Parreirita Cigano passou com distinção

Campo Pequeno, 29 de Junho de 2017

Esta é a data que fica para sempre na memória do Carlos Miguel da Conceição, jovem do Cartaxo que sempre quis ser toureiro, e neste dia cumpriu o sonho, tirando a alternativa com o nome artístico Parreirita Cigano, herdado do pai.

Um cartel de 6 cavaleiros e 3 grupos de forcados, tendo pela frente um curro de toiros de Veiga Teixeira, com uma apresentação irrepreensível e que em muito contribuíram para a boa noite de toiros a que assistimos.

O primeiro toiro da ordem, com 590kg, foi o da alternativa de Parreirita Cigano, apadrinhado pelo seu mestre Manuel Jorge de Oliveira, cavaleiro já afastado das arenas, que cumpre este ano 40 anos de alternativa.

O toiro, tal como os restantes, saiu dos curros com muita pata e a transmitir, conseguindo o cavaleiro dobrar-se bem com ele e cravar dois bons compridos, chegando ao público, sem nunca mostrar a enorme pressão que tinha naquele início de lide. Trocou a montada, e fez uma lide de encher o olho. Bons ferros, com verdade e emoção, numa lide bem ligada, com destaque para o 2º curto, que levantou a praça, principalmente naquele sector que o acompanhou do Cartaxo e muito o apoiou. Passou no exame com distinção, e temos mais um jovem cavaleiro de alternativa.

Seguiu-se um toiro com 572kg, que coube ao padrinho Manuel Jorge de Oliveira, cavaleiro de grandes triunfos já retirado, que teve o bonito gesto de voltar às arenas frente a um imponente Veiga Teixeira, para apadrinhar o seu discípulo. Não lhe coube um toiro fácil, saiu a pedir contas, tinha mais sentido que o primeiro, e por vezes adiantava-se. O cavaleiro conseguiu ultrapassar as dificuldades deste toiro, e cravou os 2 compridos com acerto, após uma primeira passagem em falso. Trocou de cavalo e teve mais um bonito gesto, convidando o seu aluno para uma lide a duo, em que o Parreirita Cigano confirmou perante um toiro mais complicado, que tem argumentos para ser toureiro.

O maior toiro da corrida era uma estampa, com 616kg, saiu distraído sem interesse no cavalo nem no capote, mas após o 1º comprido de Rui Salvador “abriu” e resultou numa lide entretida. Cravou 4 curtos a um toiro que acabou por não transmitir tanta emoção como os primeiros, mas que cumpriu bem.

Após o intervalo, entrou em praça a cavaleira Ana Batista, a quem calhou o pior do lote. Um Veiga Teixeira com 590kg, manso perdido. Na saída à praça e nos ferros compridos apertou muitíssimo, conseguindo a Ana um 1º comprido muito aplaudido, mas sofrendo depois na pele as dificuldades do toiro, que de início mostrou ter muito andamento quando via que podia alcançar o cavalo, e que depois virou a cara à luta, refugiando-se nas tábuas e não dando hipóteses de triunfo.

O 5º toiro tinha 592kg e prometia, mas parece ter-se lesionado, talvez num lance de capote, ou na ferragem dos compridos, pois começou a mudar o comportamento e a sentir algumas dificuldades físicas, parecendo claudicar em algumas situações. Esta dificuldade física alterou muito o comportamento do toiro, que começou a defender-se, e a lide do João Maria Branco acabou por não resultar, principalmente por culpa dessa limitação do toiro. No final, insatisfeito com a sua sorte, não deu volta à arena.

O último da noite foi mais um toiro de notável apresentação, com 590kg. Jacobo Botero veio com uma enorme vontade de triunfar e começou a lide com uma porta gaiola, que resultou em pleno. Grande ferro e grande momento a terminar com o toureiro a dobrar-se bem e a parar o toiro, com grande parte do público a aplaudir de pé. Outro comprido de boa nota, e uma lide ligada e com bons ferros. Arriscou muitíssimo no 3º curto levando um toque muito forte, que se conseguisse ter evitado seria sem dúvida a lide da noite. O cavaleiro Colombiano mostrou muitos argumentos, utilizou 4 cavalos, e terminou a lide com um violino de boa nota.

