.

Sobre o cavaleiro praticante Paco Velasquez é objetivo central da equipa e do toureiro tomar a alternativa no próximo ano, 2023, depois de uma bonita temporada de 2022 em Portugal que o consolidou como toureiro e de mais uma campanha que começa agora por terras mexicanas.

Para Tristão Telles Queiroz a temporada de 2022 foi de crescimento e adaptação, dando-lhe praça e prática, com o objetivo de em 2023 continuar este trabalho na procura da sua consolidação enquanto cavaleiro, consigo e com o público – mantendo o apoderamento partilhado entre a Tauroleve e a Toiros e Tauromaquia.

Três toureiros diferentes, em momentos diferentes das suas carreiras mas que querem “ganhar o mundo” e que impõem desafios diferentes nas suas gestões.

Para o próximo ano têm já um esboço de alguns espetáculos bem como alguns toiros já indicados/reservados para que 2023 seja mais uma temporada de sonhos e sucessos n entanto com a ideia de que será necessário realizar menos espetáculos mas com mais categoria e mais rematados.

Como presidente da APET, olhando para o panorama geral, Ricardo Levesinho considera que a temporada foi a “possível depois de dois anos de muito constrangimento e de muitas limitações”. É sua opinião que existiram muitas corridas, ainda sem números finais, e que esse número foi superior ao suportado pela afición e por tanto considera terem sido a mais no entanto reconhece a importância de dar oportunidades a quem as tem menos, à formação de novos e jovens forcados e de, neste ano em particular, lidar muitos toiros dos vários que ficaram no campo nestes dois difíceis anos e que é difícil encontrar um equilíbrio.

O tema das emissões televisivas foi também levantado pelo próprio empresário como algo que muita falta faz à Festa e à sua divulgação e promoção e que infelizmente terminou mas que se procura poder reverter agora com um Ministro da Cultura que ao contrário da sua antecessora se mostrou disponível para receber e ouvir a ProToiro e os seus elementos naquelas que são as suas preocupações e pedidos. Será realizada já uma primeira reunião no próximo dia 25 de outubro, amanhã, terça-feira, onde todos esses temas serão debatidos.

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