Mari econômica, casal feliz segundo a ciência

A relação entre dinheiro e amor é, sem dúvida, um tema que merece ser aprofundado. Mais do que uma questão prática, o dinheiro é intrinsecamente ligado à confiança, aos projetos em conjunto e ao sentimento de segurança no relacionamento. O equilíbrio financeiro é frequentemente visto como um pilar nas relações saudáveis. Contudo, novas investigações sugerem que a verdadeira essência deste equilíbrio não reside apenas em partilhar os mesmos hábitos de consumo. Uma pesquisa recente indica que os casais que consideram o seu parceiro como um poupador, em vez de um gastador, reportam relações mais felizes e estáveis.

Jamie Lynn Byram, a principal autora da pesquisa, salienta que, de forma geral, os casais que se veem como poupadores tendem a relatar um maior nível de felicidade conjugal e bem-estar financeiro.

Segundo Byram, esses casais sentem que dispõe de recursos suficientes para satisfazer os seus desejos e percebem que estão a progredir juntos rumo aos seus objetivos comuns, especialmente quando o parceiro prioriza a poupança para o futuro.

Além dos números, a percepção e a confiança desempenham um papel crucial. Saber que o parceiro adota uma gestão financeira responsável e prudente fortalece o sentimento de segurança e estabilidade na relação.

Esta confiança cultiva um ambiente propício a projetos de longo prazo, diminui as tensões financeiras e solidifica a relação de forma geral, contribuindo para casamentos mais robustos e gratificantes.

Se você considera que seu cônjuge é mais poupador do que gastador, provavelmente tem um casamento feliz

Embora pareça evidente que uma atitude de poupança seja preferível a gastos excessivos, o verdadeiro interesse da pesquisa não estava nas práticas financeiras em si, mas na forma como essas ações são percebidas pelos parceiros.

A satisfação conjugal estava diretamente relacionada às impressões que os indivíduos tinham dos hábitos financeiros de seus cônjuges, e não às suas próprias práticas.

Como explica John Grable, co-autor da pesquisa:

«As percepções são mais importantes do que a realidade. Verificamos que a satisfação financeira é profundamente relacional; depende menos das ações do parceiro e mais da forma como elas são percebidas. »

As mulheres são mais felizes em um relacionamento quando veem seus maridos como poupadores

A pesquisa revelou que, em geral, os parceiros são mais felizes em relacionamentos onde percebem o outro como poupador, sendo o efeito ainda mais acentuado quando as mulheres vêem seus maridos dessa forma.

Curiosamente, se uma mulher admite que gosta de gastar, isso aumenta a satisfação de seu marido na relação, pois ele sente que está a provê-la com os recursos necessários para usufruir do estilo de vida que deseja.

«A felicidade de cada um é pessoal. Portanto, se uma mulher diz apreciar gastar, a satisfação conjugal do marido aumenta, pois ele tem a percepção de que está a contribuir financeiramente para que ela possa ter esses prazeres», explica Byram. «Por outro lado, se o marido economiza, isso demonstra seu compromisso com o futuro financeiro deles.»

Apesar das percepções por vezes distintas entre maridos e mulheres, ambos os parceiros concordam que uma comunicação aberta sobre as finanças é fundamental para o sucesso do relacionamento.

Conversar sobre dinheiro é importante, mas frequentemente evitado nas relações

Os casais que enfrentam dificuldades financeiras tendem a evitar conversar sobre dinheiro.

Em vários países, como França, Espanha e Países Baixos, a questão financeira é um tema delicado e frequentemente fonte de tensões. Um estudo realizado com milhares de pessoas mostra que as finanças causam conflitos ocasionais em quase metade dos casais franceses, e disputas frequentes em cerca de um em cada cinco.

As desavenças surgem, particularmente, em torno de objetivos financeiros, projetos de poupança ou aquisições importantes, como a compra de uma casa, e a transparência nas decisões financeiras pode ser limitada.

Nos Estados Unidos, de acordo com um inquérito, 72% dos casais afirmam que o dinheiro é uma fonte de stress nas suas relações. No entanto, em vez de abordarem o problema, muitos casais optam por ignorá-lo, na esperança de que o silêncio irá apaziguar as tensões. Contudo, a situação normalmente tende a piorar.

Um estudo conduzido em 2024 pela Universidade Cornell revelou que quanto maior o stress financeiro entre um casal, maior a tendência de evitar a conversa sobre o tema. Emily Garbinsky, co-autora da pesquisa, explicou à CNBC:

«Quando estamos sobre stress, tendemos a achar que iniciar uma conversa com o parceiro só resultará em uma discussão, o que aumentará ainda mais o stress.»

O especialista financeiro Ramit Sethi afirmou que a maioria dos casais só aborda o tema do dinheiro quando um evento significativo acontece na relação, como a perda de emprego de um dos parceiros, o desejo de formar uma família ou a decisão de fazer uma compra importante, como uma casa. Contudo, deveriam falar de dinheiro tão frequentemente e naturalmente como falam sobre o seu dia a dia. Quanto mais conversarem sobre finanças, menos desagradável se torna o assunto.

Sethi enfatizou: «Não é necessário resolver todos os problemas numa única conversa. O importante é começar a falar, de forma honesta, regular e gentil.»

É essencial definir e discutir limites e prioridades desde o início da relação.

Partilhar as suas perspectivas financeiras é um passo maduro e necessário para assegurar que ambos estão na mesma sintonia e para encontrar compromissos mútuos, permitindo que cada parceiro se sinta ouvido e respeitado.

Desta forma, como explica Byram, «quando surgem questões financeiras, você compreenderá melhor as reações do seu parceiro».

Converse com seu parceiro. Identifique as suas necessidades em relação aos seus desejos e evite gastar além das suas possibilidades. A chave é encontrar um equilíbrio entre as pessoas, os comportamentos e as finanças.

Para concluir

A forma como percebemos os hábitos financeiros do nosso cônjuge tem um papel crucial na felicidade conjugal. Não importa se o foco é poupança ou gastos; o fundamental é como o outro percebe essas ações.

A comunicação aberta e regular sobre dinheiro, a compreensão das necessidades e prioridades de cada um, assim como a confiança na gestão financeira mútua, são alicerces para construir uma relação sólida e satisfatória.

Dedicar tempo para discutir e estabelecer um equilíbrio financeiro compartilhado não só reduz o stress, mas também reforça a cumplicidade e a estabilidade do casal.



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