Pegas e fogo de artificio aqueceram a noite em Moura

13-07-2019

Moura

Tradicional corrida de toiros, integrada nas festas em honra de Nossa Senhora do Carmo

Cavaleiros:
João Telles Jr.
Francisco Palha
Miguel Moura

Grupos de forcados:
Grupo de forcados amadores de Évora
Real grupo de forcados de Moura

Ganadaria:
Fernandes de Castro

Direcção:
Exmo. Sr. Domingos Jeremias, que dirigiu com acerto, mostrando apenas alguma indecisão no terceiro toiro da noite, contudo decidiu bem o regresso do toiro aos curros, em virtude da sua visível diminuição física.

A empresa do Sr. Rafael Vilhais e João Cortez levou a cabo mais uma tradicional corrida, integrada nas festas em honra de Nossa Senhora do Carmo em Moura. Como nos têm habituado, os toiros saíram de apresentação irrepreensível, quanto ao jogo um pouco irregular, destacaram-se pela transmissão, nobreza e codícia o 2, 4 e 5 da noite.

Abriu praça o mais velho cavaleiro de alternativa João Telles Jr., perante um toiro com 600kg reservado, mas que se deixou lidar. Nos compridos andou correcto, nos curtos realizou uma boa serie ao pitón contrário, boa lide sem no entanto conseguir romper.

Para o segundo da noite o grande triunfador da temporada passada, Francisco Palha, pela frente o mais pesado da noite com 640kg, Palha andou sempre muito ligado ao toiro e realizou uma lide muito em curto, procurou trazer o seu oponente na garupa do cavalo, para preparar as sortes. Destacou-se o quarto ferro, aguentando a investida do toiro para depois cravar o ferro com emoção. Boa lide.

A fechar a primeira parte da corrida, o Benjamim da casa Moura, Miguel recebeu o toiro com o peso de 560 kg em sorte gaiola, ferro este que empolgou as bancadas, no entanto o toiro apresentava grandes sinais de diminuição física e foi recolhido aos currais. A empresa num gesto de consideração e respeito pelos aficionados, decidiu oferecer o toiro sobrero, que viria a sair em sexto lugar. Foi então trocada a ordem e o seu sexto foi lidado em terceiro, com 620kg o toiro apresentou nítidas dificuldades de locomoção, lide com pouca história, limitou-se a cravar a ferragem da ordem, não havia matéria-prima para mais.

Após o intervalo de novo em praça João Telles, pela frente um toiro com 570kg, mostrou alguns pormenores de bravo e foi encastado. Andou bem nos compridos, nos curtos cravou ferros de boa nota, deixando bom ambiente na praça, contudo ficou a sensação que faltou qualquer coisa, para que a lide tivesse resultado redonda.

Para o quinto toiro da noite Francisco Palha, por diante um exemplar com 540kg, toiro que mostrou mobilidade, codícia e como o anterior, alguns pormenores de bravo. Andou correcto nos compridos, nos curtos esteve bem, mostrou confiança naquilo que estava a fazer, contudo faltou o tal ferro tremendista que nos habituou.

A encerrar a noite neste capítulo, Miguel Moura, pela frente o toiro sobrero com 520kg, foi reservado mas cumpridor. A lide foi em crescendo, terminando com dois bons ferros, não podia fazer muito mais, de qualquer forma, pareceu-nos que o cavaleiro emprestou velocidade a mais à lide.

Nas pegas a noite prometia e a exigência era máxima, os dois grupos mostraram estar à altura e mostraram muita coesão, com um ou outro apontamento menos bom.
Iniciou o grupo de Évora através de João Madeira, a dar vantagens o forcado iniciou o cite com muita serenidade, o toiro sai solto mas o forcado alegra-lhe a investida, reúne bem, faz a viagem por alto e o grupo fechou de seguida coeso.

Para o segundo da noite o Real de Moura, através de Gonçalo Borges, cite bonito e com classe, não consegue no entanto mandar na investida, o toiro ensarilha e na reunião despacha o forcado com grande aparato, saltou para a dobra o experiente Cláudio Pereira, fez tudo bem, com muita serenidade inicia o cite, manda vir o toiro, que provoca uma reunião dura e cheia de poder, o grupo respondeu à altura e fecha uma rija pega. Num gesto de respeito pelo companheiro dobrado, decide não acompanhar o cavaleiro na volta de agradecimento, mesmo sob forte pedido do público.

Para o terceiro novamente os eborenses, na linha da frente António Torres Alves, na primeira tentativa o forcado manda vir o toiro reúne superiormente, aguentando de seguida vários derrotes, até ser “despachado” no sitio dos segundas ajudas. Na segunda e ultima tentativa, entrou os terrenos do toiro, este sai avisado com o grupo já mais em curto, o forcado volta a reunir bem, aguenta vários derrotes na viagem, mas desta vez o grupo foi mais lesto e fechou uma grande pega, a registar também uma boa primeira ajuda. O público exige ao forcado, novo agradecimento no centro da praça após volta.

Numa altura que o fogo de artificio abrilhantava a corrida, Rui Branquinho pelo Real de Moura perfilou-se para bater as palmas ao toiro, iniciou o cite, entrou nos terrenos do oponente, carregou a sorte, reuniu com preceito e recebe uma excelente primeira ajuda, a viagem é feita por alto até tábuas, o grupo esteve muito bem a ajudar, fechando de seguida uma grande pega. Chamada muito justa do primeiro ajuda, após volta, ambos agradecem no centro da praça.

Para o quinto da noite e pelo grupo de Évora, Dinis Caeiro, na primeira tentativa o toiro sai solto e com pata, rompendo pelo grupo, o forcado fez tudo para ficar, mas o toiro ganhou esta primeira batalha, na segunda tentativa e com o primeiro ajuda já em curto, o toiro sai novamente solto e com pata, mas desta vez o forcado e o grupo levaram a melhor. Chamada do forcado que se fez acompanhar do cavaleiro, ao centro da arena para novo agradecimento.

Para terminar a corrida o grupo da casa, na linha da frente Carlos Mestre, pega correcta e sem problemas, o grupo fechou bem.
Após 03h15 chegou ao fim mais uma tradicional corrida de toiros na cidade salúquia, houve alguns bons momentos de toureio, boas pegas, o público divertiu-se, quando assim é, o saldo só pode ser positivo, o tempo de duração do espectáculo foi seguramente, o sinal menos da noite.

Artigos Similares

Destaques