Comunicamos muito, mas parece que nem sempre ouvimos verdadeiramente. Em cada diálogo, cada um de nós traz consigo um mundo de pensamentos, preocupações e emoções. É fácil ouvir as palavras, mas difícil captar a essência do que o outro realmente deseja expressar. Isto torna-se ainda mais evidente em momentos de dificuldade, onde podemos ter pessoas com quem falar, mas a sensação de não sermos compreendidos persiste, dando vida a um profundo sentimento de incompreensão.
Uma pessoa pode estar rodeada de amigos, familiares e colegas, e até ter centenas de contactos nas redes sociais, mas sentir uma solidão emocional avassaladora. O verdadeiro entendimento vai além do número de presenças à nossa volta.
Ele exige mais: atenção, paciência e, principalmente, a disposição de olhar a situação pelos olhos do outro.
Estudos sobre solidão e relações reforçam esta ideia. Um importante relatório do Surgeon General americano lançado em 2023, reafirma que a qualidade das nossas ligações é fundamental para a nossa saúde e bem-estar.
Porque é tão difícil sentirmo-nos verdadeiramente compreendidos?
Nas conversas, muitas vezes estamos mais preocupados em preparar a nossa resposta do que em entender o que o outro diz.
Quando alguém partilha um dia difícil, a nossa mente imediatamente procura uma experiência semelhante ou uma solução rápida.
Respostas como “eu também passei por isso” podem ter boas intenções, mas frequentemente desviam a atenção para nós próprios, enquanto o que o outro realmente necessitava era ser ouvido.
Assim, a conversa deixa de ser um verdadeiro intercâmbio e torna-se apenas duas narrativas a cruzar-se.
Para nos sentirmos verdadeiramente compreendidos, não basta que alguém ouça as nossas palavras; é necessário que essa pessoa se esforce genuinamente para entender o que estamos a tentar comunicar. Uma série de cinco estudos realizados com 1.643 participantes revelou que uma escuta de qualidade, caracterizada pela atenção e compreensão, pode reduzir a solidão após a partilha de uma experiência de rejeição social.
Para nos sentirmos entendidos, soluções não são sempre necessárias
Quando alguém próximo partilha uma dificuldade, a nossa reação inicial tende a ser a busca por uma solução.
Contudo, quando alguém diz “sinto-me exausto”, o que realmente precisa é que alguém reconheça a sua fadiga e o que está a atravessar.
Ao partilhar uma dificuldade, nem sempre procuramos uma resposta técnica; frequentemente só precisamos de uma presença atenta que compreenda a nossa experiência e os nossos sentimentos.
Assim, o que conta não é apenas a resposta dada; sentir-se realmente compreendido não implica obter a resposta certa. Parte do que precisamos é a validação da emoção por detrás das nossas palavras.
Uma estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology em 2025 demonstrou que um ouvir empático pode criar uma sensação de proximidade e satisfação de necessidades psicológicas, como autonomia e conexão.
Sentir-se realmente entendido requer, acima de tudo, atenção
Embora as distrações digitais, como as notificações dos smartphones, possam desviar a nossa atenção durante uma conversa, atribuir apenas a eles a falta de escuta é redutor.
Chegamos aos nossos diálogos carregados de stress, preocupações e cansaço mental, o que pode complicar ainda mais a nossa capacidade de ouvir.
O verdadeiro desafio, muitas vezes, reside na atenção.
Duas pessoas podem falar durante longos períodos sem se estarem realmente presentes uma para a outra.
Como é a verdadeira escuta?
Ouvindo bem é muitas vezes mais simples do que aparenta.
Pode significar deixar o outro terminar a sua frase sem interrupções, fazer perguntas como “E depois, o que aconteceu?”, ou até reformular o que foi dito antes de sugerir uma solução.
É possível também refletir a emoção expressa: “Sinto que esta situação te deixou exausto” ou “Parece que te sentiste ignorado”.
Por vezes, alguns segundos de silêncio são significativos, mostrando que não buscamos necessariamente preencher cada momento com uma resposta.
Sentir-se verdadeiramente compreendido pode derivar precisamente desses momentos em que alguém não tenta corrigir a nossa experiência, não a compara à sua, e não oferece soluções imediatamente.
Às vezes, ser ouvido na totalidade já cria uma forte sensação de conexão.
Atenção: este artigo é meramente informativo e não substitui o aconselhamento ou tratamento de um profissional de saúde ou saúde mental.
Cet article est proposé à titre informatif et de réflexion. Il ne constitue en aucun cas un avis médical, psychologique ou professionnel. Les notions évoquées s’appuient sur des recherches publiées ainsi que sur des observations éditoriales, et ne résultent pas d’une évaluation clinique. Pour votre situation particulière, veuillez consulter un professionnel qualifié.




