Salvou-se José Garrido em tarde de São João

Sanjoaninas, Corrida apeada, 24 de Junho

A tradição mantém-se, e o dia de São João é dia de toiros na aficionada ilha Terceira. Começa ao início da tarde com a tradicional espera de gado pelas ruas da cidade de Angra do Heroísmo, que atrai sempre grande número de curiosos, e prolonga-se até ao início da noite com a realização de um espectáculo na Praça de Toiros da Ilha Terceira. Este ano, o cartel apresentava uma corrida de toureio a pé, com os matadores Curro Diaz, Sebastián Castella e José Garrido. Este último que substituiu o anunciado Pablo Aguado, uma vez que não pode estar presente por motivos de saúde, tendo ressentindo-se de uma colhida sofrida ainda durante a feira de San Isidro. Toiros das ganadarias locais de Rego Botelho e José Albino Fernandes, criavam expectativa para um despique que se veio a mostrar frio.

O matador de toiros Curro Diaz lidou o primeiro da ordem, número 71 da ganadaria de José Albino Fernandes. Não teve a sorte desejada, muito por culpa do oponente que se mostrou escasso em bravura. Toureando pela direita, Curro Diaz viu o toiro desligar-se da muleta, saía solto e a procurar tábuas, perfazendo uma faena com pouca história.

Sebastián Castella apresentava-se como cabeça de cartaz, matador que dispensa apresentações e há muito tempo desejado por estas bandas. Recebeu por verónicas um “Albino”, que acusou na balança 432 Kg, toiro de pelagem negra, e que apresentou melhor comportamento que o primeiro. Ainda com o capote e ao quite, sacou nos médios uma série de chicuelinas. No tércio de bandarilhas, nota para o par cravado pelo terceirense João Pedro Silva, de forma exímia na cara do toiro. Apenas fazendo movimentar a muleta, iniciou a faena abraçado à trincheira e numa nesga de terreno. Toureou por derechazos, rematados com passes de peito, e escutou música depois de uma série de naturais. Simulou a estocada e recebeu a primeira ovação da tarde, depois de uma lide bem conseguida.

O terceiro toiro da tarde coube em sorte a José Garrido, que não se amedrontou perante os companheiros de cartel, e logrou uma boa actuação frente a mais um toiro da divisa verde e vermelha. O matador de Badajoz arrimou-se e toureou a gosto, contando com o jogo possível que o oponente dava. Destaque para uma terceira e quarta série pelo pitón direito, com temple e profundidade. Percebeu os terrenos e tirou partido do pouco que o toiro lhe podia dar, finalizando a lide com manoletinas, numa altura em que o hastado começou a rachar.

Após o intervalo, e numa corrida que decorreu a bom ritmo, seriam lidados os animais que viajaram da Caldeira Guilherme Moniz. Curro Diaz voltou a não ter sorte, e viu o segundo do seu lote partir uma haste, depois de ter saído dos curros e ter embatido com estrondo no burladero. Foi recolhido por ordem do director de corrida Rogério Silva, assessorado pelo médico veterinário José Paulo Lima, e substituído pelo sobrero número 32. Sem fazer jus ao nome, o “Soldado” deu pouca luta e não permitiu que a faena resultasse, o Rego Botelho desinteressava-se da muleta e a lide ficou resumida ao esforço empregue por Curro Diaz.

Ao quinto da ordem, um RB de 486 Kg, Castella recebeu por verónicas e a pés juntos. No segundo tércio, voltou a contar com a preciosa ajuda dos bandarilheiros, tendo cumprido a função de forma vistosa José Chacón e João Pedro Silva. O matador francês andou esforçado com a muleta mas sem chegar às bancadas. O toiro metia a cara de forma áspera na flanela, e tinha pouco recorrido, resultando numa lide pouco ligada e sem brilho.

O toiro mais pesado da tarde, a par com o sobrero lidado por Curro Diaz, estava reservado para a ultima actuação. O número 29 da ganadaria de Rego Botelho saiu dos curros para ser lidado por Garrido. O matador entendeu o toiro, deixou ambiente e realizou uma lide segura. Não se livrou de um toque na segunda série com a mão direita, felizmente sem consequências. Toiro colaborante, mas sem muita classe, numa faena que se baseou sobretudo nos médios. No final, José Garrido tinha motivos para sorrir, tendo sacado dos tendidos calorosos aplausos.

Findava desta forma a segunda corrida da Feira Taurina de São João 2019. No semblante de quem assistiu, a sensação que houve muito artista para pouca matéria-prima, numa corrida marcada pelo azar no lote de Curro Diaz, uma agradável primeira lide e o empenho de Sebastián Castella, e um José Garrido amadurecido e a mostrar o porquê de ter sido uma boa aposta de recurso.

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