Já se deu conta, numa tarde tranquila, de estar a desfrutar de momentos serenos com o seu parceiro, sentados no sofá ou partilhando uma chávena de chá, quando, sem aviso, ele começa a relaxar até adormecer? No primeiro momento, esta atitude pode surpreendê-lo ou até irritá-lo um pouco. Contudo, **não se trata de um sinal de aborrecimento, mas sim de um gesto carregado de amor e confiança.**
Quando estamos na companhia de alguém que amamos, a sua simples presença funciona como um bálsamo natural para o nosso corpo e mente. **As tensões dissipam-se, a respiração torna-se mais serena e um sentimento de segurança predomina.** É como se o corpo dissesse: « Estou seguro, posso soltar-me. » Assim, o sono ou a sonolência não serão por certo uma forma de indiferença, mas antes o reflexo de um profundo bem-estar.
Partilhar momentos com um ente querido não apenas proporciona conforto; **influencia também a nossa fisiologia.** O nosso ritmo cardíaco pode estabilizar-se, os músculos relaxam e a mente liberta-se de pequenas preocupações. Este instante de tranquilidade, mesmo que silencioso, revela um forte laço de afecto e cumplicidade.
Na realidade, essas breves localidades em que nos permitimos relaxar na presença do outro são provas discretas, mas poderosas, do amor que sentimos e que emanamos.
O que diz a ciência: a presença de um amor pode estimular o sono

Se costuma adormecer frequentemente ao lado do seu parceiro, poderá haver uma explicação científica para isso. Madeline Sprajcer, docente de psicologia na Universidade Central do Queensland, na Austrália, participou numa estudo de 2022 que revelou a existência de uma relação entre estar em casal e uma maior facilidade para adormecer.
A equipa de investigação inquiriu cerca de 800 adultos envolvidos em relações amorosas ou sexuais. Além do seu estado civil, os participantes foram questionados sobre a qualidade e satisfação das suas relações, assim como o tempo que demoravam normalmente a adormecer e a qualidade do sono.
Ao comparar as respostas, os investigadores descobriram que aqueles que tinham relações mais estáveis e satisfatórias adormeciam com mais facilidade ao fim da noite. **Além disso, o seu sono era frequentemente de melhor qualidade: acordavam menos vezes durante a noite e sentiam-se mais descansados pela manhã.**
Uma hormona pode unir o amor ao sono

Segundo Sprajcer, “as pessoas em casal tendem a apresentar níveis mais elevados de **ocitocina**, uma hormona associada ao fortalecimento de laços afetivos.” **A ocitocina** parece também ter um impacto positivo na qualidade do nosso sono.** Quando o seu corpo sente conforto e segurança ao lado do seu parceiro, os níveis de ocitocina tendem a aumentar.** Conhecida como a “hormona do amor”, é uma das principais hormonas libertadas durante o contacto físico e favorece a ligação emocional. De acordo com a Psychology Today, a ocitocina atua como um sedativo, diminuindo a frequência respiratória e reduzindo o stress.
Outro elemento biológico que pode justificar a sonolência na presença do seu parceiro é o **cortisol**. Esta hormona pode aumentar consideravelmente em situações de stress, elevando a frequência cardíaca e a tensão arterial. No entanto, quando está ao lado do seu parceiro, o nível de cortisol pode decrescer, pois o seu corpo não percebe nenhuma ameaça imediata, levando-o a um estado mais calmo e relaxado.
A presença do cheiro torna o sono ainda melhor

Outras pesquisas sugerem que **a própria odor do seu parceiro pode incrementar a qualidade do seu sono.** Um estudo publicado na revista Psychological Science revelou que participantes que dormiam com uma peça de vestuário que tinha pertencido ao seu parceiro obtinham um sono mais reparador. **Em média, isso correspondia a uma hora extra de sono por semana.** Frances Chen, investigadora da Universidade da Colúmbia Britânica, e co-autora do artigo, explica: “**Cada vez mais estudos demonstram que as interacções próximas são cruciais para a nossa saúde e bem-estar.** No entanto, o papel dos odores nas relações e nos processos de suporte social ainda é pouco conhecido.”
Marlise Hofer, co-autora do estudo e estudante de doutoramento, acrescentou: “**Estes resultados sugerem que, estando conscientes ou não, um mundo fascinante de comunicação desenrola-se sob o nosso nariz.”**




