“Porque são as touradas tão longas?”: O debate que pretende optimizar a Tauromaquia

Foi ontem discutido no Campo Pequeno o tema da duração das corridas de toiros em Portugal. Conheça aqui o resumo do debate.

Com base num estudo de José Cáceres, o tema da longa duração das touradas foi ontem o centro do debate no Salão Nobre do Campo Pequeno. O colóquio, moderado por José Cáceres, contou com a intervenção do gestor taurino Rui Bento Vasquez, do director de corrida Pedro Reinhardt, do cavaleiro Rui Salvador e da crítica taurina Patrícia Sardinha.

Lançando o mote, José Cáceres afirmou que as corridas em Portugal são dos espectáculos mais longos que existem. Para contextualizar o público, mostrou um vídeo que dava a conhecer os dados do estudo. As corridas portuguesas, em média, duram 3h08m; já as mistas, duram em média 2h53. Em conclusão, durante 42% do tempo o toiro não está em praça.

 

“A tauromaquia está numa fase delicada e temos de tomar medidas apropriadas”, afirmou Rui Bento Vasquez.

Duas medidas importantes foram anunciadas logo de início. Primeiro que tudo, as corridas vão começar às 21h45. Já houve uma tentativa de começarem às 21h30, mas não resultou pois a restauração ressentiu-se, além de ter havido protestos dos aficionados. A segunda medida é que vai deixar de existir intervalo: quem precisa de ir à casa-de-banho ou de ir buscar comida pode fazê-lo durante a recolha do toiro.

Ao longo do colóquio, foram discutidos os vários momentos das touradas e como se poderia tirar tempo a cada um. As cortesias foram um dos primeiros a ser mencionados, com Pedro Reinhardt a comentar que, ainda que a sua realização seja obrigatória, deviam ser menos demoradas. Rui Salvador, por outro lado, argumentou que se perderia um momento de grande tradição e que não se deveria retirar-lhes importância.

Também o facto de existirem muitos momentos na tourada foi referido. “É complicado porque estamos agarrados a um regulamento recentemente aprovado”, disse Pedro Reinhardt. O mesmo regulamento foi mencionado várias vezes ao longo da noite, nomeadamente por estipular tempos para cada momento que se verifica serem demasiado alargados, uma vez que normalmente nenhuma das actividades chega ao tempo definido.

As voltas à praça foram outro dos pontos muito discutidos, sendo falada a possibilidade de se dar apenas meia volta. Por outro lado, quando a conversa foi aberta à plateia, Luís Capucha argumentou que as voltas, que devem ser autorizadas pelo director de corrida mas pedidas pelo público, acontecem sempre, mesmo sem o público pedir. Patrícia Sardinha opinou que também deve partir do cavaleiro ter a humildade de avaliar se deve dar a volta ou não.

Capucha, que esteve presente na construção do Regulamento de ’91, disse ainda que na altura houve pessoas que se debateram por aplicar medidas que encurtassem o tempo, mas que na reunião seguinte “já alguém tinha ido por trás e mudado isso”.

João Ribeiro Telles foi outro dos intervenientes na plateia e deu várias ideias para se alterar o tempo das corridas. Na opinião do toureiro, há falta de contacto entre o toureiro e o cocheiro, pois não têm contacto visual. Além disso, disse Ribeiro Telles, as ganadarias deviam levar os jogos de cabrestes, uma vez que os toiros já os conhecem e entram muito mais depressa. Fez ainda uma crítica aos directores de corrida (“não o Pedro Reinhardt, que é rijo”), por estarem muitas vezes distraídos. Rui Bento Vasquez afirmou que o problema dos cocheiros será resolvido.

Muitas ideias foram dadas e discutidas, mas uma foi também referida várias vezes: o rigor com o toque do cornetim.

Rui Salvador fez a ressalva de que se estavam a cingir muito ao Campo Pequeno, que é diferente da realidade nacional, uma vez que a praça tem outro tipo de condições.

Patrícia Sardinha lembrou ainda que o importante é que a corrida seja boa pois, quando o é, o público não se importa de assistir durante três horas.

José Cáceres levantou ainda a possibilidade de diminuir o número de toiros por corrida. Rui Bento Vasquez afirmou que isso já tinha sido feito no Campo Pequeno e que, por ter resultado muito bem, é uma hipótese em cima da mesa. Por outro lado, Patrícia Sardinha lembrou que com menos toiros quereria pagar menos bilhete e que também o cachet dos artistas teria de ser diferente.

Uma última possibilidade falada foi a existência de uma escola de directores de corrida, havendo apenas um ou dois por praça, com uma estratégia homogénea, ideia que foi bem acolhida.

Ficou o compromisso de que o tema não será esquecido, com Rui Bento Vasquez a responsabilizar-se pessoalmente. Haverá um colóquio com este tema na próxima sexta-feira no Montijo, e o mesmo está a ser falado com Vila Franca de Xira.

 

 

 

 

 

Fotografia: Maria João Mil-Homens

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