As pegas estiveram a cargo de três grupos Ribatejanos.

Pelos Amadores do Ribatejo foram caras Rafael Costa (1ª) e André Martins (2ª)

Rafael Costa teve que ir buscar o toiro aos seus terrenos, mas conseguiu sacar-se, recuando e fechando-se com vontade numa reunião dura em que o toiro meteu a cara por alto.

A André Martins calhou o toiro mais manso da corrida. Na 1ª tentativa o toiro não se queria arrancar, e tivemos momentos em que o forcado carregava e voltava a carregar sempre no mesmo sítio, sem que o toiro saísse. Em momentos em que já não dá para entrar mais nos terrenos do toiro, o mais correcto é desfazer a pega, e mudar os terrenos ao toiro. No entanto, naqueles momentos em que carregava e voltava a carregar, o toiro acabou por arrancar e o forcado ainda se fechou com vontade, mas acabou por sair com um violento derrote. Pegou á 2ª tentativa, numa tentativa em que o toiro foi colocado nos médios e saiu quando quis, reunindo o forcado já perto das tábuas com o grupo a fechar e a resolver.

Pelos Amadores da Chamusca pegaram Igor Rabita (2ª) e Luís Isidro (1ª)

Igor Rabita na 1ª tentativa teve pela frente um toiro que arrancou de largo e deu um forte derrote, que o forcado não aguentou. Na 2ª tentativa aguentou a investida do toiro, e o grupo fechou com muita coesão.

O Luís Isidro fez a pega da noite. Mostrou toreria no cite, mandou no toiro, carregou no momento certo e fechou-se com garra, sendo muito bem ajudado pelo grupo. Agradeceu apenas nos médios (porque o cavaleiro não deu volta), mas poderia ter dado volta, por ser merecida e muito pedida pelo púbico.

Nota positiva também para o forcado Emanuel Injai pelas excelentes ajudas efectuadas em ambos os toiros.

Pelo Aposento da Chamusca pegaram Francisco Andrade (2ª) e João Salgueiro (3ª)

Francisco Andrade na 1ª tentativa reuniu bem, mas não aguentou um violento derrote mesmo no momento em que estava a entrar o 1º ajuda. Pegou bem à 2ª tentativa recuando bem o toiro, e sendo bem ajudado pelo grupo, com destaque para a 1ª ajuda do cabo Pedro Coelho dos Reis que acabou por ser chamado a dar volta com o forcado da cara.

O último toiro foi o que mais emoção deu na pega. Era um “comboio”, daqueles que “vêm a mil”, reúnem bem com o forcado da cara, mas que depois precisam que os ajudas se agigantem, para consumar. O João Salgueiro foi o escolhido para pegar este toiro, e nas duas primeiras tentativas faltaram ajudas, consumando à terceira tentativa, já com alguns forcados a saltarem da trincheira para conseguir parar o toiro. Nota de destaque para as valentes três tentativas do forcado da cara onde esteve sempre imponente e tecnicamente perfeito.

No final, atribui-se um prémio aliciante para a melhor lide, que será a presença no próximo cartel do Campo Pequeno, dia 8 de Julho. O júri votou em Parreirita Cigano, tendo a empresa depois acordado com ele e com Jacobo Botero, para que ambos marcassem presença no próximo cartel. Bonito gesto da empresa reconhecendo assim o valor da lide do Rejoneador Colombiano.

Parreirita Cigano voltou a estar muito bem aqui, aceitando partilhar com Jacobo Botero uma data que seria sua, e dia 8 de Julho, para além do mano-a-mano apeado entre El Fandi e Juan del Álamo, teremos a “desforra” entre estes 2 jovens que estiveram em grande plano esta noite.

Nota relevante também para o Jornal “O Mirante” pelo apoio prestado à festa brava, tanto nesta corrida como habitualmente no seu semanário.

 

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