Noite de Alternativa com toiros exigentes

  • Local: Alcochete
  • Data: 22 de Junho de 2019
  • Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Francisco Palha e António Prates
  • Forcados: Grupos de Forcados Amadores de Coruche e de Alcochete
  • Ganadaria: António Charrua

 

É com noites como esta que o mundo taurino ganha força! A praça de Alcochete esteve completamente cheia para receber um novo cavaleiro de alternativa, um jovem que se mostrou nas suas duas lides ambicioso, toureiro e que pode vir a tornar-se numa figura da nossa tauromaquia. O António Prates tem muito potencial, mas o caminho ainda é longo e frente a um curro de toiros sério e exigente como foram os Charruas e com duas grandes figuras do toureio a cavalo como testemunhas, viu-se que ainda há muito caminho para melhorar e crescer.

António Prates recebeu a alternativa das mãos do seu pai José Prates, tendo brindado a lide à família. Teve pela frente um bonito toiro castanho de 550kg, que se apresentou com uma emotiva saída à arena, perseguindo a montada, com o cavaleiro a receber o toiro e a dobrar-se bem sem a intervenção dos seus peões de brega.

A vontade de triunfar e basear a sua lide na verdade do toureio foi notória, mas sentiu várias dificuldades pois o toiro tinha muita dificuldade em fixar-se, mostrando uma enorme querença no cavalo, perseguindo sempre, adiantando-se e encurtando terrenos. Sofreu um toque fortíssimo tentando ladear frente a um toiro sério e complicado, mas conseguiu uma lide meritória, com bons momentos, destacando-se o último ferro curto.

Na sua segunda lide que encerrou a corrida, já sem o peso e responsabilidade da cerimónia da alternativa, mostrou todo o seu potencial. Frente a um Charrua de 620kg, desenvolveu uma lide com muita ligação, mostrando-se muito toureiro. Sortes bem desenhadas, bem rematadas e a saber mexer com o público, terminando a lide em apoteose com dois grandes ferros curtos com apertada batida ao pitón contrário, com muita verdade, levantando toda a praça. A seriedade do curro escolhido para a alternativa, junto com toda a verdade que o toureiro empregou nas suas atuações, dignificam a festa dos toiros em Portugal e são uma autêntica lufada de ar para a continuidade e sucesso do toureio a cavalo.

António Ribeiro Telles iniciou com o mais pesado da corrida. O Charrua castanho-escuro de 660kg nem estava gordo, toiro com um enorme esqueleto, teve uma saída à arena vibrante. Tal como o primeiro, também este perseguia a montada constantemente, algo andarilho, com arrancadas bruscas. No momento da reunião derrotava alto, mas o cavaleiro mostrou toda a sua experiência e maestria e soube dar a volta ao toiro e dar-lhe uma boa lide, com ferros de frente ao estribo como o caracterizam.

Se o cavaleiro se mostrou em bom nível no seu primeiro, no segundo esteve fenomenal. Perante um toiro com uma investida mais nobre que o anterior, iniciou a sua faena com uma porta gaiola, colocou os 2 compridos com muito acerto e partiu para uma série de curtos de grande nível, rematados e adornados na perfeição, impondo o seu classicismo em Alcochete, que o aplaudiu vibrantemente.

Francisco Palha apareceu em Alcochete na grande forma que já nos tem habituado, com duas lides de grande valor. Frente ao seu primeiro, um toiro castanho com 590kg, destacou-se na ferragem, com destaque para o 2º ferro curto e na forma como rematou as sortes a ladear e dar a garupa ao toiro, que investia com muita pata. Foi a melhor lide da primeira parte da corrida.

Teve depois o pior toiro da corrida, um Charrua com menos casta, andarilho sem se fixar e que no final da lide começou a procurar tábuas. Faltava toiro no momento da reunião, mas mesmo com os poucos atributos do toiro, o cavaleiro esteve por cima, pisou terrenos de compromisso e cravou ferros com muito valor.

Para pegar estes toiros perfilaram-se dois grupos de primeira linha, destacando-se o grupo da casa pela segurança e solidez nas suas 3 pegas. Os toiros tiveram um comportamento muito semelhante nas pegas, foram na generalidade difíceis de colocar, arrancavam-se assim que viam o forcado com pata, mas tinham uma investida nobre, oferecendo boas reuniões ao forcado da cara. Depois precisavam de grupo para fechar a pega, pois tinham muito peso e investiam com pata.

Pegaram assim por Coruche Tiago Gonçalves à 2ª tentativa com uma boa primeira ajuda do cabo José Tomas, depois de ter ficado fora da cara na primeira tentativa. António Tomas também a fazer uma pega rija à 2ª tentativa depois de na primeira ter saído da cara após o derrote. Para fechar pegou o cabo José Tomás bem à primeira tentativa, com o toiro a levar a cara pelo chão depois da reunião e com o grupo a fechar nas tábuas.

Pelo Amadores de Alcochete foram caras Manuel Pinto, Manuel Duarte e António José Cardoso, todos à 1ª tentativa.

Destacou-se a pega ao maior toiro da corrida, protagonizada pelo Manuel Pinto, pois o toiro desviou do grupo e foi o que mais derrotou, estando o forcado da cara enorme até o grupo de compor e fechar.

Nas pegas de Manuel Duarte e António José Cardoso viu-se forcados de cara a mostrar muita segurança, conseguindo boas reuniões, fechando-se bem na cara dos toiros e um grupo a ajudar com muita eficácia em bloco.

Os toiros da ganadaria de António Charrua tiveram uma apresentação irrepreensível, bom comportamento, investiram com nobreza e tiveram muita mobilidade, contribuindo para o sucesso da corrida, que foi um sucesso tanto pela qualidade do espetáculo como pela entrada de público, e ficará na história por ter nascido um novo cavaleiro de alternativa que terá agora uma maior responsabilidade e exigência nas suas atuações. Boa sorte António Prates!

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