Pouco ficou para contar…

Crónica

Praça de Touros do Campo Pequeno, 03.09.2020

 

 

Cavaleiros:

Rui Salvador

Gilberto Filipe

Manuel Telles Bastos

Duarte Pinto

Ana Rita

Parreirita Cigano

 

Ganadaria: António José da Veiga Texeira

Grupos de Forcados Amadores de Montemor e Alcochete, capitaneados, respectivamente, pelos Senhores António Vacas de Carvalho e Nuno Santana.

 

 

Quinta corrida de abono da arena Lisboeta, que tinha um cartel mais modesto que as anteriores, cujo principal atractivo era a presença do curro de António José Teixeira e o confronto entre dois dos melhores Grupos de Forcados a nível Nacional.

Por várias razões, os aficionados não corresponderam ao repto da empresa, e registou-se a pior assistência da época nesta praça.

Os toiros saíram bem apresentados, com trapio e com algumas nuances de bravo, exceptuando o saído em quinto, que foi bronco, avisado e complicado.

Ficou provado que apresentação e peso são dois conceitos diferentes, e um toiro para estar bem apresentado e ter trapio não necessita de ter 600 quilos.

De notar a falta de força dos saídos em 1.º e 2.º lugar.

Dos seis Cavaleiros em praça, não se pode dizer que nenhum tenha triunfado claramente, nem tão pouco se pode dizer também que a actuação de qualquer deles tenha sido negativa.

A corrida decorreu num tom morno, Rui Salvador limitou-se a deixar a ferragem comprida, para depois deixar um ar da sua graça na colocação dos curtos, evidenciando uma boa brega, destacando-se o ferro deixado em último lugar, rematado superiormente.

Gilberto Filipe foi autor, quiçá da lide mais redonda da noite, andou bastante acertado na colocação da ferragem e a mexer no oponente, com destaque para o terceiro ferro da ordem que resultou ajustado e ao estribo.

Manuel Telles Bastos não defraudou, mas também não deslumbrou, colocou três boas tiras a iniciar a função, depois de receber o toiro sem a ajuda dos bandarilheiros.

Nos curtos o seu toureio baseou-se em sortes frontais, com entradas ao pinton contrário que resultaram correctas.

Duarte Pinto esteve algo irregular, consentindo alguns toques, porém teve o mérito de pôr o toiro a favor da crença, citar de praça a praça e deixar alguns ferros com impacto e reuniões justas, como foi o terceiro, talvez o melhor ferro da corrida.

Ana Rita é um caso sério de conectividade com o público, porém, o seu toureio é assente em passagens no corredor ou reuniões aliviadas, rematou com um violino dois palmitos que entusiasmaram o público nas bancadas.

Fechou a noite Parreirita Cigano, que foi autor de uma lide de menos a mais, esteve irregular, ainda assim demonstrou toda a irreverência do seu toureio.

No capitulo da forcadagem não se adivinhava tarefa fácil, face à fama dos toiros da ganaderia lidada nessa noite, no entanto, e exceptuando o quinto toiro, os restantes não mostraram complicações de maior, e as que existiram foram criadas por deficiências técnicas dos forcados da cara.

Por Montemor foram solistas Vasco Ponce à primeira tentativa, numa pega fácil com o toiro a afocinhar depois da entrada do primeiro ajuda. Francisco Barreto à primeira tentativa, emendando-se bem depois de escorregar enquanto recuava na cara do toiro e Francisco Borges, forcado consagrado e de eleição que não esteve nas suas noites e não conseguiu suprir as dificuldades que o toiro mais difícil da noite lhe impôs, pegando apenas à quarta tentativa com ajudas carregadas.

Por Alcochete Vitor à segunda tentativa, fruto duma primeira tentativa em que se adiantou e não conseguiu reunir com o toiro, Manuel Pinto, forcado de dinastia que teve uma primeira tentativa estóica após uma reunião deficiente, consumou à segunda com valentia e garra, fechou a noite João Belmonte com uma pega vistosa à primeira tentativa, onde a reunião também não saiu perfeita.

Destaque para os dois primeiros ajudas “titulares” de ambos os grupos, António Cortes Pena Monteiro e João Rei, que mais uma vez demonstraram a valentia, abnegação e solidarieddade, valores intrínsecos do que é ser Forcado Amador.

 

 

Ultimos Artigos

Artigos relacionados