Sessenta anos: Do Jabato ao Gravato… Obrigado!

Volto a escrever obrigado e agora com nomes próprios… Obrigado Eng. Joaquim Grave; Obrigado Eng. José Barradas; Obrigado Sr. Florindo Silva; Obrigado Tertúlia Tauromáquica Alentejana…Obrigado!

Ontem foi novamente uma obra pensada e feita por vocês que teve uma praça cheia em Évora, o vosso concurso, o nosso concurso, o concurso de Évora está vivo e faz parte da nossa história, passada, presente e se Deus quiser Futura.

Corria o ano de 1960 quando este punhado de homens decidiram dar aos aficionados aquele que hoje em dia se diz: ” O Concurso de Ganadarias mais Antigo e de Maior Prestigio do Mundo Taurino Português”, é verdade este ano foi o 60ª Concurso de Ganadarias da capital do Alentejo, Évora. Parabéns!

Daquele ano fizeram parte do cartel, a 22 de Maio, Alberto Luís Lopes, David Ribeiro Telles, José Núncio, Pedro Louceiro e José Lupi. Forcados Amadores de Santarém e Montemor, toiros das ganadarias José Infante da Camara, Fernando Infante da Camara, D. Diogo Passanha, D. Duarte de Atalaya, João Branco Núncio, Grave e irmã, Eng. Manuel Vinhas e Fialho e irmãos.

Nesse dia foi um ” Jabato de Atalaya a quem o Júri deste digníssimo concurso decidiu como mais bravo, ontem foi o “Gravato” a ter essa honra!

Falar do concurso de Évora é falar de todos os ganaderos e ganadarias que aqui deixaram o seu contributo: Passanha, Miura, Teixeira, Victorino, Castro, Pablo Romero, Conde Cabral, Dolores Aguirre, Vinhas, Moura, Condessa de Sobral, Infante, Rio Frio, Pinto Barreiros, João Reis Malta e tantas e tantas outras que com uma ilusão desmedida vieram honrar as cores da sua divisa a Évora. Tantas e tantas tardes de ilusão para ganaderos e aficionados.

O concurso de ontem tem varias histórias, como qualquer corrida…A história maior é a de quatro toiros bravos: Teixeira, Castro, Murteira Grave e Passanha, qualquer um deles podia ser vencedor do prémio de bravura e decidiu o júri, composto pela tertúlia Tauromáquica Eborense,  que o mais bravo foi o de Murteira, ausente dos últimos concursos de Évora e o mais bonito (apresentação) o de Núncio duas ganadarias que desde 1960 estão e fazem parte da história desta corrida, parabéns aos vencedores e honra aos vencidos!

Abriu a tarde um toiro da ganadaria Veiga Teixeira, sério, grande, com cara, e a pedir contas, bravo! Como maior qualidade a prontidão, fixo, e com uma raça desmedida, como senão quanto a mim de derrotar por alto, um grande toiro.

O Casto foi um toiro bonito, com cara mas sem ser ofensivo por diante mostrava as palas dos pitons, teve classe, nobreza talvez o mais formal da corrida com o senão de ser pouco pronto e na pega acusou muito essa não qualidade.

O Murteira Grave foi o mais toureiro de cara, baixo de mãos, foi pronto sempre que citado com mobilidade, teve nobreza, foi fixo e teve classe nos capotes e nas acometidas aos cavalos, quanto a mim pouco alegre.

O Passanha foi uma estampa, alguns não gostam de toiros um bocadinho biscos de cara eu acho que lhes dá uma seriedade “guapa”… Foi um toiro pronto, com classe, recorrido e a vir a mais.

O de Pinto Barreiros um castanho de capa, foi o toiro mais informal da corrida andou solto e sem ser fixo.

Fechou a tarde um verdadeiro “tio” da ganadaria Núncio, grande, com cara, metia respeito… teve nobreza mas pouca mobilidade, acabou por ser um toiro que não rompeu a investir, acometer nos cavalos e capotes mas na pega a par com de Murteira Grave tiveram a acometida mais bonita para os forcados.

Quanto aos cavaleiros que podemos dizer de três mestres, três senhores da tauromaquia, três senhores que conhecem a praça de Évora melhor que ninguém, três senhores que sabem o que é triunfar aqui. Indo um pouco ao passado quem não se lembra do António Ribeiro Telles com Palha montado no Santarém a lidar de praça a praça e o público de pé; Do Salvador com o 50 ensabanado de Murteira Grave em 95; E ou do Rouxinol por exemplo com o São Torcato montado o cavalo Vinhas!

Dos três o mais redondo foi o cavaleiro de pegões! Com o Grave teve sério, mostrou o toiro e com o Núncio andou a gosto galvanizando o público presente. António é sempre um prazer ver este senhor tourear, existem dois ferros daqueles à António um no Teixeira e outro no Passanha de realçar a brega que realizou no quarto toiro. Salvador aquele dos ferros “impossíveis” ontem no segundo toiro esteve simplesmente magnifico, para mim a melhor lide da corrida! Parabéns Rui foi um gosto ver como andou na lide do Castro.

Évora é, foi e será terra de forcados, elemento fundamental de uma corrida na capital Alentejana!

Em praça Montemor e Évora, concurso de ganadarias é sempre um marco da temporada.

Saltou para a cara do primeiro da tarde Bernardo Dentinho dos Amadores de Montemor, toiro bruto no momento da reunião sempre a meter um corno para se defender e despejar o forcado da cara, na segunda tentativa o derrote foi do mais violento possível e o cara sai maltratado! Sai para a dobra Francisco Borges que com a sabedoria dos eleitos resolve a dura papeleta que tinha por diante.

Manuel Ramalho um grande forcado salta para a cara do Grave, o toiro sai pronto o forcado aguenta em terrenos recuados e toiro despejou com violência o cara, na segunda tentativa novamente o toiro alegre e pronto o Manel novamente a aguentar a investida, agora mais violenta, o toiro despeja o cara mas o Manel num momento de valentia e decisão não se dando por vencido cai na cara do Murteira e realiza a pega.

Fecha a tarde pelos de Montemor Vasco Carolino numa boa pega com o grupo a ajudar bem.

Por Évora abre a tarde Miguel Direito que tem que ir buscar o toiro a terrenos de compromisso, este teima uma e outra vez em não querer investir ao forcado, com eficiência e com valor resolve uma pega que se podia tornar complicada.

José Maria Caeiro à segunda tentativa quanto a mim realiza a pega da tarde… Valor, momento da reunião e uma “graça toureira”, bonito!

Fecha a tarde Ricardo Sousa com um Núncio que vem com força mas bonito para a pega, o forcado com raça e decisão realiza outra grande pega pelos Amadores de Évora.

Foi director de corrida Agostinho Borges assessorado pela médica veterinária Ana Giões.

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