Os eFes em Santarém

Crónica

FESTAS DE S. JOSÉ 2018
Sábado, dia 24 de Março
Festivais Taurinos a favor das vítimas dos fogos em Pedrogão Grande

2º Festival
16.15h
Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Luis Rouxinol, Sónia Matias, Filipe Gonçalves, Manuel Telles Bastos e Francisco Palha
Toiros: Manuel Rafael Cary
Forcados: GFASantarém e GFAAlcochete

1º Toiro: 480 kg
Cavaleiro: António R. Telles
Forcados: GFA Santarém
O 1º toiro deste festival tinha uma apresentação esmerada – como a maior parte do curro enviado de Portalegre – com uma ampla e óptima cornamenta, rematados q.b que é na minha opinião o que se quer ver num toiro… um atleta equilibrado. Todavia no comportamento, mostrou-se reservado, manso, pouco encastado e perigoso.
Foi neste contexto que o ginete mais velho da Torrinha (em actividade) teve trabalhar.
E não foi nada fácil para o António conseguir arrancar investidas para colocar os ferros curtos da ordem. Várias passagens para o trazer das tábuas e em todas elas o toiro a voltar para o refúgio, resultou em 3 ferros curtos a cesgo e de compromisso mas nada que atrapalhasse o bom resultado duma lide onde só a veterania e toreria do cavaleiro conseguiu estar por cima daquilo que o Cary oferecia. Olé Maestro !!!
Para a pega saltou para a praça Francisco Graciosa do Grupo de Santarém que foi brinda-la aos seus companheiros do Grupo de Alcochete.
O Francisco esteve impecável com o toiro e soube entender os vários avisos que deu nos cavalos e nos capotes. Carregou quando devia e melhor que isso, “sacou-se” a uma maldade do toiro quando este vinha para lhe arrear. Pega limpinha, plena de técnica e a mostrar conhecimentos e quando esses fazem faz toda a diferença. Fechou-se convictamente e o restante grupo a ajudar bem, mesmo tendo o toiro fugido ligeiramente quando entraram os 2ª ajudas. Pega emotiva à 1ª tentativa.
Volta para o cavaleiro e para o forcado.

2º Toiro: 470kg
Cavaleiro: Luis Rouxinol
Forcados: GFA Alcochete
Este toiro e o 4º da ordem, são a meu ver os melhores toiros da tarde, mostrado codicia, bravura, arrancando de largo de qualquer ponto da arena, sempre disponíveis e nobres nas investidas.
O cavaleiro de Pegões conseguiu entender perfeitamente o toiro que tinha ao dispor e imprimiu uma lide alegre, correcta, dinâmica e muito assertiva, características das actuações do Luis Rouxinol já de à muitas épocas. Dispensou o par de bandarilhas para remate de lide, trocadas por um “palmito” colocado como mandam os cânones.
Saltaram para a pega os rapazes das jaquetas de Alcochete. Para tentar a pega de caras, foi escolhido o jovem forcado António José Cardoso, filho do saudoso Nené .
O António colocou-se cá atrás e de barrete levantado aos céus brindou obviamente ao seu pai, que da sua trincheira sagrada, agradeceu, sorriu e iluminou o caminho ao seu filho.
Foi uma belíssima pega, com um cite calmo mas decidido, carregado no momento certo, recuou com conta, peso e medida e bem ajudado pelo seu Grupo, destacando-se o veterano e 1º ajuda Rei, que o deixou alapado até os 3ªs ajudas pararem o toiro que tinha arrancado com pata e a empurrar até ao fim. Pega à 1ª tentativa
Volta para cavaleiro e forcado.

3º Toiro: 470 kg
Cavaleira: Sónia Matias
Forcados: GFA Santarém
A representação feminina estava reservada para a cavaleira Sónia Matias.
Teve pela frente um toiro bem apresentado (tal como os demais) mas manso, desinteressado, nada cooperante e a complicado.
Com preparações muito demoradas, a não se entender com o toiro, teve a cavaleira grandes problemas na cravagem da ordem e na sua colocação no sítio certo. Acabou a lide com 4 ferros colocados, numa tarde cinzenta e de pouca inspiração.
Pelo grupo de Santarém, saltou a trincheira para tentar a pega um forcado a jogar em casa.
O Scalabitano Fernando Montoya, dedicou a sua pega ao pouco público que esteve na Monumental. Caminhou para o toiro pausadamente, com o 1º ajuda encostado lá atrás, – como é timbre do centenário Grupo de Santarém -, citou bonito, carregou, mandou vir e recebeu o toiro bem ajudado por todo o grupo, destacando-se o 1º ajuda Luis Graciosa e o 2º ajuda Duarte Mendes. Pega à 1ª tentativa.
Volta para o forcado

