No caminho das Figuras

Nota: devido a um problema de ordem técnica não foi possível ao cronista escalado elaborar a crónica, ficando esta assim à responsabilidade da redação. Pedimos desculpa pelo atraso da mesma.

Praça de Touros do Campo Pequeno, quinta-feira, 16 de Maio, Corrida Vidas/Correio da Manhã, comemorativa do décimo terceiro aniversário da reinauguração da praça lisboeta.

  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, Pablo Hermoso de Mendoza e João Moura Jr.
  • Ganadaria: Francisco Romão Tenório
  • Grupo de Forcados Amadores de Lisboa e Évora, capitaneados por Pedro Maria Gomes e João Pedro Oliveira, respetivamente.
  • Direção: Senhor Pedro Reinhardt, assessorado por Dr. Jorge Moreira da Silva,
  • Nota: Cumpriu-se um minuto de silêncio, em memória de Ricardo Chibanga, Matador de Touros recentemente falecido.
  • Uma das corridas mais esperadas do Abono Lisboeta, o aniversário da reinauguração, e um dos cartéis mais equilibrados eram motivos de sobra para ir ao Campo Pequeno na passada quinta-feira, dia 16.05.

Três toureiros, três conceitos, três estatutos encheram quase por completo a praça de touros na passada quinta-feira.

De Monforte, com a marca de fogo de Francisco Romão Tenório, veio uma corrida parelha, igualada, comportamentalmente reveladora das suas origens murubeñas, cumpridores, sem nunca chegarem a romper na verdade, faltando por isso um pouco de emoção/transmissão, como preferir o estimado leitor.

Luís Rouxinol nunca defrauda, profissional entregadíssimo e com uma noção de compromisso de fazer inveja, no primeiro deu-lhe lide com toda a sua tauromaquia e recursos, par de bandarilhas tão esperado e desejado, incluído. No segundo, quarto da ordem, recreou-se mais, por mobilidade do touro, com ladeares de impacto no público. Terminou com ferros de palmo, outro recurso nesta sua primeira noite Lisboeta.

Pablo Hermoso de Mendoza tem um lugar especial no coração da afición portuguesa e lisboeta em particular, chega com estatuto de figura máxima e por isso mesmo até lhe podem ser perdoados alguns “ses”, se é que lhe podemos apontar “ses”, nem todas as noites são de escândalo e a regularidade também acompanha o percurso das figuras. Toureiro de doma exemplar e cavalos num aprumo e arranjo invejáveis, vale a pena ver, nem que seja apenas por isso, mas não é só isso, é muito mais, tauromaquia variada, sortes recriadas e conceito moderno, sem desrespeito pelos cânones do toureiro a cavalo eterno. Duas atuações cheias, de encher o olho e de aplaudir, sem ter atingido quotas explosivas, que outrora alcançou no “seu” Campo Pequeno.

A explosão estava reservada para Moura Júnior, de Júnior apenas o nome, a sua madurez, assentamento e predisposição são de toureiro curtido e que sabe o que quer: o trono e ceptro do Toureio a Cavalo. Poderá dizer-se e até pensar-se que vinha cómodo ao lado de Rouxinol e Hermoso, que a noite era de Hermoso, engane-se o leitor, que Moura Jr não quer perder nem a feijões. Não é fácil ser filho de um Figurão do Toureio, de um transformador, revolucionário da tauromaquia, dos que se contam pelos dedos das mãos, pensar-se que pode estar preso a esse espectro, associado a essa Marca e ter pouco para acrescentar, mais uma vez o engano é redondo. Como redonda foi a sua noite, de afirmação, para aqueles que ainda duvidavam, de consagração para os que já sabiam, está no caminho das Figuras. Se no primeiro derramou a sua academia, no segundo mostrou a carta de intenções. Dois ferros daqueles que sentimos e que falaremos para sempre, uma marca nova, uma identidade própria, o selo, não o selo Mourista, Mourina, ou que como lhe possamos chamar, o selo tem um e apenas um nome próprio: João Moura Júnior, para quem queira e quem não queira. Andamos sobrados de Figuras, Deus Queira que este caminho nos leve lá, a nós aficionados e sobretudo ao nosso motor, os Artistas: touros e toureiros.

Nas pegas, os Amadores de Lisboa, no seu 75.º aniversário, pegaram Pedro Gil, o primeiro, ao segundo intento, depois de não ter aguentado o toiro na 1ª tentativa, Duarte Mira, o terceiro, à primeira, forcado jovem, de ascensão rápida e com muita transmissão de confiança, quer ao Cabo, quer o público e fechou a primeira atuação na sua praça, em ano de aniversário, Vítor Epifânio, outro forcado que se vem assumindo preponderante no grupo, à segunda. Pese embora tenha havido duas pegas à segunda, todas foram bem ajudadas e rematadas na rabejação pelo Grupo.

Volta para os três acompanhados dos toureiros.

Pelos Amadores de Évora abriu a corrida, como tradicionalmente acontece neste grupo, o cabo João Pedro Oliveira forcado de elite, à segunda tentativa, com o toiro a parar-se e a derrotar com violência; o quarto foi pegado por Dinis Caeiro jovem da linha da frente dos Eborenses, igualmente à segunda com duas reuniões perfeitas, sendo que o forcado acaba por ser pisado na 1ª tentativa, fechando o compromisso o jovem António Torres forcado que em franca ascensão, à segunda tentativa depois de se emendar bem na cara do toiro.

Aplica-se o mesmo que aconteceu aos Amadores de Lisboa no que concerne à prestação coletiva do Grupo. Volta para os três forcados.

Noite de aniversário, noite de recordar a reinauguração, os que partiram, os que fizeram a história do Campo Pequeno, mas sobretudo os que já para ela contribuem, temos Figura a caminho.

Pela redação.

 

Artigos Similares

Destaques