Mourão, quando os sinos dobram!

Crónica

Praça: Mourão

Data: 1 de Fev 2018

Cavaleiros: Francisco Palha e David Gomes

Espadas: Juan Leal, Joaquim Ribeiro “Cuqui”, João D’Alva e Manuel Perera

Forcados: Grupo de Forcados Amadores de Santarém

Toiros/Novilhos: Calejo Pires

Lotação: 3/4 Forte

 

Estreio-me nestas lides da escrita a convite do Francisco Mira, em substituição do Bernardo Patinhas, no dia em que o céu ficou mais rico pela partida do seu Pai Senhor João Nunes Patinhas, do Mundo dos vivos e a quem presto a minha sincera homenagem.

Amado Nervo escreveu “Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós”.

Início da Temporada Taurina de 2018 na Localidade de Mourão.

Festival por Honra de Nossa Senhora das Candeias integrado nas festividades locais.

Presidiu o Festival Taurino o Director de Corrida Agostinho Borges assessorado pelo veterinário Dr. Matias Guilherme.

A Praça registou 3/4 de casa forte com o sector do Sol totalmente repleto, vendo-se nas bancadas muitos aficionados de todo o país e da vizinha Espanha.

Após as cortesias que decorreram em bom ritmo saiu á arena o primeiro dos seis novilhos da Ganadaria Calejo Pires, negro churreado e de boa apresentação tendo-se revelado justo de forças ao longo da lide.

Para o lidar, Francisco Palha deixou de saída dois ferros compridos a quiebro montado no cavalo Alamar.

Para a ferragem curta foi buscar o Roncalito no qual continuou a sua lide baseada em ferros de batida ao píton contrário, o que originou um forte toque na montada na cravagem do terceiro. O novilho descaiu para tábuas e Francisco Palha, ao som do pasodoble Nerva, num gesto tremendista foi ao seu encontro para colocar o quarto ferro curto com que terminou a sua lide.

Para as pegas perfilou-se o Grupo de Forcados Amadores de Santarém, único grupo em praça nesta tarde, que por intermédio de Francisco Paulos na sua estreia ao serviço do grupo escalabitano, realizou uma pega de caras limpa ao primeiro intento após brindar ao público.

Cavaleiro e forcado deram volta à arena no final ao som de música.

O segundo novilho da tarde, castanho e de boa apresentação, revelou-se o de melhor comportamento, tendo calhado a David Gomes que no arranque da temporada em que tenciona tomar a alternativa de cavaleiro brindou ao Dr. Joaquim Grave, organizador do festejo.

O cavaleiro da Malveira deu vantagens ao oponente dando-lhe distância, perfilou-se de frente e reuniu no centro da arena para cravar o primeiro ferro comprido, ao qual se seguiu outro de boa nota montado no cavalo Guloso.

Para a ferragem curta foi buscar o cavalo Campo Pequeno e chegou de imediato ao público com ladeares a galope. Cravou três ferros curtos de nota positiva tendo sofrido um toque na montada ao cravar o quarto após batida ao píton contrário .Terminou com um ferro de palmo a lide que resultou em bom plano.

Para a segunda e última pega da tarde, após brindar ao ganadeiro João Ramalho, o forcado Bernardo Bento bateu as palmas ao novilho que ao sair solto não permitiu a melhor reunião. Na segunda tentativa marcou os tempos da pega, mandou no oponente e reuniu correctamente tendo assim consumado a pega.

Com o terceiro novilho da tarde, um negro bem apresentado, ligeiramente bisco, deu-se início à parte apeada do festival.

O matador de touros francês Juan Leal recebeu bem de capote por Verónicas e Tafalleras. No tércio de bandarilhas destacou-se Cláudio Miguel tal como já nos habituou. Ao iniciar a faena de muleta, Juan Leal que esteve encastado e por cima do novilho, ligou bons muletazos e ao terminar a primeira tanda com um passe de peito viu o seu labor reconhecido ao soar o pasodoble Paquito Chocolatero. Numa lide de cercanias, com passes cambiados, Juan Leal mostrou o seu ofício e traquejo de toureiro com bagagem de voos mais altos. Ao terminar a lide simulando a sorte de entrar a matar sofreu um pequeno precalce mas sem qualquer gravidade.

Deu volta ao ruedo de Mourão e foi aplaudido pelo público.

O quarto da ordem, um bonito “burraco” de mais escassa apresentação que os seus irmãos de camada, calhou a Joaquim Ribeiro “Cuqui” que o recebeu lanceando por Verónicas de capote, tendo progredido na arena por Chicuelinas.

Saiu ao quite João D’Alva que executou bonitas Gaoneras.

Cuqui deixou três pares de bandarilhas no oponente tendo falhado o segundo par.

Brindou ao Ganadero Manuel Calejo Pires e deixou vir o novilho de largo mostrando a sua qualidade de investida. Lidou de muleta ao som do Pasodoble Manuel dos Santos e finalizou simulando entrar a matar sem bandarilha.

Deu também volta ao som de música após a lide.

Dizem nuestros hermanos que “no hay quinto malo” e o ditado confirmou-se com o bonito colorau que saiu ao aluno da escola de toureio de Vila Franca de Xira João D’Alva, um novilho com temple e cadência, que o toureiro recebeu bem de capote executando uma vistosa Farolilha.

No tércio de bandarilhas João D’Alva deixou boa nota ao colocar quatro pares no astado de forma variada, tendo sido alcançado no terceiro sem gravidade e agradecendo nos médios a ovação que o público lhe prestou.

Iniciou a faena de muleta de joelhos na arena de forma determinada, mostrando vontade e querer. A lide desenvolveu-se ao som do pasodoble La Puerta Grande tendo o toureiro finalizado com a simulação da sorte suprema sem bandarilha.

Deu volta e escutou música como premiação.

Para encerrar a tarde saiu à arena um novilho negro churreado, de apresentação positiva, que Manuel Perera da escola de toureio de Badajoz soube entender.

Iniciou a lide de capote por Verónicas tendo a sua quadrilha deixado três pares de bandarilhas no novilho de seguida.

Ao iniciar a faena de muleta desafiando a sorte ao lançar o sombrero á arena, conseguiu entusiasmar o público por Bernardinas e ligou bons passes ao som do pasodoble Iscar en Fiestas. Rematou com passe de peito e desplante aplaudido. Ao terminar com a simulação da sorte de matar fechou o primeiro capítulo da época taurina de 2018 dando volta ao som de música.

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