ProToiro emite nota de pesar sobre a morte de José Trincheira

A ProToiro emitiu ontem, 23 de outubro, uma nota de pesar relativa à morte do matador de toiros português José Trincheira, o “Leão do Alentejo”.

Leia abaixo e na íntegra a nota de pesar emitida pela Federação Portuguesa de Tauromaquia:

Morreu o matador de toiros José Trincheira, uma das figuras portuguesas do toureio a pé 

 

Aquele que foi o sétimo matador de toiros português, morreu na madrugada de sábado, vítima de doença cardíaca. Foi casado com Maria José Valério e um dos mais destacados matadores portugueses. 

 

 

Lisboa, 23 Outubro de 2022

 

O matador de toiros José Trincheira morreu este sábado aos 87 anos, num lar em Serpa, onde estava internado depois de ter sido submetido recentemente a uma operação ao coração.

 

O famoso matador de toiros ficou conhecido como o “Leão do Alentejo” pela grande coragem, temeridade e valor que demonstrou nas arenas, o que o levou a ser colhido gravemente pelos toiros em diversas ocasiões. 

 

O casamento de José Trincheira com a cantora Maria José Valério, recentemente falecida, foi um evento que marcou a actualidade do país em 1961, tendo-se realizado no Mosteiro dos Jerónimos, pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, com direito a transmissão na RTP. Nos cinemas de Lisboa, antes do início e nos intervalos dos filmes, passava um pequeno filme do casamento. Celebre ficou também o pasodoble gravado por Maria José Valério intitulado “Olé Trincheira”

 

Para Nuno Pardal, Presidente da Associação Nacional de Toureiros, “A morte de José Trincheira é uma enorme perda para a tauromaquia. Foi um exemplo dos valores taurinos nas arenas, com uma coragem e um valor exemplares, que moveram multidões e ecoaram no país e além fronteiras.”

 

Nascido António José Serrador Trincheira a 6 de Setembro de 1935 em Borba, viveu a infância em Vila Viçosa e nessa terra nasceu a sua paixão pelos toiros. Viria a frequentar em 1954 a escola Arena, em Lisboa, que era dirigida pelos toureiros Júlio Procópio, Augusto Gomes Júnior e Sebastião Saraiva. Apresentou-se como novilheiro aspirante em Junho de 1955, na praça alentejana de Santa Eulália, onde alcançou enorme êxito.

 

Somando triunfos por todo o país, em 1955 apresenta-se na Praça de toiros do Campo Pequeno, junto com Amadeu dos Anjos e José Júlio, toureiros com que manteria uma casa rivalidade nas arenas. 

 

Apresentou-se pela primeira vez em Espanha na praça de Olivença em 1956, alternando com Curro Puya e Paco Pita, frente a novilhos da ganadaria de Guardiola. Estreia-se em Sevilha em 1957 e obteve um enorme êxito, sendo levado em ombros da praça até ao hotel pelos aficionados, sendo aclamado pela crítica. 

 

Recebeu a sua alternativa de matador a 28 de Setembro de 1958 em Cáceres, concedida pelo venezuelano César Girón e com o testemunho do espanhol Manolo Segura, frente a toiros de Pablo Romero. Os triunfos levam-no a apresentar-se no México, onde continua na senda do sucesso.


Confirmou a alternativa em Madrid a 7 de Agosto de 1966, sendo seu padrinho o matador José Luís Barreto e actuando Agustín Castillares “El Puri” como testemunha. Lidam-se toiros de Francisca Sanchez. A sua carreira passou também por Angola, onde chegou a residir. 

 

Nos anos setenta a sua carreira declinou e teve várias paragens e regressos às arenas, até que se despediu do toureio cortando a coleta em 12 de Setembro de 1999 numa corrida realizada na praça de Vila Viçosa, tendo-se tornado empresário. 

 

As cerimónias fúnebres decorrerão esta terça-feira em Vila Viçosa. À família, amigos e a todos os que o acompanharam deixamos as nossas condolências. 

 

PROTOIRO

Federação Portuguesa de Tauromaquia

Artigos Similares

Destaques