Os falsos mitos da Tauromaquia Portuguesa

Crónica

No atual panorama da sociedade Portuguesa é frequente acompanharmos nas redes sociais as mais variadas formas de tentar denegrir a imagem da Tauromaquia, utilizando uma diversidade caricata de argumentos.

No meio de toda essa diversidade, o único argumento que poderia ser admissível seria o da aceitação (como País democrático que somos) de que alguém não goste, que não se identifique, ou que não concorde com a cultura tauromáquica em si.

Mas de um lado oposto, aparece a versão menos democrática, a de quem não gosta, e como tal, tudo faz para impor o seu ponto de vista a quem é aficionado, ou a quem, não tendo o conhecimento geral do espetáculo, seja induzido numa ideologia sem que tenha conhecimento de ambas as partes.

Esta tentativa de impor uma ideologia, tentando a todo o custo desinformar e privar o público-alvo da realidade de uma das partes é, por norma, a ideologia animalista radical. A tal, que se considera democrática, desde que a democracia implique que se cumpram na íntegra os seus ideais.

 

Estranha forma de democracia, não será?

 

Pois, mas é cada vez mais comum, seja através das redes sociais, da informação (ou contra-informação) que passam para a comunicação social, ou através da imagem pouco realista que tentam passar para o sector político.

E é nessa tentativa de passagem de uma imagem deturpada da tauromaquia para o sector político, seja ele na Assembleia da República ou em muitas Câmaras Municipais pelo País fora, que continuam a surgir recorrentemente as pressões ideológicas com base em falsos mitos, ou mesmo mitos fabricados, contra a arte tauromáquica.

Um dos exemplos mais evidentes e recentes é a organização por parte do partido PAN juntamente com a Fundação Franz Weber (recente parceira em Portugal deste partido), de uma conferência com o tema “A violência no quotidiano das crianças”, em que no cartaz público, para além do título, apenas aparece o nome dos participantes, nomeadamente a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, o Bastonário da Ordem dos Psicólogos, a Presidente Executiva do Instituto de Apoio à Criança, entre outros, e imagine-se, a advogada da Fundação Franz Weber, a mesma que foi a consultora legal do processo que deu origem à proibição das corridas de touros na Catalunha.

Fundação Franz Weber que é uma associação animalista, financiadora de movimentos anti-taurinos pelo mundo, não tendo qualquer relação com a proteção de crianças. Tenta sim, instrumentalizar a imagem dessas crianças para atingir os seus propósitos.

Mas, se na imagem pública do evento nada mais se vislumbra, eis que na página de divulgação do PAN sobre o evento é claro o objetivo do mesmo, ou seja, criar bases para proposta de leis que proíbam a assistência ou participação de menores em espetáculos tauromáquicos.

Mas será que todos os oradores convidados foram informados das reais pretensões desta conferência?

É que para fundamentar a mesma, pretende o PAN e a Fundação Franz Weber fazer referência a um relatório de 2014 do Comité dos Direitos da Criança da ONU, onde se efetuavam algumas recomendações ao Estado Português para que adotasse algumas medidas, legislativas e administrativas, com vista a limitar e a proibir a participação de crianças em touradas e a limitar e a proibir a visualização, por parte destas, desses espetáculos.

Acontece que essa mesma recomendação foi baseada em informação entregue no Comité por parte da Fundação Franz Weber no âmbito da sua campanha anti touradas, e nada teve a ver com a proteção de menores, mas sim com um ataque deliberado à tauromaquia de uma forma paralela e dissimulada, sem ter por base qualquer estudo científico ou sociológico. Tentando passar a imagem que as crianças que assistem e participam em eventos tauromáquicos serão pessoas violentas e sociopatas na sua idade adulta.

E aqui é que reside o cerne da questão da dita conferência do próximo dia 5 de Abril, em plena Assembleia da República, ou seja, é aceitável que se diga, sem qualquer fundamento, que uma criança aficionada se irá transformar num psicopata violento no futuro?

A resposta é sabida, tanto para os aficionados, como para os próprios anti-taurinos: Evidentemente que não!

Se precisam de estudos, basta que acompanhem as mais variadas gerações de um sem número de famílias aficionadas, toureiras, ganadeiras, ou de intermináveis gerações de forcados dos últimos 100 anos. De todos estes intervenientes, das largas centenas de milhares de crianças que acompanharam as tradições tauromáquicas, quantas foram e são hoje em dia pessoas influentes e preponderantes da nossa sociedade? Sejam das classes mais baixas às classes mais altas, sendo a tauromaquia um fenómeno transversal à sociedade, a sua repercussão no carácter de quem acompanha os seus valores tem moldado ao longo dos séculos uma classe alargada de pessoas idóneas, cultas e educadas, onde os tais casos de desvio comportamental da sociedade são um devaneio sem qualquer fundamento de quem se diz protetor das pessoas, quando na realidade as suas ideologias vegan relegam totalmente para segundo plano o papel do homem.

Em eventos como o que se publicita, o propósito único é tentar atacar um sector de um modo dissimulado, pois frontalmente esta própria recomendação da ONU, sem qualquer fundamento, já foi apresentada por diversas vezes aos nossos decisores políticos e institucionais ao longo destes últimos 3 anos, tendo sido sempre relegada para um plano de carácter dúbio e constantemente derrotada nos meandros legislativos.

Mas, se é fácil comprovar que esta recomendação não tem qualquer sustentabilidade na sua argumentação, o que dizer da postura na sociedade dos radicais animalistas? Os mesmos que incendeiam as redes sociais com impropérios e ameaças de morte para com aficionados e artistas, ou que se deslocam em constante número reduzido para junto de praças de touros e gritam ofensas e difamações para as multidões que assistem a touradas. Os mesmos que noutros países, como recentemente na Colômbia, atacam de forma violenta quem se dirige para uma corrida de touros.

Será que, por uma evidente analogia, não deveria estar para breve a entrega de um estudo à ONU que recomende ao estado Português medidas de contenção da violência social inerente aos ativistas animalistas radicais, e que impeça o convívio de crianças com este tipo de violência verbal, visual e física, característica deste tipo de radicalismo ideológico?

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