No pórtico da Temporada a Cantera triunfou

Autor: Miguel Ortega Cláudio

Mourão rompe o fogo e anima as brasas dos aficionados em pleno Inverno, este ano mais primaveral que o habitual…. É o pórtico da temporada, lugar de peregrinação e rota jacobina para quem aqui anda e para quem vem um pouco mais de longe. Passados três meses sentimos a necessidade de entrar em contacto com o “reburdeo”  do toiro e a ilusão do toureiro. Todas essas coisas – saudades à parte – Mourão tem um encanto especial, e este ano novamente o bom gosto imperou nos cartéis apresentados por Joaquim Grave. Hoje a cantera do Toureio Ibérico pisou aquela arena, Cavaleiros Praticantes e Novilheiros de primeira linha deram-nos uma grande tarde de toiros. A Praça Cheia de aficionados aplaudiu com força o nosso futuro.

A arte de tourear, qualquer que seja a sua disciplina, o seu intérprete, o momento e o lugar, quando se solta a veia da inspiração, move-se como poucas outras artes, simplesmente porque é instantânea, surpreendente e fugaz. Por isso, quando António Ribeiro Telles coseu o novilho de Murteira no estribo de sua montada, com um temperamento prodigioso e uma proximidade indescritível, simplesmente o público corresponde, bons curtos cravados com a classe daquela gente.

Eric toureou à verónica soltando os braços com garbo, fazendo ondear a bamba do capote e baixando as mãos e remata com uma meia de cartaz. E se tem o garbo dos eleitos tem que se ser figura, com a muleta a faena teve fundo e duende, os de peito foram de piton a rabo, este niño tiene algo.

Diogo Peseiro quando ofereceu a muleta com autoridade e desenvoltura, o novilho Murteira rompeu, deixá-lo ligado na saída dos passes, para evitar o toque e a  do oponente. Faena de um toureiro equilibrado, inteligente, dominador e artístico, no qual se destacaram duas séries de excelentes pela direita. Nas bandarilhas levantou a praça.

Bem, Manuel Perera deixou a paróquia sem palavras, pelo menos para quem assina isto. Que maneira de tourear! Temple, controle, harmonia, descontração… E que forma de ligar! As tandas em redondos foram se sucedendo com a mão direita e os naturais com a esquerda, “despatarrado” o toureiro, ombros caídos, varrendo a arena com meia muleta, terminando as séries com passes de peito ajustados, profundos e trincheiras de execução toureira.

Joaquim Brito Paes é um caso, tem uma interpretação do bem tourear a cavalo, do bem fazer,  do bonito. Os curtos da segunda parte da sua lide foram para o que escreve cheios de verdade, diante de um novilho que era um tanto ao quanto mal visto.

Tristão Ribeiro Telles, como já escrevi várias vezes nasceu a beber a água da Torrinha, e hoje começou uma lide a menos mas depois de se centrar cravou ferros com verdade, com ligeira batida ao piton contrario. É um cavaleiro que vai pedir poetas!

Pelos Amadores de São Manços foram caras, Alexandre Rocha à primeira tentativa. Luis Caeiro à terceira tentativa. Fechou o Festival para os forcados João Santos à terceira tentativa, num novilho mais complicado.

Foram lidados quatro novilho de Paulo Caetano, primeiro, segundo, quinto e sexto, de correcta apresentação e de bom jogo. Terceiro e quarto de Murteira Grave: Terciado o terceiro o sobrero sem romper e com mobilidade o bem apresentado quarto.

Foi guardado um minuto de silêncio por Vasco Taborda e por todos os que patiram desde 1 de Fevereiro de 2020

Dirigiu a corrida Agostinho Borges, foi veterinário Matias Guilherme no Festival um honra da Senhora das Candeias.

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