Eles são muitos a preferir o conforto acolhedor do seu interior enquanto o mercúrio está em baixo. Se gostar de ficar em casa é uma tendência normal no inverno, não é necessariamente o sinal de que você recusa o contacto dos outros. Um especialista em psicologia explicou justamente o que este comportamento revela da sua personalidade.
Os caseiros reivindicam por vezes um modo de vida frequentemente mal compreendido. Ser caseiro não significa fugir do mundo. Bem frequentemente, eles podem ser percebidos como pessoas que limitam as relações sociais. No entanto, eles não são todos “ursos que se refugiam na sua caverna”. E se eles saem um pouco mais raramente de casa, é porque nela encontram um certo equilíbrio.
Não é porque você gosta de ficar em casa que você é asocial
É, aliás, o que explicou o Dr. Saverio Tomasella, doutor em psicologia clínica, num artigo publicado no site francês Le Journal des Femmes. Este especialista distingue primeiro o hábito sazonal. “A partir de meados de novembro e até meados de fevereiro, o nosso corpo precisa de descanso, de calor e de interiorização”, começou ele por recordar. Antes de prosseguir: “É uma forma de hibernação, porque nós somos também animais.”
Mas, uma vez passado o inverno, alguns relutam sempre em pôr o nariz fora de casa. Se “as pessoas caseiras preferem estar em casa”, é bem frequentemente devido a um “temperamento introvertido”. Eles têm tendência a considerar o seu interior como “o seu refúgio, o seu lugar de referência”, um lugar no qual se sentem bem e em segurança.
A casa é um lugar no qual é possível recuperar energias
Existe, enfim, um terceiro tipo de caseiros que são geralmente sobrecarregados ao longo da semana. Trata-se nomeadamente das “pessoas que têm muitas coisas para fazer, como certas mulheres, entre a casa, o trabalho e a família”, sublinha o Dr. Saverio Tomasella. Para esses, a casa é antes o porto de abrigo no qual é possível encontrar um pouco de tranquilidade.
“Quando tenho mais tempo para mim, fico em casa, porque é lá que estou bem”, resume o especialista. Porque estar em casa num ambiente familiar é uma forma de cuidar de si próprio e de contribuir para o seu equilíbrio psíquico. “As pessoas que sabem dedicar tempo em suas casas, sozinhas ou com os seus entes queridos, têm uma boa saúde mental”, explica, aliás, o psicólogo. É uma maneira de recuperar energias, de recarregar as baterias, mesmo que a casa nem sempre seja o lugar mais calmo, especialmente para aqueles que têm filhos.
Não pôr o nariz fora de casa também pode ser o sinal de um isolamento
Convém, no entanto, ser prudente e distinguir aqueles que gostam de ficar em casa e são simplesmente caseiros das pessoas que fazem tudo para não pôr o nariz fora de casa. “O isolamento social é um extremo deste fechamento sobre si mesmo”, precisa, de facto, o especialista. Trata-se, neste caso, de um “fechamento ao outro”, um “isolamento psíquico”.
É, então, essencial quebrar esta espiral e, para evitar encontrar-se numa situação que pode prejudicar a saúde mental, só há uma solução. “A única coisa a fazer é entrar em contacto com uma pessoa real, viva: um membro da família, um amigo, um vizinho, ou um terapeuta se necessário”, aconselha o médico.