4º Toiro: 460kg
Cavaleiro: Filipe Gonçalves
Forcados: GFA Alcochete
Saiu então o 4º toiro da ordem, um dos que eu destaquei em termos comportamentais e que de apresentação muito semelhante aos demais, num curro que a este nível foi em tudo homogéneo.
Toiro alegre, bravo a deixar muito boa presença em Praça.
Gostei bastante da forma como o cavaleiro tratou de andar em Praça.
Tudo feito com calma, em todos os terrenos, nos de compromisso e nos outros, com elegância e acerto. Muito positiva esta passagem por Santarém e a ser compensado pelo publico.
Nos compridos esteve muito bem, com preparações aprimoradas, a mandar vir de longe e remates bem conseguidos.
Nos curtos a mesma bitola, com cravagem assertivas e sempre com o temple certo.
Terminou a lide com o tradicional par de bandarilhas e de seguida um ferro de palmo
Nas pegas, veio novamente o Grupo de Alcochete com o forcado de cara Gonçalo Catalão.
Uma pega clássica e toda ela correcta do principio ao fim, bem ajudado pelos experientes ajudas deste grupo. Pega à 1ª tentativa
Volta para cavaleiro e forcado

5º Toiro: 465 kg
Cavaleiro: Manuel Telles Bastos
Forcados: GFA Santarém

O 2º cavaleiro da Casa Torrinha em Praça, toureou com a classe e a serenidade que é uma das suas marcas de qualidade.
Tudo bem feito, com uma equitação impar, cavalos bem postos …enfim, para quem como eu gosta (também) do toureio clássico, o Manel é de facto um extraordinário exemplo dentro de Praça. É um gosto vê-lo evoluir!
Nada a apontar aos ferros que cravou, nem à sua preparação, nem aos seus remates. Brilhante mesmo!
O toiro que lhe saiu era igualmente bonito como os outros, bem apresentado, bravo e bastante cooperante.
Do Grupo de Santarém, foi escolhido o jovem forcado Salvador Ribeiro d`Almeida, neto e filho de ex-forcados do Grupo.
O Salvador na 1ª tentativa “empranchou” no 1º derrote, tendo aguentado fechado de braços os derrotes que o havia tirar da cara, tendo ficado de lado (de badalo) e já com o toiro com a cara no chão à sua procura, acabou por ser desfeiteado. Na 2ª tentativa pareceu-me que o toiro lhe fez um “estranho” nunca o deixando sequer chegar a fechar-se. Na 3ª e última tentativa, o Salvador cresceu pro toiro, fechou-se bem e o grupo coeso correspondeu.
Volta para o Cavaleiro

6º Toiro: 510 kg
Cavaleiro: Francisco Palha
Forcados: GFA Alcochete

Para tourear o toiro mais pesado da corrida, saiu à Praça Francisco Palha.
Já não via o Francisco há algum tempo e gostei bastante do seu labor, num toiro incómodo, chato, manso e que se fechou em tábuas desde bastante cedo. Parecia gémeo do 1º toiro da corrida
O Francisco face a esta contrariedade surpreendeu com uma lide extraordinária, inteligente (por ser a única possível), certíssima e séria.
O 1º ferro comprido marcou definitivamente (pela positiva) a actuação, com uma gaiola de impressionante compromisso, secundado com preparações primorosas, cravagens nos sítios certo e remates a rigor. Muito bem e esforçado, a tirar tudo o que havia pra tirar ao toiro.
Quer o Francisco, quer o Filipe, foram os 2 cavaleiros que mais me surpreenderam…pela positiva obviamente!
Para a ultima actuação dos rapazes de Alcochete, foi escolhido o forcado Manuel Pinto, também ele forcado de geração no grupo Alcochetano.
O Manel brindou ao Grupo de Santarém, num gesto de muita simpatia e companheirismo.
O Manel fez tudo bem; citou, chamou, carregou e recebeu um toiro que vinha “a por mudanças”. Grupo coeso e sem máculas a ajudar.
Pega à 1º tentativa

Terminaram os 2 festivais em Santarém, triste porque nem o tempo ajudou nem o publico acudiu como devia a uma causa que era mais que meritória.

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