Sobral é Praça Cheia

Integrada no programa de Feira e Festas de Verão de 2017 do Sobral de Monte Agraço, o
empresário José Luis Gomes, levou a efeito, uma corrida de toiros à portuguesa, com os
cavaleiros António Ribeiro Telles, Luis Rouxinol, Tito Semedo, Ana Batista, Manuel Telles
Bastos e Luis Rouxinol Jr, frente a toiros da ganadaria Canas de Vigouroux, que foram pegados
pelos Grupos de Forcados Amadores de Lisboa e Coruche, capitaneados respetivamente, por
Pedro Maria Gomes e José Macedo Tomáz.

Denominada a XI Corrida da Auto Agrícola Sobralense e com a praça completamente esgotada,
teve inicio o festejo, com “um minuto de silêncio” em memória do forcado Pedro Miguel
Primo, do Grupo de Forcados Amadores de Cuba, falecido a meio da semana, vítima de uma
violenta colhida, quando tentava pegar um toiro, no passado sábado 2 de Setembro em Cuba.
O curro de toiros de Canas de Vigouroux, cinco e um de Herdº De Prudêncio da Silva Santos, de
excelente apresentação, saiu manso, na generalidade, contudo colaborantes, deixando-se
lidar, um pouco andarilhos, mas permitindo aos cavaleiros de turno luzirem-se e divertirem o
publico que enchia a totalidade das bancadas.

António Ribeiro Telles, atravessa um excelente momento de forma, podendo com toda a
matéria prima que lhe toca em sorte, mesmo quando a sua quadrilha, lhe troca as voltas e o
seu bandarilheiro de confiança, João Ribeiro “Curro” lhe despeja nitidamente o toiro para
cima, logo após a saída, quando tentava parar o hastado. Dois compridos a abrir e uma brega
ligada e bem medida, foram a dose necessária para mais um triunfo nas bandarilhas curtas.
Cinco ferros curtos, dois deles em sortes sesgadas, bastaram para desenvolver todo o labor ao
som de música e dar volta no final.

Luis Rouxinol veio ao Sobral para discutir palmo a palmo o triunfo em praça e se assim o
pensou, melhor o executou, frente a um “Jabonero” de Vigouroux, bem apresentado, mas com
pouca força, pelo que o ginete de Pegões, teve que colocar toda a sua experiência em campo,
para chegar ao triunfo. Dois compridos, três curtos, um de palmo e um par de bandarilhas, da
sua marca pessoal, foram a receita exata, para mais um excelente lide, abrilhantada ao som de
música e premiada com volta, no final.

Tito Semedo, o terceiro de turno, teve que porfiar bastante para acompanhar, os sucessos dos
companheiros anteriores, pelo que optou por sortes frontais, conseguindo bons momentos de
toureio, terminando ao som de música, com um violino seguido de um ferro de palmo.
Premiado com volta no final.

A abrir a segunda parte do espetáculo, seguiu-se a cavaleira de Salvaterra de Magos, Ana
Batista, a quem tocou em sorte o Prudêncio, um tanto andarilho, mas suave, no momento da
reunião, permitiu à cavaleira de Salvaterra, desenvolver uma lide acertada e emotiva,
acompanhada ao som de música, terminando com dois ferros de palmo, bastante aplaudidos
pelas bancadas. No final deu volta como prémio.

Manuel Telles Bastos, lidou em quinto lugar, o toiro mais pesado da corrida, pesava 580 quilos
e ostentava o número 442, mansote, mas colaborador, permitiu a Manuel, cravar os três
compridos da ordem e depois a ferragem curta, já ao som de música, tudo isto sem mudar de
montada. No final deu volta como prémio.

A encerrar a função, coube ao jovem Luis Rouxinol Jr, lidar um Canas manso, brusco e
reservadão, no entanto o jovem não se intimidou e foi para cima dele com toda a sua
juventude e sede de triunfo. Deixou três compridos, mudou de montada e logo após a
cravagem do primeiro curto, rompe a música e a lide sobe de tom, fruto dos quatro curtos
que se seguiram, muda novamente de montada e regressa, para terminar o recital, com um
violino de boa categoria. Como prémio foi-lhe concedida pela direção da corrida, a merecida
volta à arena.

Em competição, na arte de pegar toiros, estavam os Grupos de Forcados Amadores de Lisboa
de Pedro Maria Gomes e os de Coruche de José Macedo Tomás, que de um modo geral, deram
conta do recado, sem que por vezes a emoção transbordasse para as bancadas.
Assim, por Lisboa, abriu praça Cesar Gonçalves, em dia de despedida das arenas, executou,
uma pega de caras tecnicamente perfeita, ele que até se destacou como primeiro ajuda, o
segundo toiro dos Amadores de Lisboa, foi pegado por Pedro Gil, “Tita” para os amigos,
também ao primeiro intento, alapando-se na cara do toiro e aguentado uma viagem cómoda
até tábuas, com o grupo a ajudar com prontidão e eficácia. Para o terceiro, foi designado
Daniel Batalha, que na primeira tentativa não reuniu bem, emendando-se na segunda vez e
suportando uma viagem rápida e por baixo até lá atrás, onde o grupo reagiu bem fechando,
como mandam as regras. Todos os forcados dos Amadores de Lisboa, foram premiados com
volta à arena.

Pelas jaquetas Sorraianas, iniciou a função Bruno Matias, bem à primeira tentativa, seguiu-se
João Prates, também ao primeiro intento e para encerrar a função foi designado o jovem João
Mesquita e foi na sua primeira e única tentativa que se viveram momentos de pânico na arena,
pois o toiro após a reunião, despachou vários derrotes tirando o forcado da cara, para depois,
na queda e já com João Mesquita inanimado, lhe aplicar vários golpes, temendo-se o pior.
Após a pronta retirada do forcado da arena, Rui Godinho “Peitaça”, efetuou a dobra à
segunda tentativa e já com o toiro a sesgo. Apenas Bruno Matias e João Prates deram volta,
Rui Godinho, embora autorizado, declinou o convite e ficou em tábuas. No momento em que
escrevemos estes apontamentos, já é possível saber que aparentemente, nada de grave
aconteceu ao jovem João Mesquita, no entanto, ainda se aguardam as conclusões de uma
série de exames complementares que estão a ser feitos no Hospital de Santa Maria, para onde
foi transferido.

O espetáculo que decorreu em bom ritmo, foi dirigido pelo senhor João Cantinho, assessorado
pelo médico veterinário Dr José Manuel Lourenço e pelo cornetim de serviço José Henriques,
abrilhantado pela Banda do Centro Cultural Azambujense.

Sobral de Monte Agraço, 10 de Setembro de 2017

João Galamba

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