Em Lisboa faltaram os toiros

No dia 08.06.2017, o Campo Pequeno em época de comemoração dos 125 anos abriu as portas para dar mais uma corrida de toiros à Portuguesa.

Perante o cartel anunciado afigurava-se uma noite de competição, estando anunciados os cavaleiros Rui Fernandes, João Moura Caetano e o rejoneador Leonardo Hernandez, para lidar 6 toiros da recém formada ganaderia Irmãos Moura Caetano, que seriam pegados pelos Grupos de Forcados Amadores de Alcochete e de Turlock.

Começando pelo elemento essencial da festa que é o toiro, registe-se que ontem em Lisboa faltou toiro.

O curro dos Irmãos Moura Caetano estava mal apresentado, ainda que o tipo de encaste em questão (murube) não prime bela beleza, o que é certo é que estava mal apresentado, faltando seriedade aos toiros, alguns com pouca cara, outros sem morrilho, enfim, na primeira praça do país deve exigir-se mais.

No que diz respeito ao comportamento, os toiros saíram para o mansote, sendo de destacar pela negativa o primeiro que era um manso de lei. A força também não abundou, mas na generalidade deixaram-se tourear, denotando falta de casta e “fiereza” nas investidas.

Perante 1/3 fraco de casa, Rui Fernandes pouco pôde fazer frente ao primeiro que lhe tocou em sorte. Feio, bronco e sem classe nenhuma, com meias investidas que dificultou ao máximo o excelente trabalho do ginete, que teve de porfiar para deixar a ferragem da ordem.

No seu segundo que apresentou mais alguma mobilidade, Rui Fernandes esteve toureiro, executando sorte variadas, mexendo bem no oponente, cravando em sortes cingidas rematando com um bom par de bandarilhas.

João Moura Caetano teve uma primeira actuação muito positiva na série de curtos montando o fantástico cavalo Temperamento. Desenvolveu uma lide baseada no temple e em sortes muito bem marcadas, pena ter faltado alguma emoção por falta de transmissão do primeiro toiro que lidou.

No quinto da ordem iniciou a lide com três ferros compridos de antologia, em sortes muito bem desenhadas em que imperou alguma emoção, tendo a lide continuado em bom ritmo com ferros de curtos de valor, apenas desluzida pelo consentimento de dois toques na montada aquando da reunião.

Leonardo Hernandez teve uma primeira lide algo desacertada na colocação da ferragem, nunca se entendeu com o oponente, não tendo escutado música durante toda a lide que desenvolveu no “coso” Lisboeta.

Melhorou e muito no seu segundo toiro, com bons pormenores de brega, cites vistosos, ferros ajustados, numa lide muito positiva, rematada com um bom par de bandarilhas, uma bandarilha curta e um palmo de muito boa nota.

No capítulo das pegas a noite não foi fácil para os Amadores de Alcochete, tendo os companheiros de cartel, Amadores de Turlock, triunfado forte, surpreendendo pela positiva os poucos presentes no Campo Pequeno, pela maneira como se apresentaram dentro de praça.

Pelos Amadores de Alcochete pegaram Pedro Viegas à quarta tentativa a sesgo e com ajudas carregadas, tendo estado valente e tecnicamente bem nas tentativas anteriores, ante um exemplar que apresentou muitas dificuldades para se deixar pegar. Diogo Timóteo apenas se conseguiu fechar à segunda tentativa no toiro que lhe coube pegar, tendo fechado a noite o cabo Nuno Santana com uma boa prestação ao primeiro intento.

Já pelos Amadores de Turlock pegaram George Martins à primeira tentativa numa pega de belo efeito, bem executada e tecnicamente perfeita, com o grupo a dar vantagens e a fechar coeso.

Para o segundo da sua ordem saltou o forcado Steven Cambayo que pegou com galhardia à primeira tentativa, dando também ele vantagens ao oponente.

Fechou a noite David Sanch à segunda tentativa, depois de na primeira ter tido uma reunião menos conseguida, que lhe retirou a oportunidade de consumar ao primeiro intento.

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