Júlio André – “Prata de Lei”

  • 15 de outubro de 2022, Moita do Ribatejo
  • Festival de Homeagem a Júlio André
  • Cavaleiros: Manuel Telles Bastos, Marcos Bastinhas, Miguel Moura e Tristão Telles Queiróz
  • Matadores: Joaquim Ribeiro “Cuqui” e João Diogo Fera
  • Novilheiro: Gonçalo Alves
  • Forcados: Moita e Alcochete
  • Ganadarias: Falé Filipe (2), Passanha, São Marcos, Foro do Almeida, Mata-o-Demo e Guadajira

 

Na retaguarda daqueles que vestem de seda e oiro, existe gente que, na sombra, vestem de prata e amam a sua profissão, os bandarilheiros ou subalternos, os quais sabendo que jamais poderão disfrutar da fama e dinheiro das figuras são capazes de se sacrificarem por elas e consagrarem as suas vidas pela grandeza da festa.

Júlio André é um desses nobres, românticos e valentes que dedicam a sua vida á festa e que fugindo a protagonismos ajudam a formação de toureiros e aficionados, através da Escola de Toureio da Moita, a terra que o acolheu e que na altura precisa soube estar grata e reconhecida pela sua obra, organizando um Festival em sua honra.

Podemos dizer que Júlio André vestiu “prata de lei”e que na altura em que a vida lhe pregou a cornada sentirá orgulho da sua trajectória, trajectória essa que com a casta herdada do toiro que ele sempre respeitou, continuará por muitos e bons anos. Bem haja!

O Festival realizado no passado sábado 15 de Outubro, saldou-se num balanço muito agradável em que, obviamente, as maiores ovações da tarde foram com toda ajustiça para o homenageado.

Diante de novilhos, respectivamente, de Falé Filipe, Passanha, São Marcos e Foro-do­ Almeida, que cumpriram com mobilidade, estiveram os cavaleiros Manuel Teles Bastos, Marcos Bastinhas, Miguel Moura e Tristão Guedes Queiroz, os quais e cada qual fiel ao seu estilo não defraudaram o público,

Na lide apeada sobressaiu a arte de Joaquim Ribeiro “Cuqui”, irrepreensível nos três tércios, ante um bom novilho de Mata-o-Demo e as boas maneiras do jovem novilheiro Gonçalo Alves, entendendo o nobre novilho de Falé Filipe, enquanto o matador João Diogo Fera nada pode fazer ante um péssimo toiro de Guadajira (manso e perigoso).

Boa presença dos forcados da Moita, por intermédio dos” caras” Tiago Silva e Francisco Mirrado (estoico e valente em 3 dificeis tentativas), e dos amadores de Alcochete, com cernelha fácil da dupla Gonçalo Catalão – João Ferreira e, ainda de João Dinis, este a sobrepor-se as dificuldades do adversário que em 3 tentativas nunca meteu a cara.

Um destaque especial para o tércio de bandarilhas da quadrilha de Fera, ante o perigoso “Guadajira”, com excelente pares de Pedro Paulino e de Nuno Silva, este a troco de uma colhida aparatosa que lhe valeu um pontazo profundo, a necessitar hospitalização e intervenção cirúrgica, felizmente sem consequências graves.

Em suma, sob direcção de João Coutinho, assessorada por Carlos Santos, fez-se justiça a um toureiro romântico e valente, que vestindo “prata de lei” poderá orgulhar-se de uma vida consagrada à grandiosidade da Festa dos toiros!

 

Nota: Foto de Fernando Clemente

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