São Pedro quis estragar uma tarde de festa e de reconhecimento, mas os intervenientes no espectáculo não deixaram

Crónica

A crónica da Corrida de Toiros da 35.ª Ovibeja, no passado sábado em Beja, por Gonçalo Henrique.

 

Beja, Praça de Toiros José Varela Crujo

Cavaleiros: Luís Rouxinol, Tito Semedo, João Moura Caetano, Andrés Romero, Miguel Moura e Luís Rouxinol Jr.

Forcados Amadores: Beja

Ganadaria: Ascensão Vaz

 

Realizou-se mais uma Corrida da Ovibeja, onde foi prestada uma sentida homenagem póstuma ao Eng. Manuel de Castro e Brito e marcada pela passagem de testemunho no grupo de Beja, onde o José Maria Charraz deu por terminado mais de duas décadas de entrega à jaqueta das ramagens para o suceder Miguel Sampaio, a quem endereço as maiores felicidades.

Um cartel de seis cavaleiros, para todos os gostos e bem montado, um curro bem apresentado de bom comportamento geral e uma mudança de cabo, seriam motivos mais do que suficientes para encher a Varela Crujo, contudo as condições atmosféricas foram madrastas e registámos apenas uma meia casa forte.

Hoje de forma excepcional, porque o dia era da forcadagem, é por eles que começamos.

Fizeram as cortesias antigos e actuais forcados do grupo local, a expectativa era grande, esperava-se uma tarde de emoções fortes, como é costume, sempre que há uma mudança de cabo num grupo de forcados.

Para o primeiro, a última pega de José Maria Charraz, dedicou a sorte com muita emoção ao seu grupo, com muita calma e a dar vantagens ao toiro, ele que se destacou como ajuda, iniciou o cite, o toiro arrancou de pronto para uma reunião que, permitiu consumar a pega à primeira tentativa com o grupo a ajudar bem.

Seguiu-se o momento alto da tarde, José Maria entregou o forcado a Miguel Sampaio sem despir a jaqueta e deu de seguida a sua ultima volta ao “ruedo”, acompanhado e levado em ombros pelo seu grupo, praça de pé.

Para o segundo o cabo re-fundador Manuel Almodôvar, sereno, mandou na investida e fez tudo bem, concretizou à primeira tentativa uma excelente pega com o grupo a ajudar.

Para o terceiro um forcado do activo, Guilherme Santos, com o grupo a dar vantagens, iniciou o cite a um toiro que não permitia erros, na primeira tentativa o forcado não se sentou e adiantou um joelho, saiu da cara logo na reunião, na segunda tentativa fez tudo bem, conseguindo concretizar a sorte sem problemas.

Para o quarto o novo cabo, escolheu para si aquele que poderia até ao momento trazer mais dificuldades, brindou a pega ao seu antecessor de forma muito emotiva e iniciou o cite de trás a dar vantagens ao toiro, bonito e sereno como é seu timbre, fez tudo bem, carregou, aguentou e reuniu de forma superior conseguindo uma grande pega, com o grupo a ajudar.

O público pediu segunda volta para si, pena o cavaleiro Andrés Romero não entender assim e ter ele próprio iniciado essa segunda volta sozinho, só depois de perceber os protestos do público, chamou o forcado para o acompanhar, era escusado e não lhe ficou bem.

Para o quinto uma despedida, João Fialho entendeu que chegou também a sua hora, forcado de mão cheia, foi um pilar do grupo ao longo destes 10 anos, merecia outra despedida e outro ambiente, talvez por algum nervosismo não esteve como sempre nos habituou, o toiro não permitia erros e derrotava violentamente se não se lhe enchesse a cara, só à terceira o João o conseguiu fazer.

Para o último outro forcado já retirado, José Miguel Falcão, tinha pela frente um toiro que tinha uma investida dura e à primeira tentativa não aguentou o forte derrote do toiro, à segunda fechou-se bem e concretizou uma boa pega com o grupo a ajudar.

Quanto aos cavaleiros, iniciou Luís Rouxinol frente a um toiro de 505kg bem apresentado como todos os exemplares que saíram nesta tarde em praça, deixou-se lidar, andou regular, bem na brega e terminou com um bom par de bandarilhas.

Seguiu-se Tito Semedo, pela frente tinha um “colorau” que acusou na balança 495kg, bom toiro, de investida franca e nobre, o melhor da tarde, Tito recebeu o toiro à porta dos curros, mas este não contribuiu para que a sorte resultasse com mais emoção, desinteressando-se cedo do cavalo, bem na brega a trazer o toiro na garupa, ladeou a gosto, boa lide que terminou com um ferro curto e um “palmito”.

João Moura Caetano teve pela frente o menos colaborante da tarde com 490kg, contudo esteve por cima do oponente e conseguiu uma boa lide, muito ligado, bem na brega, ferros que chegaram às bancadas e o público retribuiu, boa passagem por Beja, a perspectivar uma boa temporada.

Chegou o intervalo e com ele procedeu-se à homenagem ao Eng. Manuel de Castro e Brito, foi descerrada uma placa evocativa da efeméride, o grupo de forcados de Beja associou-se à homenagem, e pela mão dos quatro cabos presentes entregou uma placa ao filho do homenageado.

A iniciar a segunda parte o espanhol Andrés Romero, perante um toiro de 505kg, também ele de bom comportamento, foi o triunfador da tarde, bregas emotivas a preparar as sortes, ferros bem conseguidos, chegaram facilmente às bancadas, o público gostou e Romero conseguiu assim dar continuidade em Beja ao que tinha conseguido em Sevilha.

Para o quinto Miguel Moura, o ascensão que lhe saiu em sorte tinha 495kg, deixou-se lidar e foi colaborante, Miguel não teve a tarde desejada em Beja, de salientar que a chuva nesta altura já se fazia sentir na praça e o público já era uma miragem, todos estes factores podem ter contribuído para uma lide sem história, conseguindo contudo alguns ferros de boa nota.

Para fechar Luís Rouxinol Jr., perante um toiro com 490 kg, que se deixou andar, permitiu uma boa lide ao ginete de pegões, ferros de boa nota, transmitiu alegria e emoção às bancadas, boa lide.

Terminou assim uma tarde que podia ter resultado melhor, bastava a chuva e o frio não terem mandado embora a maioria dos espectadores para casa, mesmo assim notou-se entrega de todos os intervenientes e quem resistiu até ao fim, saiu com certeza satisfeito.

Dirigiu com acerto o Sr. Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário Dr. Carlos Santana, com a banda Capricho Bejense mais uma vez a abrilhantar a corrida na sua praça.

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