O 10 de Junho em Santarém

  • Local: Monumental Praça Celestino Graça
  • Data: 10 JUN 2019
  • Hora de inicio: 18h
  • Cartel: António Ribeiro Telles, Luis Rouxinol e João Salgueiro da Costa
  • Grupo de Forcados Amadores de Santarém
  • Ganadarias: 5 de de José Luis Vasconcellos Souza d’ Andrade + 1 toiro de Canas Vigouroux
  • Director de corrida: Sr. Lourenço Luzio
  • Veterinário: Dr. José Luís Cruz
  • Assistência: 7300 pessoas 

Vou-lhes ser franco…estava à espera de um bocadinho mais desta 1ª da Feira do Ribatejo.

Provavelmente porque também esperava outro comportamento dos “Sommer”; porque a tarde estava fresca (quando se pedia um bocadinho mais de “quentura”), porque, porque, porque, porque! Faz-me lembrar aquele quadro espectacular daquele pintor clássico Renascentista que todos falam e no fim, o que retivemos, foram pormenores. Não diminui o artista nem a obra mas que soube a pouco é verdade. Assim, a grosso-modo foi aquilo que retive.

Uma meia-casa muito forte (+ de 7000 pessoas), muitos jovens, muitos novos aficionados, uma presença interessante da campinagem, uma belíssima distribuição dos espectadores pelos 8 sectores, um óptimo ambiente (mais uma vez) cá fora e dentro da Praça, automóveis por tudo o que era lado, movimento na cidade, restaurantes cheios até à porta e a notar-se toda a gente com muita vontade de entrar…e depois, lá do outro lado da Avenida Grupo de Forcados Amadores de Santarém, 20 (?) antis a fazerem barulho!!!

A corrida começou como tem vindo a ser timbre e de acordo com o anunciado, às 18h.

Durante a fase inicial das cortesias, e dado que era feriado e o dia de Portugal, foi anunciado que as mesmas iriam ser interrompidas para que a banda tocasse a “ A Portuguesa”. Confesso que este momento tocou-me como me toca sempre que ouço o nosso hino. Gostava até e mesmo correndo o risco da colagem ao Campo Pequeno, que este momento sucedesse sempre que houvesse corrida na Celestino. Achei bonito!

António Ribeiro Telles

O Antonio, toureou o 1º toiro da corrida com 510 kg e de nome Avellano e o 4º , com 540 kg (o mais pesado) e de nome Cordobês. No 1º toiro, o António fez o que pode e mais não conseguiu porque o toiro da Herdade Fontalva não se deixou vêr. Era reservado, intempestivo, agressivo (já nos capotes e no cavalo) e muito pouco claro ao que vinha. O Mestre da Torrinha bem tentou mas a verdade é que lhe deu a lide possível. Esforçado e correcto em tudo o que fez em Praça mas face a um toiro que cada vez se fechava mais, era notória a dificuldade em impor ritmo a um hastado que teimava em não acompanha-lo. Lide limpa e correcta.

Pega:

Saltou para a pega deste toiro o Cabo do Grupo de Santarém, João Grave.

O João escolheu para ele o toiro mais complicado da corrida. E fê-lo de consciência sabendo que ali estaria um muito mais que provável “monte de tojos”. E de facto não se enganou! Mesmo assim e na 1ª tentativa, mandou vir o “Avellano” de largo e à Grupo de Santarém, com as ajudas cá bem atrás, numa arena que é só a maior de Portugal. O toiro teve uma reunião complicadíssima, dura, a tirar a cara quase no momento em que investia, com os ajudas por terra e sem conseguirem ajudar. Sempre a arriar e com o João a cair à sua frente, deu-lhe sem misericórdia, tendo e quanto a mim, deixado tocado para as restantes. Na 2ª tentativa e com idêntico comportamento, o João acabou por perder os sentidos, tendo recuperado ainda dentro de Praça e voltado ao toiro mais 3 vezes. O João e o “Avellano” acabaram a peleja a uma muito valorosa e muito valente 5ª tentativa.

Volta apenas para o cavaleiro

No 2º toiro – Cordobês – com 540 kg. Foi uma lide bem mais agradável e aquela que mais gostei do António. O toiro cooperou mais e com isto permitiu que o cavaleiro também se pudesse luzir de outra forma. Muito bem nos ferros compridos mas melhor ainda nos curtos a um toiro que alinhou com alguma reserva e até a uma determinada altura, que se fechou de tal forma que achei que pudesse vir a ser igual ao seu irmão de camada e o 1º a sair. O António, conseguiu tirar tudo o que havia a tirar do Cordobês e acabou a actuação em Santarém em altíssimo nível. Destaco o 3º ferro curto da ordem.

