Luís Rouxinol encerra com chave de ouro as comemorações dos 35 anos de alternativa

  • Redondo, 5 de Outubro de 2022
  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, Marcos Bastinhas e Francisco F. Núncio
  • Forcados Amadores: Portalegre, Redondo e Póvoa de São Miguel
  • Ganadaria: Passanha
  • Lotação: Cheia
  • Direcção de Corrida: Agostinho Borges assessorado por José Miguel Guerra

5 de outubro é um dos dias com mais simbolismo para Portugal, por ser de comemoração da Implantação da República (1910) e da assinatura do Tratado de Zamora (1143), que marcou a independência de Portugal.

Neste dia, tradicionalmente, o Coliseu do Redondo abre as suas portas e este ano não foi exceção. Um entradão de público para assistir a um espetáculo que fica marcado pelo voo altíssimo de um Rouxinol que nesta tarde cantou mais alto que os seus alternantes e triunfou com muita força, à semelhança do que havia feito há precisamente um ano neste mesmo tauródromo.

Destaque também para uma grande lide do jovem cavaleiro Francisco Núncio diante do último toiro da tarde. O IV Califa de Alcácer tem realizado uma temporada bastante consistente, dando um largo passo na sua consolidação enquanto toureiro.

Lidaram-se seis toiros da Ganadaria Passanha, bem-apresentados na generalidade. Quanto ao comportamento, a tónica dominante do curro foi a nobreza e na generalidade acabaram por cumprir. O primeiro foi sempre pronto para os ferros, o segundo não facilitava no momento da reunião, tinha teclas que tocar. O que encerrou a primeira parte do festejo foi o mais complicado até então, revelando-se um pouco reservado. A abrir a segunda parte do espetáculo saiu à arena um toiro reservado, com crença nas tábuas, mas cujas virtudes foram potenciadas pela maestria do cavaleiro de Pegões. O quinto foi extremamente nobre, perseguindo a montada do cavaleiro com suavidade, colaborando bastante. O ganadero foi premiado com a volta ao ruedo. O que fechou praça foi reservado, com crença nas tábuas.

Luís Rouxinol veio ao Redondo na última corrida da comemoração dos seus 35 anos de alternativa demonstrar o bom momento que atravessa. Lidou em primeiro lugar um astado que foi pronto no momento do ferro e Rouxinol soube aproveitá-lo. Depois de deixar dois bons compridos, com destaque para o segundo, rematado com toreria, partiu para uma faena em curtos em crescendo. Os últimos dois ferros curtos e o ferro palmo foram de nota elevada. Encerrou a sua primeira prestação com um excelente par de bandarilhas, dando vantagens ao toiro.

No segundo do seu lote, realizou uma faena tecnicamente perfeita. O maestro deu a volta a um toiro que no início da função pareceu reservado, potenciando-lhe as virtudes e tapando-lhe os defeitos. Montando o Douro, alcançou um triunfo memorável. Lidou a curtas distâncias, templou as investidas do toiro. O primeiro curto, a sesgo, superiormente rematado foi o presságio para o que viria depois, motivando de imediato a atribuição de música. Toda a restante lide foi um compêndio de arte, finalizada com um extraordinário par de bandarilhas, cravado de frente como mandam as regras e um bom ferro de palmo.

Marcos Bastinhas realizou uma primeira atuação pautada pela irregularidade, destacando-se pela positiva a forma como recebeu o toiro à porta gaiola, aguentando a forte investida do oponente. Em curtos, nunca se conseguiu acoplar à investida do toiro, alternando passagens em falso com fortes toques na montada. Lide sem história e que acabou por não romper. No final, teve a humildade de não dar volta ao ruedo. No quinto da ordem, depois de cravar com correção a ferragem comprida, partiu para a ferragem curta, iniciando com um ferro pouco ajustado que, na opinião do diretor de corrida, foi merecedor de música. Na fase de adornos, cravou um ferro de palmo e dois pares de bandarilhas à meia-volta, muito aplaudidos pelo público.

Francisco Núncio realizou uma prestação de nota positiva diante do primeiro do seu lote, numa atuação que foi a mais, subindo de tom a partir da cravagem do terceiro ferro curto. Lide positiva. No último da ordem, deixou de boa forma a ferragem comprida, em sortes à tira bastante bem executadas. Nos curtos, esteve em muito bom plano, pautando a lide por cravagens ao estribo. Lide marcada pelo classicismo, dando a volta a um toiro que não foi fácil. Triunfo importante de Francisco Núncio que partirá assim bastante moralizado para uma temporada de 2023 que se espera de confirmação do valor demonstrado nesta que foi a sua primeira temporada completa de alternativa.

No capítulo das pegas, a tarde foi positiva, estando em praça os Forcados Amadores de Portalegre, do Redondo e da Póvoa de São Miguel.

Pelos Amadores de Portalegre abriu praça José Lobo que concretizou a pega da tarde ao primeiro intento, aguentando um forte derrote inicial e suportando uma longa viagem. Rui Pombo consumou também ao primeiro intento com o grupo a ajudar coeso.

Pelo grupo da terra pegaram Nilton Moura, que se fechou com decisão à barbela e consumou uma boa pega ao primeiro intento e Jorge Gato que esteve bem na cara do toiro na primeira tentativa, mas a prestação do restante grupo comprometeu a concretização da pega. Na segunda, concretizou com mérito, sendo o ponto negativo a presença de imensos elementos em praça.

Os Amadores da Póvoa de São Miguel consumaram a sua primeira pega à segunda tentativa, depois de não estar bem a receber no intento inicial. Fechou praça Fábio Guerreiro que não consumou à primeira por falta de ajudas. Acabou por consumar à segunda com eficácia.

O espetáculo foi dirigido por Agostinho Borges, assessorado pelo médico-veterinário Dr. José Miguel Guerra.

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