Meu querido mês de Agosto

Crónica

Título tantas vezes usado para reportagens jornalísticas e igualmente por muitos de nós, em diversos contextos, é o título do meu adeus ao mês pelo qual esperamos durante largo tempo, ou pelo menos eu.

É neste mês que muito acontece, que tudo esquecemos e que renovamos energia para voltar à “luta” diária do “triste fado”.

Chegado o mês de Agosto, chegam também as festas e as romarias que nos reúnem enquanto conterrâneos. Juntamo-nos à volta de lugares, de sabores, de histórias partilhadas, de símbolos e de tradições. Na construção da identidade colectiva de um lugar, as festas da terra são talvez as celebrações que melhor reforçam os nossos laços afectivos.

É nesta época que acontece o regresso de milhares de emigrantes que dão vida e corpo às festas populares celebradas por todo o país. Festas preenchidas pelos rituais religiosos, cheias de música, comes e bebes, e as inevitáveis barracas.

Agosto representa igualmente o tempo das longas conversas com os amigos e família, que ao longo do ano são apenas brindados com mensagens, vídeos via whatshapp, e-mails, ou de quando em vez, se a agenda permitir, com uma chamada.

Sim, é tal como digo. Se pararmos dois minutos e pensarmos no nosso dia-a-dia, vemos como a azáfama diária nos priva de estar com quem mais gostamos. Mais ainda, de fazermos o que nos realiza… Mas isso para aqui nada interessa…

O mês de Agosto representa igualmente o apogeu da época tauromáquica e das expressões de rua. É verdade que algumas Feiras Taurinas de prestígio acontecem em momentos anteriores ou posteriores, mas é no “meu querido mês de Agosto” que a Festa tem outra expressão, outra força, comprovada pelas excelentes assistências.

É em Agosto que acontecem as festas da minha terra e também da sua. Todos obviamente com a legitimidade que nos assiste para defendermos que as nossas são as melhores do mundo. E são! São as “nossas”!

Assim acontece comigo com as minhas festas, com as Festas do Barrete Verde e das Salinas. Alcochete, terra onde tenho o privilégio de ter nascido, renasce, ganha vida, as pessoas espalham alegria e boa disposição, transmitida a quem por lá passa e certamente voltará.

São nestes dias e nas manifestações populares que se criam aficionados, que nos deliciamos com as brincadeiras das crianças – muitas delas acabadas de chegar à terra e sem qualquer herança taurina – que em plena rua com barretes e capotes na mão, brincam aos toiros e nos transportam a tempos passados e recordações de menino.

Mas os tempos de futuro são de desafio, de defesa do nosso património cultural e identitário. É, por isso, necessário que não se perca a autenticidade de cada uma das nossas festas, que as barracas tradicionais, os ritmos da portugalidade e os nossos costumes se mantenham, para que cada terra exiba, com orgulho e com brio, o que a distingue das demais.

Chegado aqui resta-nos contar os dias e os meses até que regresse o nosso “querido mês de Agosto”, porque para o ano há mais certamente!

“Até para o ano”!

Vasco Pinto

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