Pega:

Foi escolhido para pegar este toiro, o forcado António Taurino. O António trabalha em Inglaterra e sempre que pode vem dar uma mãozinha ao seu Grupo. E que mãozinha Sras e Srs! A demonstrar muita calma e senhoria, mandou vir o toiro quando assim achou, recuou q.b mas fundamentalmente, fechou-se com uma vontade férrea que lhe possibilitou aguentar os enormes derrotes que o toiro lhe pregou e assim que começou a sentir o peso e a força dos ajudas. Que enorme pega e para mim, a pega da tarde. Volta para cavaleiro e forcado, dando o Taurino uma 2ª volta a pedido do público.

Luis Rouxinol

O Luis vinha comemorar a Santarém a sua alternativa, tirada exactamente há 32 anos nesta Monumental. Toureou o 2ª e o 5º da ordem; um “Sommer” e um Canas Vigouroux, com 520 e 525 kg respectivamente. Gostei das 2 actuações mas achei a do 1º toiro mais conseguida. O Luis como é do conhecimento público raramente “anda mal” e em Santarém não foi a excepção à regra. No “Sommer” andou até mesmo muito bem, com os cavalos todos muito bem postos, destacando-se o 2º comprido pela preparação e cravagem e o 1º e 2º curto pelo cuidado na cravagem e remate. Terminou com 2 pares de bandarilhas de extraordinário efeito.

Com o Vigouroux gostei menos, apesar de todo o esforço e critério empreendido na lide. Abriu praça com uma porta-gaiola e foi passeando progredindo num Vigouroux que acabou acabrunhado e paradão motivo pela qual não gostei que levasse ao exagero a colocação do palmito, numa fase em que o toiro já nem andava para o cavalo.

Pegou o Sommer o forcado Salvador Ribeiro de Almeida, neto, sobrinho e filho de antigos forcados do Grupo, numa pega limpíssima, espectacular e à primeira tentativa. Em relação ao Salvador e pelo que tenho visto, é um forcado sério, elegante e poderoso. Gosto mesmo muito de o ver pegar.

Para o Canas Vigouroux saltou o destacadíssimo Francisco Graciosa, forcado de dinastia e que pegou à primeira tentativa, noutra pega limpíssima, em que sobrou forcado para o toiro que havia pela frente. É bom para descansar e avançar para o próximo desafio.

Voltas merecidíssimas para cavaleiro e forcados nos dois toiros.

João Salgueiro da Costa

O Salgueiro mais novo, veio a Santarém (tal como os restantes obviamente) para partir a loiça toda. E creio que tenha conseguido alcançar o seu objectivo. Foram 2 lides muito equilibradas, muito esforçadas e conseguidas, fazendo-me lembrar bastante o seu pai quando toureava. Já agora: quando é que há uma empresa que consiga juntar na mesma corrida pai e filho Salgueiro? Era engraçado.

3º Toiro – de J.L.V. S. Andrade – com 530 kg e de nome Artista

Começou muito bem, com ferros compridos de praça-a-praça e ao estribo, criando emoção de princípio ao fim. Na passagem para os curtos e andando em crescendo, acabou a actuação num 3º e 4º ferro de muito bom resultado.

5º toiro – de J.L.V. S. Andrade – com 515 kg – o Avion

Num toiro que aparentava dar credito ao nome – a andar, móvel e rápido – o “Avion” ficou sem gasolina a meio da lide, limitando ao Salgueirinho um êxito que podia ter sido redondo. Começou como no anterior toiro, com os ferros compridos de praça-a-praça e de grande impacto no publico. Nos curtos e já com o toiro praticamente encostado, conseguiu sacar ferros de muito boa nota, com destaque para o 4º e 5º da ordem com uma nota elevadíssima.

Nas pegas, pegou o “Artista” o consagrado Lourenço Ribeiro, filho do antigo forcado de Santarém, Vitor Ribeiro, à 2ª tentativa. Na 1ª tentativa e a meu ver, o toiro fez-lhe um estranho na reunião, e o Lourenço veio “de badalo”, fechado apenas num braço, não tendo conseguido aguentar-se até ao fim. Na 2ª e derradeira tentativa, e ainda que o toiro lhe tenha feito o mesmo, conseguiu o Lourenço fechar-se com estoicismo e enorme vontade, acabando a pega com o Grupo a ajudar bem.

Para a ultima pega da tarde, deu o cabo João Grave, o toiro ao valente e sempre disponível Rubinho – Ruben Gioveti – que merecidamente fechou com chave d’ouro a actuação do Grupo na Praça da sua cidade. O Gio fez uma pegasso; numa viagem rápida, com o toiro a bater cá atrás, mostrando que tem e além da vontade, um enorme par de braços.

Volta nos dois toiros para o cavaleiro e para os dois forcados.

Presidiu à corrida, com acerto e lisura o Sr. Lourenço Luzio, sem qualquer tipo de caso a apontar.

Uma nota apenas: sei que não estava a tarde mais agradável do Mundo, mas o espectáculo só termina quando fica concluída a volta do ultimo cavaleiro com o forcado. É de muita má educação sair de Praça antes dos artistas recolherem os aplausos do publico.

Fica a rampa preparada para a Corrida da CAP

Foto: FarpasBlogue

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